
Dezasseis pessoas morreram, mais de 10 mil foram retiradas das suas casas e mais de mil habitações ficaram destruídas no grande incêndio que atinge a cidade chilena de Valparaíso. Há uma criança de 7 anos desaparecida.
“A esta hora confirmamos 16 mortos”, afirmou Julio Pineda, chefe da Polícia de Valparaiso.
O Gabinete Nacional das Situações de Emergência (Onemi) confirmou à agência France Presse que três pessoas ficaram gravemente feridas.
A cidade está em estado de emergência e foi declarada como zona de catástrofepela presidente do Chile, Michelle Bachelet.
O incêndio, que se estendeu a 800 hectares, começou com um fogo florestal em La Pólvora, mas o vento forte fez com que se propagasse às zonas povoadas de La Cruz, El Vergel, Las Cañas e Mariposas.
As autoridades estão a monitorizar permanentemente as condições meteorológicas, especialmente a força e a direção do vento, e aguardam pelo amanhecer do dia para enviar aerotanques para as zonas de mais difícil acesso.
O presidente do município de Valparíso, Jorge Castro, adiantou que foram preparados 12 abrigos para acolher as pessoas que perderam as suas casas.
Bachelet decretou na madrugada de sábado o estado de emergência e zona de catástrofe em Valparaíso, uma cidade portuária localizada a 120 quilómetros de Santiago e assente principalmente em encostas íngremes, separadas por vales, que está a ser devastada por aquele que já é considerado o pior incêndio da sua história.
Entretanto, as autoridades declararam também um alerta vermelho tanto em Valparaíso como na cidade vizinha de Viña del Mar.
O ministro do Interior, Rodrigo Peñailillo, liderou um comité de emergência em Santiago, onde o ministro da Defesa, Jorge Burgos, e o diretor do Escritório Nacional de Emergência, Ricardo Toro, também participaram.
Depois de informar a Imprensa sobre a situação, Peñailillo partiu para Valparaíso por indicação da presidente “para tomar todas as medidas que sejam necessárias para o controlo do incêndio e da segurança e ordem pública”.
Tal como aconteceu com o terramoto ocorrido a 1 de abril no extremo norte do país, que causou seis mortos e graves danos materiais, a presidente do Chile decretou rapidamente o estado de exceção constitucional, que concede às Forças Armadas o comando para garantir a ordem e segurança e a coordenação dos trabalhos de evacuação.
Um contingente policial foi destacado para os arredores da cadeia da cidade, onde se encontram 2.940 presos, homens e mulheres, e onde estão a chegar vários familiatres preocupados com a sua situação.
Oito reclusas e os seus bebés foram transferidos para a prisão vizinha de Quillota para evitar que o fumo afete as crianças, enquanto outras 204 mulheres foram levadas para o ginásio local, informou ao Canal 24 Horas o diretor regional da prisão, Julio Ugarte, que descartou uma eventual evacuação em massa.
Na tarde de sábado, era possível observar a dezenas de quilómetros uma coluna gigantesca de fumo que começou a causar problemas respiratórios, especialmente nas crianças e idosos.
No combate ao incêndio, que começou às 16 horas locais (20 horas em Portugal continental) e foi ganhando força à medida que a tarde avançava, estão 500 bombeiros, polícias e equipas aéreas e terrestres da Corporação Nacional Florestal e do Escritório Nacional de Emergência. Pelo menos uma dezena de helicópteros e de aviões de combate aos incêndios estão, neste momento, a combater o fogo.
O procurador de Justiça abriu um inquérito para determinar as causas do incêndio, que já levou ao corte do fornecimento de água potável e eletricidade a muitos dos bairros da cidade.
“Este é a pior catástrofe que já vi em Valparaíso”, disse o responável da região de Valparaíso, Ricardo Bravo, receando que o fogo se propague ao centro da cidade.
O incêndio afeta particularmente a zona alta da cidade, onde já foi cortado o fornecimento de energia.
A maioria das habitações em Valparaíso, onde vivem cerca de 250 mil pessoas, são construídas com materiais ligeiros, altamente inflamáveis e que, juntamente com o vento, são favoráveis a incêndios.
FONTE: JN

