
A demissão de 80 por cento dos operacionais voluntários dos Bombeiros de Alcanede, concelho de Santarém, está a colocar em causa o socorro à população e pode vir a deixar a corporação fora do combate a incêndios. A situação é confirmada a O MIRANTE pelo comandante, Filipe Regueira, e tem a ver com um litígio por causa das eleições para a direcção.
Segundo o comandante, sem os 23 bombeiros que apresentaram o pedido conjunto de demissão a situação operacional torna-se “muito preocupante”.
Os bombeiros dizem que estão dispostos a voltar ao quadro activo quando o impasse directivo, que já motivou um processo em tribunal, estiver resolvido. Para já corporação só tem condições para manter uma ambulância de socorro durante o dia e apenas nos dias úteis.
A central de comunicações vai continuar a funcionar 24 horas por dia mas no caso de haver um incêndio a corporação não tem meios.
O presidente da Câmara de Santarém, Ricardo Gonçalves, também se mostra preocupado e diz que os envolvidos ainda têm uma semana para chegarem a um entendimento. O autarca diz que lamenta a situação a que se chegou e refere que nestas circunstâncias a autarquia não pode transferir as verbas de apoio à corporação se as condições operacionais não estiverem garantidas.
O comandante distrital de operações de socorro, Mário Silvestre, diz a O MIRANTE que está a acompanhar a situação com muita preocupação e que já foi dado conhecimento ao comandante nacional.
Recorde-se que a confusão instalou-se após a assembleia eleitoral de 13 de Março, que deu a vitória, por três votos, à lista liderada pelo empresário Nelson Durão. Das tentativas anteriores para escolha de uma nova direcção não apareceram listas. Mas nesta assembleia e com a apresentação da lista de Nelson Durão, apareceu uma outra lista, liderada pela tesoureira da direcção anterior, Ana Ferreira, que contesta o processo eleitoral dizendo que houve irregularidades.
Ana Ferreira avançou com uma providência cautelar para anulação das eleições mas o tribunal de Santarém não decidiu a seu favor, tendo esta recorrido para o Tribunal da Relação.
Estas eleições ocorreram cerca de um ano após a anterior direcção se ter demitido. Enquanto decorre a batalha judicial não é dada posse à lista vencedora.
O Mirante / bombeiros.pt
