Notícia Bombeiros.pt: direito de resposta de Xavier Viegas a Rebelo Marinho

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IMG_5940Rebelo Marinho, presidente da Federação de Bombeiros de Viseu e antigo director da Escola Nacional de Bombeiros (ENB), veio, no dia 24 de Janeiro (em artigo de opinião), lançar algumas dúvidas sobre a idoneidade e os “interesses” que possam existir na equipa que investigou os incêndios florestais  e nas conclusões que apontou. Fala, claramente, da equipa de investigadores do Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais (CEIF) e, principalmente, do seu coordenador – o professor Domingos Xavier Viegas.

Xavier Viegas já rebateu estas críticas na entrevista publicada pelo Portal Bombeiros.pt (ver aqui) e vem agora em comunicado fazer uma nota às declarações de Rebelo Marinho, onde salienta que o “acordo entre a Escola Nacional de Bombeiros (ENB) e a minha instituição, – e não comigo pessoalmente – para dar formação aos Bombeiros e a outros agentes de Proteção Civil, vem de 2004” e que “Por obrigações com o Governo, que nos solicitou o Relatório, não estamos em condições para discutir em detalhe os casos estudados, para justificar melhor a nossa recomendação, mas esperamos fazê-lo em breve.”

O comunicado encerra com palavras direccionadas a Rebelo Marinho e a todos os Bombeiros Portugueses: “O Dr. Joaquim Marinho parece entender que pode prescindir da nossa colaboração e participação no processo de melhoria do sistema, como fez, ostensivamente, enquanto ocupou aqueles cargos dirigentes. Felizmente para Portugal muitas pessoas não pensam como ele e o respeito que temos por elas e pelo País, leva-nos a manter a nossa determinação, que cremos ser do interesse dos Bombeiros também.”

 

Leia o comunicado na íntegra:

Tendo tomado conhecimento das declarações feitas pelo Dr. Joaquim Marinho, a propósito de uma notícia publicada recentemente no JN acerca do Relatório que foi elaborado pela minha equipa, sobre os dois maiores incêndios florestais e os acidentes mortais que ocorreram em 2013, e sobre a intervenção da equipa da Associação para o Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial (ADAI) que lidero, na formação dos Bombeiros, fazendo uso do meu direito de resposta, publico o seguinte esclarecimento.

