“…a procissão ainda vai no adro, infelizmente.”

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Sérgio Cipriano

As sucessivas mudanças legislativas levaram a um esvaziamento dos quadros dos corpos de bombeiros do país e por sua vez à saída de elementos com experiência e formação. Como consequência direta, as sucessivas mudanças legislativas levaram a que hoje sejam menos os homens e as mulheres no terreno em auxilio de quem mais precisa. Ficaram os que mais tempo podem dedicar a esta causa nobre dos bombeiros voluntários, falo concretamente: dos estudantes, desempregados e dos que fazem das tripas coração e se dividem entre a vida particular/profissional para se manterem no ativo. Em suma, são hoje muito menos os bombeiros que se dedicam de corpo e alma a esta causa, tudo isto, em prol de uma melhor organização (diziam eles!) nas áreas da formação, equipamentos, estatuto social do bombeiro, mais e melhores carreiras, melhor gestão financeira, etc… etc..

Na verdade, tudo isto não passou de uma grande experiência e ilusão, uma experiência que levou ao estado em que se encontram atualmente os bombeiros em Portugal, bombeiros esses, na sua grande maioria, sem formação certificada em combate a incêndios florestais mas que dão o seu melhor em prol do seu semelhante.

A grande maioria dos bombeiros mortos em Portugal (no contexto de incêndios florestais) são bombeiros de 3ª. muitos deles acabadinhos de fazer uma escola teórica/prática e que são colocados na linha da frente sem saber, por exemplo, o que é um blow-up ou efeito de chaminé como vulgarmente é conhecido no nosso seio.

Posso estar redondamente enganado, mas a falta de formação certificada em combate a incêndios florestais, associado à juvenilidade, à inexperiência, à eterna descoordenação dos teatros de operações e às alterações da lei, estão na origem das mortes registadas em Portugal nos últimos anos. Mas há quem insista por aí, que a causa das mortes é culpa das mudanças de vento, da falta de limpeza das matas, dos incendiários… eu chamar-lhe-ia desviar o foco das atenções…

Voltarei em breve a falar sobre este assunto, com mais detalhe e mais informações, até porque, a procissão ainda vai no adro, infelizmente.

Até à próxima,
Sérgio Cipriano

Gouveia, 4 de Setembro de 2013

 

 




Sobre quem enviou a noticia

Sérgio Cipriano

Sérgio Cipriano

Natural de Gouveia e licenciado em Comunicação Multimédia pelo Instituto Politécnico da Guarda. Ingressou nos bombeiros com apenas 13 anos de idade e hoje ocupa o cargo de sub-chefe. É um dos fundadores da Associação Amigos BombeirosDistritoGuarda.com e diretor de informação do portal www.bombeiros.pt, orgão reconhecido pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social.