Uma nova geração de tecnologia baseada em inteligência artificial está a transformar a forma como os incêndios florestais são detetados em regiões remotas. Na Tasmânia, um sistema inovador de câmaras inteligentes de vigilância tem vindo a demonstrar resultados muito positivos, permitindo identificar focos de incêndio de forma precoce e com elevada precisão.
As câmaras, instaladas em pontos elevados e estratégicos, monitorizam o território de forma contínua, analisando imagens em tempo real através de algoritmos de IA capazes de detetar colunas de fumo ainda numa fase inicial. Sempre que é identificado um possível foco de incêndio, o sistema emite automaticamente um alerta para os centros de comando, permitindo uma resposta rápida e direcionada no terreno.
Durante a última época de incêndios, esta tecnologia foi responsável pela deteção de centenas de ignições, muitas delas em zonas de difícil acesso, onde a deteção visual humana seria mais lenta ou mesmo impossível. Em vários casos, a rapidez do alerta permitiu a mobilização imediata de meios aéreos e terrestres, evitando a progressão dos incêndios e reduzindo significativamente os danos.
O sucesso do sistema levou as autoridades a avançar com um plano de expansão e reforço da rede de vigilância, com o objetivo de duplicar a cobertura tecnológica em todo o território. O investimento permitirá instalar mais câmaras, integrar drones de observação e reforçar a ligação com dados meteorológicos e outras plataformas de monitorização do risco.
Do ponto de vista operacional, estas câmaras conseguem vigiar áreas a dezenas de quilómetros de distância, funcionando 24 horas por dia e complementando os métodos tradicionais de vigilância e patrulhamento. A tecnologia não substitui os bombeiros nem os meios no terreno, mas constitui uma ferramenta essencial de apoio à decisão, melhorando a rapidez de resposta e a segurança das populações.
Este modelo evidencia o papel crescente da tecnologia e da inteligência artificial na prevenção e combate aos incêndios florestais, abrindo caminho a soluções que poderão vir a ser replicadas noutros países, incluindo em regiões com elevado risco de incêndio e extensas áreas florestais.
Fonte: Bombeiros.pt / ABC

