«João Miguel Pereira!»
«Pronto!» – respondeu o jovem bombeiro à voz de comando. Foi o último nome que o comandante chamou de uma lista jovens que, acabada a recruta, iam ser promovidos a bombeiros de 3ª classe.
O comandante João Miguel deteve-se naquele último rapaz que chamou. Achou curioso ter o mesmo nome dele e as feições eram-lhe familiares. De onde o conhecia?! A questão martelou-lhe na cabeça durante todo o tempo que durou a recruta.
A cerimónia terminou e os pais do jovem João Miguel dirigiram-se ao comandante:
«Já viu o pequeno? Fez-se um homem rijo!» – disse o pai, orgulhoso. «Nós estamos-lhe eternamente gratos», acrescentou a mãe. O comandante ficou confuso com tais observações, não percebia porque estariam aqueles pais eternamente gratos.
«Há 19 anos foi o senhor comandante que o ajudou a nascer! Já não tínhamos tempo de chegar à maternidade e o senhor fez o parto na ambulância… nós pusemos-lhe o seu nome!», recordou-lhe a mãe.
O comandante não conseguiu esconder a emoção. Vira-o em criança algumas vezes, mas depois tinha perdido o rasto desta família. Nunca tinha esquecido aquele momento e jamais o esquecerá.
O mesmo irá acontecer aos dois jovens bombeiros dos Voluntários de Abrantes que há uns dias, também eles, fizeram um parto numa ambulância. São momentos únicos e indescritíveis que não se vão apagar da memória de nenhum deles.
Não é natural fazerem-se partos em ambulâncias. Mas já começa a ser normal e frequente tal acontecer. Com tantas notícias e ‘ameaças’ de encerramentos de maternidades, hospitais e outras unidades de saúde é melhor os bombeiros prepararem-se para considerarem as ambulâncias com um Veículo de Maternidade Móvel! Um VCMM…
Gisela Oliveira

