Xavier Viegas: “Tem de haver no comando uma parte específica para a busca e salvamento”

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Domingos Xavier Viegas

Xavier Viegas foi ouvido, mais uma vez, no parlamento sobre o “Capítulo 6” do seu relatório sobre o incêndio de Pedrógão Grande.

Xavier Viegas, citado pelo Observador, afirmou hoje que “Faltou em Pedrógão o trabalho de busca e salvamento, ou seja, a prestação de socorro médico falhou porque houve falhas nas buscas, que não foram coordenadas. E numa situação de múltiplas vítimas tem de haver no comando uma parte específica para a busca e salvamento. Isso claramente não houve aqui em Pedrógão.” Estas declarações foram recolhidas no final de uma reunião que decorreu à porta fechada. Lembramos que o já “célebre” capítulo 6 foi já divulgado às famílias das vítimas, aos deputados e, em parte, à comunicação social, mas não é considerado público devido à protecção de dados.

O deputado Duarte Marques, do PSD, que foi uma das vozes mais críticas das acções de combate a incêndios no verão passado, referiu, segundo o mesmo jornal, que “Falta aqui uma equipa para ir buscar as pessoas, falta criar algum comando, alguma especificidade, para que os bombeiros não se afastem do combate aos fogos e os médicos não se desviem de tratar os feridos”.

Já Telmo Correia, do PP, adiantou que “Houve pessoas que morreram caídas na estrada com o telemóvel na mão a ligar para o 112, à espera de ser salvas, e tudo porque ninguém tinha a responsabilidade formal de ir buscar as pessoas caídas no terreno”, segundo revela o mesmo jornal.

Aparentemente, o consenso é generalizado. Todos os partidos dizem que essa falha tem de ser colmatada na estrutura de comando, não devendo ser o INEM a ter a tarefa específica de ir ao local, por entre as chamas, fazer o salvamento.

“O professor Xavier Viegas veio aqui destacar que a estrutura da Proteção Civil, como está organizada, pode ter dificuldades a assegurar a busca e salvamento das vítimas. Porque o INEM não pode avançar para um teatro de operações em risco, sob pena de pôr em risco os seus profissionais”, disse Rocha Andrade, deputado do PS. Segundo o Observador, o antigo secretário de Estado socialista acrescentou ainda que “É uma questão de organização: tem de haver no comando uma estrutura concentrada nessa tarefa”.

À saída da reunião, o deputado Duarte Marques sublinhou ainda que “o fogo foi mal avaliado, uma vez que a avaliação que foi feita depois do ataque inicial foi mal feita” e que “A estrutura distrital não deu resposta adequada, os meios estavam dispersos pelo país em zonas onde não eram tão precisos”, reforçando o que já tinha dito várias vezes durante o verão.

 




Sobre quem enviou a noticia

Daniel Rocha

Daniel Rocha

Nasceu na Guarda, mas foi em Famalicão da Serra que cresceu e conheceu o mundo dos bombeiros integrando o corpo activo. É Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Portugueses, e possui um Curso de Especialização em Ensino de Português como Língua Estrangeira e Língua Segunda (PLELS), ambos na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC). Para além da vida de professor, dedica-se a muitas outras actividades, entre as quais o teatro e a escrita, tendo publicado com alguma regularidade desde 2011. A sua ligação e gosto pelo mundo da imprensa levaram-no a ser colaborador da Rádio Altitude (Guarda) e do jornal Notícias de Gouveia (Gouveia).