Sapadores Florestais anunciam Greve Nacional para os dias 22 e 23 de Julho

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(Imagem Ilustrativa)

Sindicato Nacional da Proteção Civil (SNPC) organiza a maior ação de luta e protesto em Portugal em nome das reivindicações dos Sapadores Florestais e promete um grito de revolta de mais de dois mil operacionais que lutam há 22 anos pela valorização e o reconhecimento da sua profissão.

Cansados de promessas e de falta de comprometimento por parte das entidades públicas e privadas na constituição de uma carreira digna e respeitável, os Sapadores Florestais de Portugal vão dar um “grito de revolta” e estar em greve nacional nos dias 22 e 23 de julho.

Esta ação, anunciada pelo SNPC, vai decorrer numa das fases críticas de combate a incêndios e demonstra bem a revolta que existe entre estes operacionais.

Alexandre Carvalho, representante do SNPC, refere mesmo na sua página do Facebook que “Para todos aqueles que nos queriam abafados, que tentaram de tudo para nos silenciar, eis a resposta. 22 anos de puro abandono da luta pela concretização das aspirações profissionais de homens e mulheres é muito tempo, num setor que vive preso às amarras do passado, humilhado por práticas laborais do século passado, desacreditado por politicas ultrapassadas no tempo. Não somos carne para canhão, somos homens e mulheres que merecem ter as mesmas condições laborais que outras forças em Portugal. Vamos para a rua mostrar a Portugal que o País precisa dos Sapadores Florestais e os Sapadores Florestais precisam que Portugal lhes reconheça a sua profissão! Não pedimos nada que não seja nosso por direitos!”

 

Leia o Comunicado:

A maior ação de luta e protesto alguma vez realizada em torno das reivindicações dos Sapadores Florestais em Portugal, culmina num grito de revolta de mais de dois mil operacionais que há 22 anos, luta pela valorização e o reconhecimento da sua profissão. São os Sapadores Florestais os únicos operacionais do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais – DECIR, que atuam durante todo o ano na floresta, contribuindo para que haja uma eficaz gestão de combustíveis para a prevenção de incêndios rurais conforme estipulado no Sistema de Defesa da Floresta Contra Incêndios e por sua vez no verão em ações de vigilância e primeira intervenção, apoio ao combate, ações de rescaldo, consolidação e vigilância pós-incêndio, para além do apoio que prestam à proteção civil municipal e nacional.
Com o salário mais baixo da Proteção Civil, auferindo o ordenado mínimo, sem uma carreira e estatuto profissional, que regulamente a sua profissão ou que lhes seja atribuído um simples subsídio de risco, inerente aos riscos que correm todos os dias em trabalhos executados em taludes ou encostas de serras, linhas de água, com uma máquina às costas que pesa 15 kg, sujeitos a todos os perigos naturais e mecânicos associados ao uso de máquinas motomanuais.
Pedimos apenas Respeito e Justiça a quem tudo faz na floresta e nada tem, existe um sentimento de revolta face a outras forças, como o caso da Força de Sapadores Bombeiros Florestais do ICNF, com as mesmas funções, mas com um salário tabelado nos 900€. Uma discriminação para mais de dois mil operacionais, não chega o investimento em maquinaria pesada quando os Sapadores Florestais continuam sem a regulamentação da sua profissão e um aumento justo do seu salário face ao trabalho que executam. Por outro lado, precisamos de garantir mais fiscalização por parte da ACT – Autoridade para as Condições do Trabalho, e da IGF – Inspeção Geral de Finanças, para que se acabe com a precariedade que existe neste setor, sucessivamente alvo de ataques laborais por parte de entidades patronais detentoras de Sapadores Florestais, que violam e abusam dos direitos dos seus trabalhadores privando-os de receber o seu salário, de ter os seus descontos para a segurança social regularizados, de terem a atualização do salario mínimo acional, serem pagos pela prestação do trabalho suplementar, utilizam banco de horas ilegais em organismos públicos como em algumas Comunidades Intermunicipais que mancham a credibilidade de vários municípios que apoiam esta prática selvagem. Bem como todo o assédio moral e intimidação que ainda existe num país que deveria primar pelas práticas democráticas e pelo respeito pelos trabalhadores.

O que pedimos é apenas nosso por direito:
• Pela defesa da negociação, do diálogo, e da resolução das reivindicações apresentadas ao Ministério do Ambiente e Ação Climática;
• Por uma Carreira e o Estatuto Profissional que dignifique o trabalho e os trabalhadores;
• Por aumentos Salariais dignos e justos;
• Pela inclusão do Suplemento de Penosidade e Insalubridade para todos;
• Por mais fiscalização da ACT – Autoridade para as Condições do Trabalho, e da IGF – Inspeção Geral de Finanças;
• Por mais formação profissional;
• Por Equipamentos de Proteção Individual;
• Pela Reforma do Programa de Sapador Florestal;
• Pela uniformização dos seguros de acidente de trabalho com os do setor público;
• Por Respeito e Valorização do trabalhado de Sapador Florestal.

No dia 22 de julho haverá uma concentração em Lisboa, junto ao Ministério do Ambiente, onde nos foi prometido a 6 de outubro de 2020, pelo Secretário de Estado da Conservação da Natureza das Florestas e Ordenamento do Território Eng.º João Catarino, que no decorrer deste ano se iria concretizar a Carreira e o Estatuto Profissional, até hoje nada aconteceu. Com o maior pacote financeiro para a floresta aprovado no Conselho de Ministros, não será certamente por falta de dinheiro que condicionará a profissionalização dos Sapadores Florestais, dotando-os de Carreira e Estatuto Profissional, com um aumento salarial justo face ao trabalho realizado, com atribuição do subsídio de risco e com a classificação de profissão de desgaste rápido. Dinheiro não é problema, o problema são as velhas políticas que favorecem quem tudo tem em prejuízo de quem nada tem.

About author

Daniel Rocha

Nasceu na Guarda. Para além da vida de professor, dedica-se a muitas outras actividades. A sua ligação e gosto pelo mundo da imprensa levaram-no a ser colaborador da Rádio Altitude (Guarda) e do jornal Notícias de Gouveia (Gouveia).