O Sindicato Nacional da Proteção Civil (SNPC) emitiu um comunicado alertando para as dificuldades do trabalho executado pelos Sapadores Florestais em Portugal em época de combate a incêndios.
O mesmo comunicado, alerta o responsável Alexandre Carvalho, foi enviado para todos os partidos políticos e para o Presidente da República “para que possam eles abraçar também esta causa e aceitarem o desafio que lhes colocamos de poderem vir visitar uma equipa/brigada de sapadores florestais e verem as suas condições precárias em que estes operacionais trabalham diariamente”.
Transcrevemos de seguida o comunicado:
“NÃO SOMOS NÚMEROS!
Face as condições meteorológicas adversas que se tem feito sentir, o SNPC Sindicato Nacional da Proteção Civil, questionou a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil sobre a situação dos alertas de risco de incêndio, uma vez que podemos verificar que muitas equipas/brigadas de sapadores florestais continuam a executar trabalhos de silvicultura preventiva, mesmo com temperaturas a rondar os 30º/35º o que representa uma situação de perigo iminente tanto para estes operacionais, como para o aumento de ignições provocadas pelas ferramentas motomanuais.
Recordamos que são os Sapadores Florestais os únicos operacionais do DECIR, a executar ações de prevenção estrutural contra incêndios rurais e consequente ações de primeira intervenção. A dureza do trabalho, face às condições meteorológicas obrigam a repensar a estratégia aplicada a estes operacionais e a deixar de lado o fator dinheiro e olhar para o que importa na verdade, a proteção de pessoas e bens e a salvaguarda da nossa floresta e toda a sua biodiversidade.
É desumano deixar que estes operacionais continuem a executar ações de prevenção estrutural, debaixo de temperaturas altíssimas, em taludes com inclinação de 70%, com uma máquina que pesa 15 kg às costas e ainda terem que estar segundo a Diretiva Operacional Nacional Nº2 de 2021 em “prontidão”
para executar a primeira intervenção, depois de horas de trabalho em condições precárias, ainda lhes é exigido esta prontidão operacional.
Só quem não conhece a realidade do trabalho desenvolvido pelos Sapadores Florestais de Portugal, pode achar que um operacional garante condições físicas depois de um determinado tempo a trabalhar em silvicultura, pede-se máxima prontidão a quem aufere 665€, muitas das vezes sem equipamentos de proteção individual, sem formação, com salários em atraso, sem uma
profissão reconhecida e regulamentada, mas exige-se mesmo assim. Porque o que interessa é os números dos hectares realizados, números é o que os Sapadores Florestais em Portugal são.
Apenas números para uma apresentação simpática de quantos hectares se fez em determinado local, para justificar a rentabilidade financeira daquela equipa/brigada, números para encher no Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais uma vez que em período de eleições autárquicas o que importa são os números.
É urgência nacional dotar estes operacionais com Carreiras e Estatuto Profissional, que dignifique o seu trabalho e valorize a sua profissão, os sapadores florestais não são números, são pessoas, são homens, são mulheres, pais, filhos e netos, merecem respeito pelo grandioso contributo que nos dão nas ações de prevenção estrutural contra incêndios, e subsequentes ações de primeira intervenção e em muitas outras ações no âmbito da proteção civil.
O SNPC apela a que todas as forças políticas em Portugal se disponibilizem a visitarem as condições de trabalho das equipas/brigadas de sapadores florestais, para que possam verificar em que condições atuam estes operacionais, para que assim possam ter capacidade de discutir e legislar em consciência o futuro destes operacionais.”

