Instituto de Telecomunicações cria sistema de monitorização dos sinais vitais dos bombeiros

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Chama-se VR2Market e é um projeto que permite medir os sinais vitais dos bombeiros e fornecer informação à cadeia de comando, possibilitando uma melhor gestão e coordenação das equipas de socorro e mais segurança em caso de incêndio e outras emergências.

Conseguir medir os sinais vitais dos bombeiros, o nível de hidratação, de stresse e de fadiga é o que se propõe o VR2Market. O projeto está a ser desenvolvido pelo Instituto de Telecomunicações em parceria com o Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores (INESC TEC), o Instituto de Engenharia Eletrónica e Telemática de Aveiro, a empresa portuguesa Biodevices e o Instituto de Robótica da Universidade Carnegie Mellon (EUA).

O VR2Market consiste num adesivo e num aparelho que é colocado no capacete do bombeiro, capazes de medir, em caso de incêndio ou de outra situação de emergência, os sinais vitais dos socorristas e a qualidade do ar, em especial a quantidade de monóxido carbono e de outros gases tóxicos. Esta tecnologia permite prestar serviços de primeiros socorros em cenários de emergência.

“Inicialmente era uma T-Shirt, mas evoluímos para um adesivo”, refere João Paulo Cunha, professor da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, que está envolvido no projeto. “Há uma outra unidade que é colocada no capacete e está a comunicar com a primeira, medindo a parte ambiental. No fundo, são dois dispositivos “vestíveis”, o adesivo para a parte fisiológica e o outro para a parte ambiental”,

O adesivo é colocado diretamente sobre a pele e está preparado para suportar temperaturas elevadas, com a ajuda dos fatos de proteção que os bombeiros são obrigados a usar. “O adesivo não derrete. À partida, o corpo dos bombeiros não deve registar temperaturas superiores a 38 graus. O equipamento que usam tenta manter, mesmo quando estão expostos a temperaturas muito altas, a temperatura do corpo abaixo desse valor. Portanto, esse não é um problema ao nível do adesivo”, afirmou João Paulo Cunha, que também é investigador do INESC TEC.

A tecnologia já foi testada com as corporações de bombeiros de Albergaria-a-Velha, perto de Aveiro, e da Cruz Verde, em Vila Real. Uma das investigadoras do projeto, Ana Aguiar, disse ao Expresso que “as corporações têm dado um feedback muito útil e positivo para o desenrolar do projeto e este ano, na época dos fogos, vão ser novamente distribuídos os mesmos dispositivos pelos bombeiros de Albergaria”.

ALARME AUTOMÁTICO PARA SOCORRER BOMBEIROS

O projeto pode funcionar em tempo real e em offline. Os bombeiros que utilizam o VR2Market e que se encontram numa situação de emergência podem ser socorridos pelos colegas. “Por exemplo, se um bombeiro cair e ficar inanimado, há um alarme automático passado cerca de dois minutos, tanto para os outros bombeiros como para o carro de apoio”, explica João Paulo Cunha.

Os dados das ocorrências ficam todos guardados e podem ser analisados posteriormente. Outra caraterística do projeto, afirma ao Expresso o investigador, é que “recorrendo ao GPS, sabemos exatamente onde é que os bombeiros estiveram, durante quanto tempo e a que temperaturas foram expostos. Depois de se produzir um relatório, conseguimos perceber o que correu bem e o que não correu assim tão bem”.

Os bombeiros possuem ainda um pequeno telemóvel que não precisam de manipular, mas que é capaz de emitir os alarmes de emergência, e dessa forma comunicarem com o carro de apoio. Este possui um computador ou um tablet, operado por uma pessoa que já teve a formação necessária para lidar com os dispositivos.

O INESC TEC está a trabalhar com uma startup norte-americana, a Incident Aid, que segundo João Paulo Cunha, “tem uma solução mais fácil, em que o telemóvel fica dentro de uma caixa que apenas possui uns botões laterais, de modo a que, mesmo com a utilização de luvas, os bombeiros consigam ativar um pedido de auxílio. O objetivo é não ocupar os bombeiros quando estão em situações de emergência”.

A ideia dos promotores deste projeto é que seja expandido para todas as profissões consideradas de risco. O orçamento do VR2Market ronda o meio milhão de euros e durante este ano irá procurar investidores. João Paulo Cunha refere que o mercado americano é o mais atrativo do ponto de vista de negócio. O investigador diz ainda que o projeto poderá ser concretizado também no mercado europeu, “se aparecerem investidores interessados”.

(Fonte: Expresso)




Sobre quem enviou a noticia

Daniel Rocha

Daniel Rocha

Nasceu na Guarda, mas foi em Famalicão da Serra que cresceu e conheceu o mundo dos bombeiros integrando o corpo activo. É Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Portugueses, e possui um Curso de Especialização em Ensino de Português como Língua Estrangeira e Língua Segunda (PLELS), ambos na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC). Para além da vida de professor, dedica-se a muitas outras actividades, entre as quais o teatro e a escrita, tendo publicado com alguma regularidade desde 2011. A sua ligação e gosto pelo mundo da imprensa levaram-no a ser colaborador da Rádio Altitude (Guarda) e do jornal Notícias de Gouveia (Gouveia).