ProFiTex, um capacete de realidade virtual para bombeiros

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Um capacete de realidade virtual para bombeiros pode vir a revolucionar a segurança no combate aos fogos. O ProFiTex foi criado para permitir uma leitura do terreno sem precedentes, permitindo às equipas avançadas andar dentro de edifícios em chamas e mesmo assim conseguir ver os contornos e as temperaturas, facilitando-lhes o trabalho enquanto salvam vidas.

Os seus criadores garantem que este protótipo pode ser uma revolução no combate aos incêndios e ajudar a salvar pessoas aprisionadas dentro de edifícios em chamas.

O sistema foi concebido por uma equipa da Universidade de Tecnologia de Viena para ajudar os bombeiros a sobreviver em ambientes com fumo denso, quando não se vê um palmo à frente do nariz.

A análise dos sensores de infravermelhos é exibida em tempo real no visor, com cores em função da temperatura, de maneira a que os socorristas possam decidir se é ou não seguro entrar numa determinada divisão.

O contorno das pessoas que estejam presas no interior também aparece, com recurso a imagens térmicas.

Christian Schoenauer explica: os olhos do sistema são uma câmara 3D capaz de criar um modelo de cada edifício.

CHRISTIAN SCHOENAUER
«Usamos a profundidade para criar um modelo da casa ou divisão, e depois mapeamos os dados térmicos em cima desse modelo. No fim ficamos com um modelo texturizado em 3D, que pode por exemplo ser enviado para o chefe de operações no local do incêndio», explica Christian Schoenauer, estudante de doutoramento da Universidade de Tecnologia de Viena, do Grupo de Realidade Virtual e Aumentada.

O envio dessa informação seria possível através de fibra ótica entretecida nos cabos de segurança dos bombeiros.

«Ele recebe dos seus colegas não apenas o áudio, mas um completo modelo em 3D de todo o local, que lhe permite saber qual é de facto a situação, onde há perigo, se há zonas quentes, de onde vem o fumo, e pode decidir em função das imagens térmicas e do 3D», explica Hannes Kaufmann, professor de Realidade Virtual nesta universidade.

No entanto, para este responsável da equipa, informação a mais também pode trazer problemas. «Um dos problemas é saber quanto devemos mostrar aos bombeiros. Não queremos transmitir-lhes falsa segurança. Por exemplo, se modelarmos um pavimento quando ele estava incólume e ele for abaixo um segundo depois, iremos continuar a mostrar um pavimento intacto, e isso pode ser muito perigoso para um bombeiro. A questão é quanta informação deve ser de facto mostrada e quanta deve ser comunicada diretamente ao bombeiro», refere.

Kaufmann diz que em princípio vai acrescentar lasers de infravermelhos de alta potência para conseguir furar através do fumo mais denso.

Entrar em edifícios a arder é simples rotina para os bombeiros. Kaufmann diz que ajudá-los a ver por onde andam e os obstáculos que têm pela frente tornará o seu trabalho mais seguro.

(Fonte: TVI24)

 




Sobre quem enviou a noticia

Daniel Rocha

Daniel Rocha

Nasceu na Guarda, mas foi em Famalicão da Serra que cresceu e conheceu o mundo dos bombeiros integrando o corpo activo. É Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Portugueses, e possui um Curso de Especialização em Ensino de Português como Língua Estrangeira e Língua Segunda (PLELS), ambos na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC). Para além da vida de professor, dedica-se a muitas outras actividades, entre as quais o teatro e a escrita, tendo publicado com alguma regularidade desde 2011. A sua ligação e gosto pelo mundo da imprensa levaram-no a ser colaborador da Rádio Altitude (Guarda) e do jornal Notícias de Gouveia (Gouveia).