Presidente da Liga responsabiliza ANPC pela falta de coordenação que houve no terreno

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Termina hoje a fase Charlie e o Presidente da Liga dos Bombeiros  aproveitou a ocasião para pedir ao poder político para “tirar ilações” sobre quem falhou.

Num Verão que é reconhecido como “atípico” por todos, o presidente da Liga dos Bombeiros, Jaime Marta Soares, fez uma análise pessoal daquilo que aconteceu e não descura a necessidade de serem responsabilizados todos aqueles que originaram as eventuais falhas de descoordenação que houve no terreno.

“Os bombeiros fizeram o que podiam mas não são eles que comandam, eles obedecem a ordens, são os soldados de um grande exército. Cumpriram a sua missão. Quem comanda é a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) e o poder político tem de tirar daí as suas ilações e agir de acordo com as exigências de salvaguarda de vidas”.

Recusa-se, no entanto, a exigir a demissão do presidente da ANPC, Joaquim Leitão. “Só em Portugal é que a Proteção Civil tem funções de comando, noutros países europeus tem apenas funções de coordenação. Comanda os corpos de bombeiros mas estes têm todos um comando autónomo”, sublinha. Há muito que, adiantou ele, os bombeiros manifestam nos congressos da Liga a vontade em ter “uma Direção Nacional de Bombeiros autónoma e uma ANPC que faça só coordenação”.

Questões políticas à parte, Jaime Soares considera que “o Verão foi atípico porque teve uma influência grande das condições atmosféricas para as quais temos de estar mais preparados. Tivemos temperaturas, altas, taxas de humidade baixas e ventos atípicos desastrosos”.

O país enfrentou o choque do incêndio de Pedrógão Grande, de onde resultaram 64 mortos e 200 feridos, e que veio pôr a nu as falhas do sistema de comunicações SIRESP. Sobre a origem deste incêndio, afirma Marta Soares que “Eu não fiquei convencido da causa natural – um raio – apontada pela Polícia Judiciária para o incêndio”.

Sobre o papel do Estado nesta tragédia e nos outros grandes incêndios que se seguiram, Jaime Marta Soares tem uma certeza: “O Estado – e isto é transversal a todos os governos – sempre se descartou da sua responsabilidade. É responsável pelo que acontece na floresta portuguesa. Mas desresponsabilizou-se até aos dias de hoje”.

Considera também urgente “ter uma cobertura total do país em equipas especiais de primeira intervenção. Estamos apenas a 50%”.

(Fonte: DN com Bombeiros.pt)




Sobre quem enviou a noticia

Daniel Rocha

Daniel Rocha

Nasceu na Guarda, mas foi em Famalicão da Serra que cresceu e conheceu o mundo dos bombeiros integrando o corpo activo. É Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Portugueses, e possui um Curso de Especialização em Ensino de Português como Língua Estrangeira e Língua Segunda (PLELS), ambos na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC). Para além da vida de professor, dedica-se a muitas outras actividades, entre as quais o teatro e a escrita, tendo publicado com alguma regularidade desde 2011. A sua ligação e gosto pelo mundo da imprensa levaram-no a ser colaborador da Rádio Altitude (Guarda) e do jornal Notícias de Gouveia (Gouveia).