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Começo por informar que o acordo entre a Escola Nacional de Bombeiros (ENB) e a minha instituição, – e não comigo pessoalmente – para dar formação aos Bombeiros e a outros agentes de Proteção Civil, vem de 2004 e tem estado em vigor desde então. A participação da nossa equipa nas ações de formação, que suscitaram o comentário do Dr. Joaquim Marinho, foram solicitadas várias semanas antes de termos tido o encargo do Governo para elaborar o estudo e portanto muito antes de as suas conclusões terem sido elaboradas e publicadas. Com a frontalidade que nos carateriza, não deixaríamos de fazer a mesma recomendação, – de que é necessário melhorar a formação dos Bombeiros – mesmo se assim não fosse, por receio de vir a ouvir este tipo de suspeitas e especulações, que qualificam bem quem as faz.
Por obrigações com o Governo, que nos solicitou o Relatório, não estamos em condições para discutir em detalhe os casos estudados, para justificar melhor a nossa recomendação, mas esperamos fazê-lo em breve. Entretanto podemos dizer que quem conheça minimamente o mundo dos incêndios florestais e tenha analisado, mesmo que superficialmente, os acidentes do passado, e esteja neste campo com boa-fé, facilmente chegaria a essa conclusão. Temos conhecimento de que existem outros relatórios de análise dos casos ocorridos em 2013, nomeadamente dos acidentes, e tanto quanto sabemos todos são unânimes no sentido de que é preciso melhorar a formação dos Bombeiros nestas matérias. Espero que, quando estes relatórios forem divulgados o Dr. Joaquim Marinho não deixe de escalpelizar os interesses de cada um dos seus autores nos temas em que se pronunciam.
Note-se que a necessidade de melhorar a formação é apenas uma das onze principais recomendações que apresentámos no nosso Relatório. É por isso estranho que o Dr. Joaquim Marinho se surpreenda com a proposta de se dar mais formação aos Bombeiros Portugueses, em matéria de segurança na frente de fogo, e que se insurja com o facto de a ADAI participar nessa formação, como se tivéssemos o exclusivo nessa matéria, ou se fôssemos ganhar muito dinheiro com isso.
A ADAI tem conhecimentos para dar formação, mas não tem o exclusivo dela. Aliás a entidade que tem essa prerrogativa em Portugal é a Escola Nacional de Bombeiros, que pode, com todo o direito solicitar a colaboração a quem considerar ser idóneo para tal. A ADAI tem autoridade para recomendar que seja dada mais formação, porque ao longo de vários anos temos feito investigação e transmitido os conhecimentos adquiridos às entidades operacionais, incluindo os Bombeiros. Felizmente encontrámos na liderança das instituições algumas pessoas com visão e idoneidade suficientes para reconhecerem o nosso mérito e não verem no nosso trabalho qualquer ameaça para os seus protegidos.
Por muita formação que os Bombeiros Portugueses tenham, ficou manifesto com os acidentes do ano passado, que há melhorias a fazer. O interesse da ADAI e o meu pessoal ao fazer esta recomendação, é o de contribuir para uma melhoria geral do sistema e, em particular para melhorar a segurança dos Bombeiros. A investigação que temos realizado qualifica-nos para o fazer e é por isso natural que as entidades idóneas recorram aos nossos serviços. Nunca obrigámos ninguém a fazê-lo e menos ainda a participar nas ações que promovemos. Apesar disso são já milhares os Bombeiros que têm frequentado os nossos cursos e que nos manifestam a sua satisfação com a formação que damos.
Convém informar os leitores que a formação que nos foi solicitada pela ENB e que é ministrada na sua delegação da Lousã, por sinal dirigida pelo Dr. Tiago Marinho, filho do Dr. Joaquim Marinho, consiste numa sessão prática que é dada no nosso Laboratório de Estudos sobre Incêndios Florestais. Esta sessão consiste na realização de um conjunto de ensaios de comportamento do fogo, que são importantes para os Bombeiros compreenderem melhor o que se pode passar em desfiladeiros e em encostas. Estas situações estão muitas vezes associadas a acidentes, tal como sucedeu em 2013. Tanto quanto sabemos em nenhum outro lugar do País se pode receber ou dar essa formação. Temos a convicção de que esta formação é apreciada pelas Chefias dos Bombeiros, dado o número de solicitações que recebemos, todas as semanas, para nos virem visitar com toda a sua Corporação.
A ADAI é uma instituição de investigação, reconhecida nacional e internacionalmente, que faz da investigação científica, da formação académica avançada e da prestação de serviços as suas principais atividades. Felizmente para nós, o pagamento destas ações de formação constituem uma percentagem muito pequena das nossas receitas e, no caso vertente, mal suportam os encargos que temos com elas, ao passo que há pessoas que fazem dessas atividades o seu modo de vida.
É estranho que as declarações que comento venham duma pessoa que já foi Presidente do Serviço Nacional de Bombeiros (atual Autoridade Nacional de Proteção Civil) e Diretor da Escola Nacional de Bombeiros, quando nessas funções não me lembro que tivesse tomado qualquer medida para informar ou formar os Bombeiros nestas matérias. Ainda há dias tive oportunidade de recordar publicamente a atitude que o Dr. Joaquim Marinho teve em relação a um relatório produzido pela ADAI, sobre um acidente ocorrido em 2000, em Tabuaço, no qual perderam a vida dois Bombeiros. Já nessa altura o Dr. Joaquim Marinho procurou limitar a nossa intervenção neste campo e, tanto quanto sei, nada fez naqueles cargos para divulgar o referido relatório entre os Bombeiros ou para que os seus ensinamentos fossem assimilados na formação da ENB. Tal como então, não nos deixamos intimidar ou limitar por este tipo de palavras ou de atitudes e por isso iremos prosseguir na linha de rumo que temos vindo a trilhar, para o bem dos Bombeiros, que é de facto do nosso interesse.
O Dr. Joaquim Marinho parece entender que pode prescindir da nossa colaboração e participação no processo de melhoria do sistema, como fez, ostensivamente, enquanto ocupou aqueles cargos dirigentes. Felizmente para Portugal muitas pessoas não pensam como ele e o respeito que temos por elas e pelo País, leva-nos a manter a nossa determinação, que cremos ser do interesse dos Bombeiros também.

Coimbra, 24 de Janeiro de 2014

Domingos Xavier Viegas

(actualizada às 13h30)

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Sobre quem enviou a noticia

Daniel Rocha

Daniel Rocha

Nasceu na Guarda, mas foi em Famalicão da Serra que cresceu e conheceu o mundo dos bombeiros integrando o corpo activo. É Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Portugueses, e possui um Curso de Especialização em Ensino de Português como Língua Estrangeira e Língua Segunda (PLELS), ambos na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC). Para além da vida de professor, dedica-se a muitas outras actividades, entre as quais o teatro e a escrita, tendo publicado com alguma regularidade desde 2011. A sua ligação e gosto pelo mundo da imprensa levaram-no a ser colaborador da Rádio Altitude (Guarda) e do jornal Notícias de Gouveia (Gouveia).