No passado dia 1 de janeiro, dia de Ano Novo, quarta-feira ao início da noite, aconteceu um infeliz acidente com um veículo de socorro dos Bombeiros de Odemira, que vitimou o Bombeiro Dinis Conceição, com apenas 38 anos, e toda uma vida para viver.
Dois extractos de notícias publicadas no jornal “Correio da Manhã” sobre este acidente:
“O combate ao fogo estava terminado para os Bombeiros de Odemira e a hora era de regresso ao Quartel, quarta-feira ao início da noite. Mas um despiste do camião vermelho para uma ribanceira deixou cinco operacionais à beira da morte…”
“Apesar de nenhum dos quatro sobreviventes do acidente de quarta-feira com a viatura dos Bombeiros de Odemira ter sido capaz ainda de explicar o mesmo, é já possível saber que Dinis Conceição, a vítima mortal, seguia atrás do condutor.”
De repente, em todas as notícias, em todos os órgãos de comunicação social, é apontado como a causa para a morte deste bombeiro uma eventual falha de segurança na protecção da cabina, com as barras de segurança!
Terá sido esta a causa da sua morte?
Na minha opinião, a causa da sua morte foi o acidente. O infeliz acidente. Ele viajava atrás do condutor, uma zona, como se pode observar na foto, onde a cabina foi preservada. Um seu companheiro, que foi projectado da cabine, terá tido a sorte de ter ficado protegido pela cava da roda. Poderia ter ficado esmagado pela viatura. Foi cuspido, mas teve sorte. Se tivesse ficado esmagado debaixo do veículo, a culpa teria sido das barras de segurança da cabina? O seu companheiro Dinis, infelizmente, não teve essa sorte.
O que aconteceu verdadeiramente? Dos quatro sobreviventes, ainda ninguém consegue explicar o que aconteceu. Ninguém se lembra. Depois da missão cumprida, devia seguir-se um regresso tranquilo ao quartel. Mas o veículo despistou-se. Porquê? Falta de travões? Velocidade excessiva? Uma distracção?
Foi o acidente em si que provocou a morte de um bombeiro e ferimentos em mais quatro. Será que se todos levassem o cinto de segurança colocado, teriam sobrevivido todos e os feridos teriam ficado com menos lesões? Será importante usar o cinto de segurança, pelo menos, quando se regressa ao quartel?
É o acidente que deve ser estudado, para dele se tirarem lições que possam prevenir acidentes semelhantes.
Os bombeiros hoje podem ter cursos de condução defensiva. É implementada esta importante formação em todos os Corpos de Bombeiros? Os bombeiros que conduzem veículos de socorro têm formação adicional sobre a forma correcta de os conduzir, com atenção a todos os perigos existentes nas vias?
Mas este veículo já não ia socorrer. Vinha de um socorro prestado. Devia vir tranquilo para o quartel. O acidente não foi provocado, ao que se sabe, por ninguém, porque se despistou sozinho.
O problema da segurança das cabinas dos veículos dos Corpos de Bombeiros é outro, e não é ele o culpado do acidente, mesmo que possa vir a ser considerado culpado pelo resultado (a morte de um bombeiro).
Pergunto:
– Existe algum veículo deste, em Portugal, com as barras de segurança certificadas?
– Existe alguma empresa em Portugal certificada para montar barras de segurança neste tipo de veículos?
– Vão parar todos os veículos de socorro, deste tipo, que não têm as barras de segurança certificadas?
– É este o principal problema de segurança dos veículos de socorro dos Bombeiros de Portugal?
– E os veículos com 30, 40, ou mais anos de serviço, serão seguros?
Haveria tantas mais perguntas para fazer…
Relembro: este texto é apenas UMA REFLEXÃO. Espero que ele possa permitir a troca de ideias sobre o mesmo.
OBRIGADO!
Carlos Monserrate

