Remoinho de fogo voltou a matar no Caramulo

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Imagem: Sandra Ferreira/JN

Bombeira de 21 anos foi a quinta vítima mortal do mês, a terceira na mesma zona vIncêndio causou mais sete feridos, dois em estado grave.

Uma mudança repentina de vento empurrou as chamas para cima dos bombeiros e originou, quinta-feira, mais uma tragédia no Caramulo. Uma jovem de 21 anos morreu e sete operacionais ficaram feridos. Este verão, morreram já cinco bombeiros no combate aos incêndios.

Foi uma quinta-feira negra desde as primeiras horas da madrugada. A tragédia aconteceu, desta vez, a meio da manhã. Cátia Pereira, uma bombeira de 21 anos dos voluntários de Carregal do Sal, morreu e tornou-se na quinta vítima mortal em combate a incêndios, este mês. A terceira no Caramulo. Além desta, mais sete elementos ficaram feridos, dois em estado grave. Uma viatura da corporação ardeu. A nível nacional, foi o pior dia do ano, com mais quatro bombeiros feridos em Foz Côa e um em Valença (ver página 6), no dia em que se bateu o recorde de ocorrências com 413 ignições.

No Caramulo, tudo aconteceu quando bombeiros, acompanhados por uma equipa dos Grupo de Intervenção de Proteção e Socorro (GIPS) de Santa Comba Dão e de elementos dos Sapadores Florestais de Campo de Besteiros foram apanhados pelo fogo quando tentavam travar um novo foco de incêndio, a uns três quilómetros do local onde ocorreu o acidente na semana passada que tirou a vida a dois bombeiros da zona de Cascais.

O terreno era acidentado, o vento mudou repentinamente de direção, fez uma espécie de remoinho e abateu-se uma nuvem de fumo. Alguns do elementos ainda tentaram fugir, mas nem todos conseguiram escapar. Cátia Dias morreu no local. Outros dois elementos da mesma corporação sofreram “queimaduras graves em mais de 60% do corpo”, explicou ao JN Lúcio Campos, comandante do Centro Distrital de Operações de Viseu. Estes feridos foram transportados de helicóptero do INEM para hospital da Prelada, no Porto, e outro para Lisboa. Outros dois membros da corporação sofreram ferimentos sem gravidade. Três elementos dos GIPS também não escaparam.

Militares em lágrimas

Os momentos vividos junto ao acidente foram de um autêntico corrupio de ambulâncias, carros com elementos dos GIPS que, a toda a velocidade, tentavam retirar os feridos.

Junto à berma da estrada um bombeiro chorava de forma compulsiva. Minutos depois era retirado o primeiro queimado que entrou pelo próprio pé na ambulância.

À medida que as vítimas iam chegando, os bombeiros e a GNR não continham as lágrimas. Uns pelos momentos de pânico que viveram, outros pelo que testemunharam durante o salvamento.

A madrugada já tinha sido “difícil devido ao vento forte que se estendeu com muita violência “, explicou António Ribeiro, comandante do Agrupamento Distrital do Centro e Norte. Várias pequenas aldeias foram evacuadas e uma ardeu em Bezerreira, no concelho de Oliveira de Frades.

Ontem, ao final da noite, uma outra casa esteve ameaçada pelas chamas na vila do Caramulo.

FONTE: JN

 

 

 




Sobre quem enviou a noticia

Sérgio Cipriano

Sérgio Cipriano

Natural de Gouveia e licenciado em Comunicação Multimédia pelo Instituto Politécnico da Guarda. Ingressou nos bombeiros com apenas 13 anos de idade e hoje ocupa o cargo de sub-chefe. É um dos fundadores da Associação Amigos BombeirosDistritoGuarda.com e diretor de informação do portal www.bombeiros.pt, orgão reconhecido pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social.