Reforço das equipas e estado do tempo explicam menor número de incêndios

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incendiosO comandante nacional de operações da Autoridade Nacional de Protecção Civil explica o que está na origem dos resultados deste ano, os melhores da última década.

A fase Charlie de combate aos incêndios florestais chegou ao fim com resultados que fazem de 2014 um dos melhores anos das últimas três décadas.

Em entrevista à Renascença, o comandante nacional de operações da Autoridade Nacional de Protecção Civil, José Manuel Moura, faz um balanço positivo deste período.

Registaram-se melhorias na segurança dos bombeiros, mas também na dimensão da área ardida, que não chegou aos 20 mil hectares, e no número de incêndios, ligeiramente acima dos sete mil.

Os resultados explicam-se por uma conjugação de factores positivos, mas, sobretudo, pelo facto de o Verão não ter sido particularmente quente nem seco.

O comandante José Manuel Moura destaca o esforço do sistema de combate, admitindo, também, que “a meteorologia teve um papel determinante” para estes bons resultados.

A uma Primavera muito chuvosa, seguiram-se três meses de Verão pouco quentes – Agosto nunca chegou a atingir 40 graus -, mais chuvosos do que é costume e sempre com elevada humidade relativa do ar.

Face ao ano passado, o número de incêndios caiu para menos de metade e a área ardida foi quase sete vezes menor, com menos 120 mil hectares destruídos.

Os números são de tal forma reduzidos que é preciso recuar 25 anos para encontrar tão poucos incêndios registados. Nos últimos 35 anos, só em 2007 houve menos área ardida.

José Manuel Moura atribui este facto a “acções de correcção e medidas de acção para cada constrangimento, mas também acções de sensibilização e prevenção depois do ano trágico de 2013”.

O dispositivo de combate foi também reforçado este ano e teve mais margem de manobra para trabalhar: porque foram raros os dias em que houve 100 ou mais incêndios, a primeira intervenção em cada um foi mais rápida e mais musculada.

A menor pressão a que o dispositivo foi sujeito resultou ainda em apenas 200 reacendimentos – contra os mais de dois mil do ano passado e a uma das melhores notícias da época: o facto de apenas um bombeiro ter ficado gravemente ferido, quadro cenário bem diferente do registado em 2013, com oito vítimas mortais.

Apesar dos bons resultados, o comandante nacional de operações da Autoridade Nacional de Protecção Civil deixa um alerta: o problema dos incêndios florestais em Portugal não está resolvido. “Continuamos a ter alguns ‘barris de pólvora’ identificados”, diz, sublinhando que esta realidade exige a atenção das autoridades para prevenir novas ocorrências.

Durante a fase “Charlie”, que começou a 1 de Julho, estiveram mobilizados 9.697 operacionais, 2.027 veículos e 49 meios aéreos, além dos 237 postos de vigia da responsabilidade da GNR, segundo o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais (DECIF).

Fonte: RR

 




Sobre quem enviou a noticia

Mónica Costa

Mónica Costa

É natural de Tabuaço, licenciada em Comunicação e Relações Económicas e Mestre em Marketing e Comunicação. Foi jornalista na Rádio F até 2013 e apesar de nunca ter estado diretamente ligada ao mundo dos bombeiros, acompanhou sempre com um enorme respeito e admiração o seu trabalho. Na atualidade integra a equipa da Direção informativa do portal bombeiros.pt.