Bombeiros que passam mais tempo no “teatro de operações” de incêndios florestais poderão ter risco acrescido de efeitos na saúde associados à exposição ocupacional.
Os bombeiros que passam mais tempo no “teatro de operações” de incêndios florestais poderão ter risco acrescido de efeitos na saúde associados à exposição ocupacional, concluiu uma investigação este domingo divulgada pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP).
O trabalho, que está a ser desenvolvido pela investigadora Filipa Esteves, no âmbito do seu doutoramento em Saúde Pública na FMUP, “avaliou os riscos ocupacionais a que os bombeiros portugueses estão expostos e identificou biomarcadores que poderão ser úteis na vigilância da sua saúde”, descreve esta instituição em comunicado.
No resumo enviado à agência Lusa, a FMUP revela que a investigação versou sobre cerca de 60 bombeiros do Norte de Portugal, dos quais 80% eram homens, com uma idade média de 35 anos e tempo médio de serviço de 16 anos.
Cerca de 45% integravam Equipas de Intervenção Permanente (EIP), ou seja, eram bombeiros contratados a tempo inteiro pelas respetivas corporações.
Com dados recolhidos entre 2021 e 2023, o estudo teve uma primeira fase com uma análise antes da época de incêndios florestais.
Já a segunda fase decorreu durante a época de incêndios, após intervenção num combate a um incêndio florestal.
Neste período foram recolhidas amostras de sangue e de urina para avaliar biomarcadores de inflamação, bem como amostras de células da mucosa bucal para quantificar eventuais lesões na cadeia de ADN.
Após a intervenção no combate aos fogos “observou-se um aumento significativo de determinados biomarcadores de inflamação sistémica”, lê-se nas conclusões do estudo.
Os níveis de proteína C reativa (marcador clínico para avaliar a presença e a gravidade de problemas de saúde) medidos em ambas as fases “apontam para um risco cardiovascular acrescido”, ficando acima dos níveis recomendados pela Associação Americana do Coração e Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (American Heart Association e Centers for Disease Control and Prevention).
“Este resultado reforça a importância da monitorização médica regular”, nota a investigadora, citada no resumo enviado à Lusa.
Fonte: Correio da Manhã

