
Tenho assistido a uma maior preocupação das populações relativamente à limpeza da floresta, só por isso, o “ultimato” do governo já valeu a pena.
Porém, o prazo que deu para a limpeza dos terrenos é curto face à enorme matéria combustível existente de norte a sul do país, para não falar das questões orográficas que dificultam estas operações, nomeadamente no Minho onde em cada pedaço de terra há uma habitação. Por outro lado, a procura de profissionais para a limpeza da floresta tem sido enorme e ao que parece, não chegam para todas as encomendas.
O cumprimento da lei é claro, os prazos para a limpeza é que são naturalmente discutíveis num país que há muito perdeu os seus hábitos de silvicultura. No entanto, se fossem só os proprietários privados a terem de efetuar estas limpezas, sem dúvida que, a legitimidade do governo e das autarquias seriam outras.
Por estes dias, ao passar pela A3 que liga a cidade do Porto a Valença, deparei-me com a presença de centenas de eucaliptos a galgarem a autoestrada, e naturalmente que, face à desorganização existente ao longo de décadas nas áreas florestais, bem como, a falta de políticas de prevenção, estou em crer que, a A3 será só a ponta do iceberg.
Dito isto, ocorre-me de imediato uma questão:
As autarquias e o Governo, que no incumprimento da lei não façam a limpeza das suas áreas, das quais, são igualmente proprietárias ou detenham poder sobre as concessionárias, quem é a entidade com legítimos poderes para os autuar/fiscalizar?
Multar não nos ajudará a resolver o problema da segurança das pessoas e dos seus bens, é certo, mas seja qual for o governo, tem a obrigação de dar o exemplo.
