Tecnologia militar no combate aos incêndios na América

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(Foto: Oregon Department of Forestry)

Os bombeiros do Oregon (USA) decidiram usar este ano uma tecnologia militar na sua luta contra incêndios florestais.

Segundo dados recolhidos em fontes noticiosas daquele estado, esta tecnologia permite a detecção numa fase precoce de um incêndio, impedindo-o de crescer e consumir milhares de hectares de floresta.

O processo passa por conseguir detectar pequenos focos de incêndio “escondidos” por nuvens espessas de fumo. Também é possível a detecção durante a noite (algo que também já é feito em Portugal através da Força Aérea e do avião P-3). Neil Laugle, gestor de aviação do Departamento de Florestas do Oregon (ODF), descreve a aplicação prática desta tecnologia da seguinte forma: “A melhor maneira de descrevê-lo é afirmar que é como olhar através de uma TV a preto e branco à noite com os óculos”.

Todas as aeronaves do ODF foram equipadas com câmeras e outros sistemas de visão noturna para ajudar as equipas de bombeiros de todo o estado no combate a incêndios florestais. Com este novo sistema, os operacionais são capazes de captar esses incêndios, mesmo que se localizem apenas numa “assinatura de calor” numa única árvore.

O sistema gera imagens cruciais na detecção de incêndios, mas também fornece informações valiosas para quem gere as operações. Estes podem passar informações cruciais às equipas que se encontram no terreno.

Dentro de todas as aeronaves há software de mapeamento e um sistema de imagens em tempo real. Toda esta tecnologia está relacionada e pode ser retransmitida instantaneamente em tempo real para alguém em terra.

A ideia para esta utilização partiu dos incêndios de 2017, principalmente do incêndio de Eagle Creek que teve uma evolução muito rápida e perigosa, ganhando dimensões assustadoras. A certa altura, foi considerada a principal preocupação de incêndio no país. Os militares foram chamados para ajudar no combate e trouxeram este sistema para ajudar os bombeiros no terreno a detectar a movimentação do incêndio. Joe Hessel, comandante de bombeiros, afirmou que “Se os militares não tivessem detectado pequenos focos de incêndio “invisíveis” com a câmera infravermelha a bordo, poderíamos ter incêndios muito maiores e mais difícieis de combater”.

“Conseguimos alcançar os incêndios numa fase precoce e, com uma exceção, controlá-los no ataque inicial”. Os bombeiros de Oregon estão preocupados com a energia libertada pelos recentes incêndios no Ocidente, como os incêndios na área de Redding, Califórnia, que queimaram as cidades e consumiram milhares de hectares de floresta.

Eles acreditam que ter esta tecnologia à sua disposição evitará futuras devastações. A ODF instalou o equipamento nas suas aeronaves com um custo aproximado de 555 mil euros, esperando poupar cerca de de 650.000 e espera economizar cerca de 886 mil euros em custos relacionados com o combate a incêndios.

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Daniel Rocha

Daniel Rocha

Nasceu na Guarda. Para além da vida de professor, dedica-se a muitas outras actividades. A sua ligação e gosto pelo mundo da imprensa levaram-no a ser colaborador da Rádio Altitude (Guarda) e do jornal Notícias de Gouveia (Gouveia).