Se tutelasse o pelouro dos Bombeiros e tivesse a responsabilidade de definir o rumo do setor, começaria por duas medidas estruturais. Duas medidas que considero fundamentais para garantir a sustentabilidade dos corpos de bombeiros, valorizar os seus profissionais e voluntários e, acima de tudo, proteger melhor as populações.
Não podemos continuar a pensar o sistema de socorro sem uma visão integrada do território e das suas necessidades reais.
Cada município deve ter um dimensionamento adequado, tendo em conta critérios objetivos, como:
Deste diagnóstico resultaria a definição de rácios mínimos de capacidade operacional para cada município, incluindo o número de bombeiros profissionais e voluntários, as viaturas e respetivas valências, os equipamentos, os meios técnicos e as infraestruturas necessárias.
Este modelo permitiria estabelecer responsabilidades claras e garantir um financiamento do Estado aos municípios ajustado às necessidades identificadas, assegurando que os meios de socorro correspondem efetivamente aos riscos existentes.
Porque a proteção das populações não pode depender apenas da capacidade financeira de cada município ou do esforço extraordinário dos seus bombeiros.
Não há futuro para os bombeiros sem valorização de quem está na linha da frente.
É fundamental estabelecer uma tabela salarial justa e uma carreira profissional robusta, com progressão, formação, especialização e reconhecimento das responsabilidades assumidas.
Mas é igualmente necessário construir um modelo de benefícios para os bombeiros voluntários que seja claro, consistente e duradouro.
Um modelo em que a disponibilidade, a competência, a formação e o compromisso operacional sejam reconhecidos de forma proporcional, com benefícios concretos e estruturais, associados a critérios transparentes e às responsabilidades assumidas.
Ser voluntário não pode significar viver permanentemente na incerteza quanto ao reconhecimento do seu contributo. O voluntariado deve continuar a ser valorizado, mas precisa de condições que permitam atrair, motivar e reter pessoas, conciliando a missão de servir com a vida profissional e familiar.
Não basta agradecer aos bombeiros quando há incêndios, cheias ou outras catástrofes. É necessário criar condições para que possam continuar a servir com dignidade, segurança e motivação.
Estas duas medidas seriam o ponto de partida para um sistema mais equilibrado, sustentável e preparado para os desafios do futuro.
Um sistema em que os meios acompanham os riscos, o financiamento acompanha as necessidades e a valorização acompanha a responsabilidade.
Porque investir nos bombeiros não é uma despesa supérflua. É investir na segurança das pessoas, na proteção do território e na capacidade de resposta do País.
“A grandeza de uma sociedade mede-se não apenas pela forma como agradece a quem a protege, mas sobretudo pelas condições que lhe proporciona para continuar a fazê-lo.”
O futuro dos bombeiros constrói-se hoje. Com visão, compromisso e respeito por quem está sempre pronto a ajudar. ![]()
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Comandante Jacinto Reis Oliveira
Comandante dos Bombeiros Voluntários de Esmoriz

