Sócios demitem direção dos bombeiros no parque de estacionamento

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Cerca de 200 associados aprovaram, na manhã deste domingo, a destituição da direção dos Bombeiros de Cete, em Paredes.

A decisão foi tomada numa assembleia-geral extraordinária realizada no parque de estacionamento do quartel, depois do presidente da instituição, Celso Moreira, ter fechado as portas das instalações.

A deliberação será, agora, comunicada aos dirigentes da associação humanitária, mas estes já afirmaram que não reconhecem a legalidade da reunião. Adivinha-se, portanto, uma longa batalha jurídica, que as pessoas das cinco freguesias abrangidas por esta corporação temem que coloque o socorro em causa. “É uma situação vergonhosa e preocupa-me que a população não esteja segura. A Direção lá sabe as suas razões, mas hoje foi cobarde. Quem não deve não teme”, afirmou o sócio José Moreira.

Ao JN, Celso Moreira já tinha avançado que a marcação da assembleia-geral, através de um abaixo-assinado que reuniu 180 assinaturas, não cumpria os “requisitos legais”. Mesmo assim, quase 200 pessoas marcaram presença, pelas 10 horas, nas instalações da corporação. Pretendiam entrar no salão nobre, mas as portas, inclusive as de acesso ao parque de viaturas, estavam encerradas. “Tentei, juntamente, com os autarcas das juntas de freguesia, falar com o presidente, que sabíamos que estava barricado no quartel. Estive mais de dez minutas à espera e só pelo telefone é que que me disse que falaria comigo na próxima semana”, conta Saúl Ferreira, presidente da Assembleia dos Bombeiros de Cete.

Perante esta posição de força, os associados reuniram-se no parque de estacionamento do quartel. E foi aí que 32 bombeiros explicaram as críticas ao comando e à Direção que os levaram a demitir-se. “Há muitas falhas na organização da corporação e o socorro está em perigo. O quartel nunca tem ninguém e ainda ontem [sábado] o INEM chegou primeiro do que a nossa ambulância a uma ocorrência”, garantiu José Duarte Teixeira, um dos voluntários que entregou o capacete em janeiro.

Luís Nunes, sócio que também pediu formalmente a realização de uma assembleia-geral, acrescentou que “só duas ambulâncias é que estão certificadas pelo INEM”. “Tentámos promover a bem esta assembleia, mas foi-nos negado vezes sem conta”, referiu.

No final das intervenções, os sócios aprovaram, por unanimidade, a demissão da Direção, decisão que Saúl Ferreira assegura que é “juridicamente legal”.

(Fonte: JN)




Sobre quem enviou a noticia

Daniel Rocha

Daniel Rocha

Nasceu na Guarda, mas foi em Famalicão da Serra que cresceu e conheceu o mundo dos bombeiros integrando o corpo activo. É Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Portugueses, e possui um Curso de Especialização em Ensino de Português como Língua Estrangeira e Língua Segunda (PLELS), ambos na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC). Para além da vida de professor, dedica-se a muitas outras actividades, entre as quais o teatro e a escrita, tendo publicado com alguma regularidade desde 2011. A sua ligação e gosto pelo mundo da imprensa levaram-no a ser colaborador da Rádio Altitude (Guarda) e do jornal Notícias de Gouveia (Gouveia).