Simulacro de Viseu realça a importância do “trabalho em rede” no combate a incêndios

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Tendo em vista preparar a época de incêndios florestais, nomeadamente o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais (DECIF) 2015, o Comando Distrital de Operações de Socorro de Viseu realizou ontem (dia 11 de Abril), na região do Aeródromo de Viseu (Nelas/Bertelhe/Cepões/Viseu), um Simulacro de Incêndio Florestal que envolveu mais de 220 operacionais (170 bombeiros e 50 elementos de outras forças) e 90 veículos numa área que em 2012 foi consumido pelas chamas.

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Tenente Coronel Lúcio Campos

 

Ouvido pelo Portal Bombeiros.pt, o Comandante Operacional Distrital (CODIS) de Viseu, Tenente Coronel Lúcio Campos,  esclareceu que “este simulacro foi desenhado e pensado a nível distrital.” A localização escolhida para a realização deste simulacro, “um cenário afectado por um grande incêndio em 2012”, foi também justificada pelo Codis Lúcio Campos como “forma de treinar e aferir das capacidades de combate aos incêndios florestais do dispositivo”, uma vez que o posicionamento do Posto de Comando permitia a visualização directa das acções que todos os operacionais desempenhavam. “Didacticamente é a localização mais indicada, pois temos a possibilidade de acompanhar as acções que acontecem no terreno e ir verificando a carta [militar]”, afirmou o CODIS.

Importante também para Lúcio Campos foi o “envolvimento de todas as corporações de bombeiros do distrito e de todos os agentes de protecção civil que, normalmente, são chamados a intervir nos incêndios florestais: ICNF (GAUF e Sapadores), GNR (SEPNA e GIPS), Forças Armadas (Regimento de Infantaria 14), Polícia Judiciária e Serviços Municipais de Protecção Civil. Esta interação no terreno permite um maior envolvimento e um melhor conhecimento das estratégias e métodos utilizados no terreno por cada um, para que no final o combate seja mais eficiente e mais eficaz”.

Realça, ainda, o Comandante Distrital que “aproveitando a presença destas forças no terreno, foram efectuados vários treinos operacionais, com formadores especializados, nomeadamente acções de 1.º COS (Comandante de Operações de Socorro), de Uso do Fogo, utilização de ferramentas manuais, de técnicas de condução fora de estrada, utilização de  Máquinas de Rasto (havendo no terreno duas máquinas de rasto cedidas pelo ICNF de Viseu e pela Câmara Municipal de Oliveira de Frades) e de consolidação e rescaldo.”

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Confrontado pelo Portal Bombeiros.pt sobre as razões que levaram à existência destas acções específicas de treino operacional, o CODIS Viseu explicou que “após a activação das equipas para um simulacro deste género, temos noção de que existe um tempo morto em que aparentemente não se faz nada dada a inexistência do incêndio. Portanto, e aproveitando os formadores que temos no distrito, decidimos incluir estas acções de treino operacional” para treinar princípios de actuação numa ocorrência real.

Questionado pelo Portal Bombeiros.pt sobre a aparente adopção total do método de treino militar (imaginar cenários e treinar as respostas a dar a esses mesmos cenários) pela estrutura da ANPC, Lúcio Campos, militar de carreira e com estrema experiência em missões internacionais, respondeu que “naturalmente, é comum a toda a gente o conhecimento de que só treinando e exercitando conseguimos ter melhores respostas e actuações, e, ao mesmo tempo, perceber o que está menos bem e melhorar. É, portanto, fundamental a existência destas acções de treino, efectuadas com rigor e com competência por quem se encontra no terreno, para que no momento de passagem para uma situação real as forças se sintam preparadas para enfrentar a problemática dos incêndios florestais”.

Concluindo, Lúcio Campos destacou a importância do “trabalho em rede”. “Para além do conhecimento pessoal entre os diversos agentes de protecção civil envolvidos nestas acções, estes treinos permitem o aumento da capacidade de resposta e o aumento das probabilidades de sucesso”.

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Tenente Coronel Machado

Esta visão de Lúcio Campos é partilhada também pelos responsáveis distritais da GNR. Em conversa com o Portal Bombeiros.pt, o Tenente Coronel Machado, responsável do Comando Territorial em Viseu, afirmou que “dado o número de incêndios que ocorrem no distrito durante o ano, os agentes de protecção civil devem fazer este tipo de acções de forma a coordenarem alguns aspectos que serão importantes em situações reais”.

Também contactado pelo Portal Bombeiros.pt, o Comandante do Regimento de Infantaria 14, Coronel Francisco Rijo, referiu que existe uma total e adequada colaboração com a protecção civil, ao nível do Plano Lira para os incêndios e com o Plano Aluvião para as cheias e outras problemáticas que envolvam as chuvas, ao nível de meios do regimento que comanda ou da necessidade de reforço destes meios com outros pelotões deslocados de outras áreas do país.

Sobre este relacionamento quase perfeito entre forças, João Almeida, secretário de estado da Protecção Civil, revela “satisfação por verificar que o relacionamento entre todos os agentes é muito positiva e por verificar que a colaboração entre entre entidades e a sua articulação no terreno é quase perfeita”. Este comentário do secretário de Estado da Protecção Civil faz parte de uma entrevista mais alargada que será apresentada em próximos artigos. Assim como as palavras de outros intervenientes neste simulacro.

Estiveram ainda presentes neste simulacro, entre outros, o Presidente da ANPC, Major General Grave Pereira, o Presidente da Liga de Bombeiros Portugueses, Jaime Marta Soares, o Comandante Operacional Nacional (CONAC), José Manuel Moura, e o Comandante de Agrupamento Distrital (CADIS) Centro Norte, António Ribeiro.

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Sobre quem enviou a noticia

Daniel Rocha

Daniel Rocha

Nasceu na Guarda, mas foi em Famalicão da Serra que cresceu e conheceu o mundo dos bombeiros integrando o corpo activo. É Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Portugueses, e possui um Curso de Especialização em Ensino de Português como Língua Estrangeira e Língua Segunda (PLELS), ambos na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC). Para além da vida de professor, dedica-se a muitas outras actividades, entre as quais o teatro e a escrita, tendo publicado com alguma regularidade desde 2011. A sua ligação e gosto pelo mundo da imprensa levaram-no a ser colaborador da Rádio Altitude (Guarda) e do jornal Notícias de Gouveia (Gouveia).