Autor: Sérgio Cipriano

Natural de Gouveia, é licenciado em Comunicação Multimédia. Empresário na área das Tecnologias de Informação, onde atua como programador web e consultor liderando projetos de inovação digital. Em 2004 fundou a Associação Amigos BombeirosDistritoGuarda.com e dirige o portal www.bombeiros.pt. Ligado aos Bombeiros de Gouveia desde os 13 anos, é bombeiro de carreira no posto de Subchefe, acumulando atualmente as funções de 2.º Comandante do Corpo de Bombeiros.

Nos últimos anos, temos assistido a uma situação que considero profundamente preocupante, a crescente presença de indivíduos que acumulam cargos de liderança em proteção de pessoas e bens com atividade política ativa. Este fenómeno suscita uma reflexão crítica sobre a compatibilidade entre responsabilidade institucional e interesses políticos pessoais e coloca em evidência uma tensão ética que afeta diretamente a confiança pública nas instituições e na própria política. A natureza da proteção civil: imparcialidade e compromisso coletivo A proteção civil é, por definição, uma função que exige idoneidade, princípios éticos sólidos e compromisso com todos os cidadãos, sem exceção. Cada decisão,…

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Vivemos na era das redes sociais, em que tudo é fotografado, partilhado e comentado. A imagem é hoje tão poderosa como o próprio ato de estar no terreno. E por isso mesmo é que me choca e preocupa ver bombeiros a transformar a farda em adereço de brincadeira. Não estou a falar de boa disposição entre camaradas, essa é saudável e até necessária. Falo de fotografias publicadas em páginas pessoais ou nas páginas das corporações, onde vemos operacionais “todos contentes” a caminho de um incêndio, sorridentes em grupo, a deitar a língua de fora, ou a posar como se o…

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O fogo deste ano rugiu com uma fúria que parecia não ter fim. Labaredas que devoravam tudo à sua passagem, noites intermináveis e o cheiro a cinza que se entranhava na pele e na alma. Estar na linha da frente não é apenas um dever, é caminhar entre o medo e a coragem, é dançar com o perigo e proteger vidas como se fossem parte de nós mesmos. Mas este ano levou-nos alguém que não volta. Um colega, um amigo, alguém que partilhava cada riso, cada esforço, cada vitória silenciosa. A sua ausência deixou um vazio que se sente em…

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A Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) esteve ontem, terça-feira, no Palácio de Belém para uma reunião com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. O encontro, marcado na semana anterior, realizou-se às 18h00 e juntou os principais dirigentes da estrutura representativa dos bombeiros. A delegação da LBP integrou o presidente da Mesa dos Congressos, Gil Barreiros, o presidente do Conselho Executivo, António Nunes, bem como os vice-presidentes e comandantes Carlos Jaime e Emanuel Santos. Durante a audiência, os dirigentes entregaram ao Chefe de Estado uma pasta com os temas que mais preocupam atualmente os bombeiros portugueses, considerados pela Liga…

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No distrito da Guarda, em pleno combate às chamas que têm assolado a região, viveu-se um momento especial que demonstrou não apenas a coragem, mas também a humanidade que caracteriza os Bombeiros Portugueses. A jovem Célia Luís, Bombeira dos Bombeiros Voluntários de Gouveia, celebrou o seu aniversário em plena missão de combate a um incêndio. Longe da família, mas rodeada pela “família de farda”, a data não passou despercebida. Os colegas do setor onde estava empenhada prepararam uma pequena surpresa, cantando-lhe os parabéns em coro, num gesto simples mas carregado de simbolismo. O momento emocionou a jovem Bombeira, que não…

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Autarca diz ser “muita coincidência” os grandes fogos em Sabrosa A presidente da Câmara de Sabrosa, Helena Lapa, considerou este domingo ser “muita coincidência” haver três grandes incêndios no concelho em cerca de um mês e considerou poder haver uma “mão criminosa”. Pelas 22:00, o cenário é mais favorável no fogo que deflagrou às 15:06 na zona de Paradela de Guiães, no concelho de Sabrosa, distrito de Vila Real, que queimou mato e pinhal e lavrou entre aldeias. Este é já o terceiro grande fogo que atinge o concelho de Sabrosa desde julho, com o primeiro a afetar a zona…

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Sou Bombeiro Voluntário desde os 14 anos, tenho mais de 25 anos de missão. Estive em diversos teatros de operações, em todo o país, em diferentes funções: na primeira linha de ataque, na condução, na chefia de equipa e no comando. Convivi com gerações e formas de liderar distintas, operacionais e comandantes excecionais. Por outro lado, há mais de 20 anos que a minha profissão está ligada ao sector de combate a incêndios e resgate, onde tive o privilégio de conhecer realidades, produtos, procedimentos e tecnologias em mais de 70 países em 5 continentes. Assim, e pelo facto da minha…

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Tenho 54 anos, a primeira vez que ouvi falar de fogos foi em 1985. Quarenta anos depois a minha biografia carrega serviço nos bombeiros voluntários, no Estado e no Serviço Nacional de Bombeiros que a estultícia extinguiu e de repórter. Já vi tudo, causa-me espanto que seja em Viseu que o primeiro-ministro tenha convocado um Conselho de Ministros extraordinário, para aprovar medidas de apoio às populações afetadas pelos incêndios. Generoso o governo, que sempre recorre aos fundos europeus, que são de evolução, mas teima em usar de remendos. Uma primeira conversa, para justificar o injustificável, agora que me chegam lágrimas…

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Cidadãos que faltaram ao trabalho para defender as suas casas e os seus bens dos incêndios florestais podem ver as suas ausências serem consideradas injustificadas. Porém, no caso dos bombeiros voluntários a situação é diferente. Nos últimos dias, muitos cidadãos viram-se confrontados com a necessidade de defender as suas casas e os seus bens dos vários incêndios florestais, mas, por regra, as faltas ao trabalho para este fim não são justificadas, com exceção para os bombeiros voluntários. Aliás, “a lei distingue” precisamente as duas situações – a dos bombeiros voluntários e a dos cidadãos no geral – e, “no caso…

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Os grandes fogos de junho e outubro de 2017 voltaram a preocupação dos portugueses para a necessidade urgente de prevenção dos incêndios. Cinco anos depois, o número de ignições diminuiu, mas a intensidade do fogo aumentou. Com as mudanças do clima, as chamas ganham força e os investigadores apelam a novas medidas de gestão territorial. No espaço de uma década, 2021 foi o ano em que se registaram menos incêndios em Portugal, mas os grande fogos de junho e outubro de 2017 não deixam esquecer o poder destrutivo das chamas. A região centro foi a mais afetada, com um saldo…

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