O fogo que marcou o Dia Internacional da Mulher

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ac38A 25 de março de 1911 deflagrou um incêndio nos últimos andares do Edifício Asch, onde se encontrava instalada a fábrica de vestuário Triangle Waist Company, em Nova Iorque. O que se seguiu foi uma das maiores tragédias do início da revolução industrial, e que viria a marcar para sempre o Dia Internacional da Mulher.

Os bombeiros chegaram pouco depois de soar o alarme e, apesar das dificuldades, conseguiram controlar o incêndio em pouco mais de meia hora. Nesses breves minutos 146 dos 500 trabalhadores tinham perdido a vida, na sua grande maioria jovens mulheres imigrantes, algumas com apenas 14 anos de idade.

Image_of_Triangle_Shirtwaist_Factory_fire_on_March_25_-_1911Os dias que se seguiram permitiram compreender melhor como teria sido possível tal tragédia: havia apenas uma escada de incêndio, que para além de estreita era frágil e acabava vários metros acima do chão, e acabou por desabar com o peso das trabalhadoras que por ela tentavam fugir. Havia duas saídas nos pisos onde se encontrava a fábrica, uma delas foi rapidamente engolida pelo fogo, a outra estava trancada, segundo relatos dos sobreviventes, que garantiram que as portas eram trancadas durante o horário de expediente, para evitar pausas e porque os donos da fábrica temiam que os empregados roubassem materiais. Na altura existiam já sistemas de alarme de incêndio com aspersores, mas os donos da fábrica tinham recusado a sua instalação, por considerarem o custo elevado. Os bombeiros também encontraram dificuldades, as suas escadas só chegavam ao 6º piso, e as bocas-de-incêndio da altura não tinham pressão para a água chegar aos últimos andares do prédio.

his_photo_02Algumas das trabalhadoras faziam parte do sindicato feminino “International Ladies’ Garment Workers“, que exigia há alguns anos melhores condições de trabalho. A tragédia veio a dar-lhes razão, ao mostrar como as precauções com a segurança no trabalho eram inadequadas na altura.

A cidade horrorizou-se com a tragédia e com a facilidade com que a mesma poderia ter sido evitada, as vozes de protesto elevaram-se, unindo conservadores e progressistas, e foi exigida nova legislação, que protegesse os direitos dos trabalhadores.

Os donos da fábrica foram inicialmente condenados, mas mais tarde absolvidos, por não se conseguir provar se teriam conhecimento do facto de uma das saídas estar trancada. Acabaram por pagar 75 dólares por cada vida perdida.

A data acabou por ficar associada ao Dia Internacional da Mulher, celebrado a 8 de março, por ter trazido de forma tão dramática a discussão sobre os direitos das mulheres trabalhadoras para a esfera pública.

Fonte: tsf.pt

Sobre o autor

Pedro Fonseca

Pedro Fonseca

É natural e residente em Gouveia, a sua vida profissional está ligada nestes últimos 17 anos à área de consultadoria em seguros. Em 2013 foi fundador da empresa LICATEL - Soluções em Telecomunicações onde é sócio/gerente. Desde tenra idade ingressou nas camadas jovens dos Bombeiros de Gouveia tendo permanecido alguns anos nos quadros, ultimamente passou pela Direcção da referida Instituição dinamizando a área de comunicação e imagem. Frequentou a licenciatura em Gestão de Marketing no IPAM de Aveiro. Passou por diversas Associações de Gouveia dando o seu contributo.