A ministra da Administração Interna anunciou que a situação de alerta se estende a todo o território continental a partir da meia-noite. Antecipam-se temperaturas altas e baixa humidade, o que leva o Governo a avançar com novas medidas.
Maria Lúcia Amaral decidiu declarar situação de alerta para todo o território continental a partir da meia noite de hoje.
A ministra da Administração Interna explicou que foi necessário anunciar novas medidas preventivas, perante a prevista subida das temperaturas, acompanhada de baixa humidade.
O Governo decidiu proibir o acesso e a circulação nos espaços florestais, bem como a realização de queimadas e trabalhos rurais e a utilização de fogo-de-artifício. A decisão junta, além do ministério da Administração Interna, as tutelas da Defesa, Infraestruturas, Saúde, Trabalho, Agricultura, Solidariedade e Ambiente.
A declaração decorreu da elevação do estado de alerta especial emitido pelo Sistema Integrado de Operações de Proteção e Socorro.
A ministra assegura que todos os meios de combate aos incêndios estão mobilizados e apela “à serenidade” perante uma semana que se prevê “difícil”. Haverá ainda reforço de meios para operações de vigilância por parte da GNR e PSP.
Este sábado, os incêndios em Ponte da Barca e Lindoso, no Alto Minho, distrito de Viana do Castelo, continuam a ser os mais preocupantes. Estão ativos e ainda são considerados pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil como uma “ocorrência grave”.
Às 08:20 o incêndio mantinha-se com duas frentes ativas, segundo revelou à Lusa fonte do comando sub-regional do Alto Minho. Entretanto, o combate ao incêndio decorre favoravelmente e poderá haver boas notícias nas próximas horas, segundo revelou o comandante da proteção civil Elísio Oliveira, citado pela Lusa. “Os trabalhos estão a decorrer favoravelmente. Acreditamos que se tudo correr como tem estado a decorrer até agora, nas próximas horas teremos boas notícias”, sublinhou o responsável no ponto da situação às 10:00.
Alertando porém que o “incêndio mantém-se ativo” e que o final da manhã normalmente traz “uma entrada de vento que pode provocar reativações em locais” onde estão atualmente “a trabalhar na consolidação do rescaldo”. Tratando-se de pontos critícos não há “a garantia de que o incêndio não vai sair do perímetro já atingido”, disse.
“Elísio Oliveira precisou que só quando houver “a garantia de que o incêndio não passará para novas áreas”, será dado “como dominado”. E prosseguiu: “isto é um combate muito injusto. Apesar de todo o trabalho feito por todos os operacionais das diferentes entidades, sejam os bombeiros, que são o principal agente e têm feito um trabalho extenuante no teatro de operações, acompanhado por elementos do ICNF [Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas], das equipas de sapadores florestais, por elementos da GNR (…) bastará uma rotação do vento em locais onde não é visível a chama e ele [o incêndio] irá fazer arranques que podem comprometer toda esta operação”.
Sobre ferimentos sofridos no teatro de operações, o comandante relatou que na sexta-feira houve “duas situações, um elemento do ICNF que sofreu uma queda e foi transportado ao hospital, um ferido ligeiro com traumatismo no membro superior, e outra situação de um acidente que recusou o transporte ao hospital. Portanto, nenhuma situação grave”.
Elísio Oliveira revelou ainda estarem envolvidos nas operações “dois helicópteros ligeiros” e que irá “entrar um helicóptero bombardeiro pesado e duas parelhas de aviões bombardeiros (…), mais um helicóptero de coordenação”.
As temperaturas estão elevadas e vão continuar a subir nos próximos dias. Prevendo-se para este sábado uma temperatura máxima de 38 graus para Ponte da Barca, com uma mínima de 19. E depois é sempre a subir até quarta-feira.
Para domingo, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) prevê uma temperatura máxima de 40 graus, subindo para 41 graus na segunda e para 42 graus na terça, só voltando a descer na quarta-feira, para os 35 graus.
Mais de mil operacionais envolvidos, casas fora de perigo
Na sexta-feira ao fim da noite, o comandante José Miranda, da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, considerou que o incêndio de Ponte da Barca, com zonas de acesso difíceis, continuava com “uma frente ativa a arder com grande intensidade”. Avançava então que havia “algumas infraestruturas, como armazéns” próximos, “mas habitações não”. Disse também que é o único fogo que continua a ser “preocupante”.
Estão envolvidos no combate a este incêndio de grande dimensão, que começou no passado domingo em Ponte da Barca e chegou esta semana ao concelho de Terras do Bouro, 607 bombeiros, 201 carros e dois helicóptero. O incêndio já consumiu mais de seis mil hectares do Parque Nacional da Peneda-Gerês.
A situação dos incêndios no país esteve na noite passada mais calma, com Arouca dominado e Vila Verde “com bom prognóstico”, disse fonte da Proteção Civil à Lusa.
Ainda assim, segundo o comandante José Miranda, da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, nestes três palcos de operações estavam envolvidos um total de 1148 operacionais e 401 veículos.
Em Arouca, o fogo já “está dominado”, mas ainda mobiliza 413 operacionais e 151 viaturas.
Quanto a Vila Verde, das três frentes de incêndio inicialmente ativas, duas já estavam extintas, e apenas uma está ativa, mas com “bom prognóstico”, esperando-se “o domínio deste setor” do fogo.
A maioria dos distritos das regiões do Norte, Centro e Algarve continua hoje sob risco máximo de incêndio, segundo dados do Instituto Português do Mar e da Atmosfera.
Fonte: Expresso

