Seis incêndios continuam a mobilizar mais de dois mil bombeiros

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Os incêndios não dão tréguas aos mais de dois mil bombeiros que estão a combater as chamas nos distritos de Castelo Branco, Portalegre, Coimbra e Viseu.

A Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) adiantou esta quinta-feira que se espera um dia “muito trabalhoso” no combate aos incêndios. Um meio aéreo de Marrocos vai juntar-se aos quatro Canadair espanhóis que estão a ser utilizados. Há ainda estradas cortadas nos concelhos da Sertã, Nisa e Gavião.

O fogo de Mação, que começou no domingo, no concelho da Sertã, é o que mobiliza mais meios, com cerca de mil operacionais no terreno.

Mais de 50 concelhos, de dez distritos do país, estão esta quinta-feira em risco máximo de incêndio. No combate aos seis incêndios ativos em Portugal estão um total de 2.094 operacionais e 659 meios terrestres.

A ANPC espera um dia “muito trabalhoso” no combate aos fogos em Portugal, que esta quinta-feira contará com mais um meio aéreo de Marrocos e que vai juntar-se aos quatro Canadair espanhóis que estão a ser utilizados.

 

“Neste momento há seis incêndios ativos que nos causam preocupação no sentido de serem aqueles mais importantes e onde temos uma maior concentração de meios. Eu destacaria o grande incêndio da Sertã, que teve início no domingo, que tem vindo a afetar não só a zona da Sertã mas também toda a zona de Proença-a-Nova e Mação. Isto é um único incêndio e que se mantém ativo. Temos os dois incêndios do distrito de Portalegre, designadamente Gavião e Nisa. O incêndio de Mangualde, o incêndio de Coimbra Penacova e ainda um segundo incêndio em Nisa que é o de Albarrol”, informou aos jornalistas Patrícia Gaspar, adjunta do comando nacional da ANPC.

A ANPC está, neste momento, a definir os pontos mais importantes e as prioridades para onde irão ser acionados os meios aéreos.

De acordo com a responsável da ANPC, a ligeira descida da temperatura prevista para esta quinta-feira não terá impacto na evolução da situação operacional no terreno.

“O dia de hoje será provavelmente um dia de muito trabalho. Continuamos a ter condições meteorológicas muito desfavoráveis para aquilo que são as progressões destes incêndios. Portanto, teremos que manter durante todo o dia o dispositivo atento, sobretudo, vigilante nas ocorrências que já estão dominadas”, explicou Patrícia Gaspar, sublinhando que a maior preocupação das autoridades é sempre o período da tarde, com maio calor, por causa das reativações.

“É o período em que as temperaturas começam a subir mais e quando o vento se faz sentir com maior intensidade. Portanto, termos que manter todo o dispositivo no terreno. Antevejo um dia igualmente muito trabalhoso, sendo certo que estamos a fazer de tudo para tentar de alguma forma inverter esta tendência e o rumo da propagação destes incêndios florestais”.

 

Há também a registar até 37 feridos ligeiros, entre civis e operacionais. “De todos os incêndios que temos em curso registamos, neste momento, 37 feridos leves e 41 pessoas que foram assistidas. Estamos a falar de casos, sobretudo, de intoxicações e de algumas situações de cansaço devido ao extremo calor que se fez sentir”.

O fogo de Mação é o que mobiliza mais meios, com cerca de mil operacionais no terreno. A vila de Mação chegou mesmo a estar cercada pelas chamas. Apesar da melhoria da situação, a autarquia avisa que eventuais reacendimentos e a ação do vento podem ainda colocar aldeias em risco.

 

 

Há ainda um fogo florestal em Proença-a-Nova e dois no concelho de Nisa, onde a autarquia decretou o estado de emergência municipal.

Em Nisa, a Estrada Nacional 18 está cortada. Na Sertã, a estrada municipal entre Vale do Gru e Casas da Riberia e a Estrada Nacional 359 em São João das Matas. Já na região do Gavião são diversas as estradas municipais interditas ao trânsito, que vão sendo atualizadas na página da internet da ANPC.

Em Nisa, meia centena de idosos já regressou a casa, em Amieira do Tejo.

 

 

Em Penacova, no distrito de Coimbra, mais de 500 bombeiros combatem um outro grande incêndio. No distrito de Viseu, em Mangualde, mais de 130 operacionais lutam contra as chamas.

Quanto às sucessivas críticas feitas à proteção civil, nos últimos dias, nomeadamente, de que não tem havido falta de estratégia, a responsável da ANPC diz que são “inevitáveis”, sublinhando que sempre foi assim e provavelmente irá continuar a ser.

E concluiu: “Temos total confiança naquilo que é o dispositivo que está no terreno, que tem sido inexcedível. Temos todos que continuar a fazer o nosso trabalho o melhor que podemos e sabemos. Neste momento é o momento do combate. É isso que importa. É essa a nossa prioridade”.

 

RTP




Sobre quem enviou a noticia

Ana Romaneiro

Ana Romaneiro

Nasceu em Évora onde cresceu e estudou. Desde muito cedo que partilha o gosto pela informática, que, a levou a tirar um curso profissional técnico de Gestão de Sistemas Informáticos, profissão que exerce na atualidade. A sua ligação aos bombeiros surge aos 13 anos ao entrar na fanfarra dos Bombeiros de Évora, onde permaneceu até 2013. Na atualidade integra a corporação os Bombeiros de Reguengos de Monsaraz, no posto de bombeira de 2º.