“Não podemos sacrificar bombeiros por meia dúzia de pinheiros ou eucaliptos”

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incendioDirigente considera que não há falta de meios, mas sim falta de coordenação que põe em risco a vida dos bombeiros.

A Associação de Bombeiros Profissionais diz que a estratégia de combate aos incêndios está errada. Fernando Curto alega que não há falta de meios no terreno, mas falta de coordenação que põe em risco a vida dos bombeiros.

“Nós não podemos sacrificar bombeiros por meia dúzia de pinheiros ou eucaliptos, que são do Estado ou de privados que não tomam contam deles. Depois pomos os bombeiros a extinguir estes incêndios correndo risco de vida… deixem arder”, disse à Renascença.

“É preciso repensar urgentemente a estratégia de comando. Os incêndios estão a ocorrer, segundo as imagens da televisão, em locais íngremes e de difícil acesso. Como é que um bombeiro pode, num curto espaço de tempo, fugir ou salvaguardar-se se de facto houver mudança de vento ou uma situação anormal de temperatura”, questiona Fernando Curto.

Defende ainda ser necessário “apostar ainda mais numa profissionalização organizada” – na formação do comandante, das chefias e dos próprios bombeiros.

Culpas do Ministério da Agricultura
Já para o presidente da Escola Nacional de Bombeiros a culpa da grande quantidade de fogos que lavram em Portugal é do Ministério da Agricultura.

José Ferreira fala da ausência de uma “política florestal e do abandono da floresta portuguesa”, lembrando que os anos passam e o problema persiste.

Estas acusações surgem um dia depois de uma jovem operacional ter morrido no combate a um incêndio na Serra do Caramulo. É a terceira vítima mortal no último mês. Neste caso, uma mulher que pertencia à corporação de bombeiros de Alcabideche.

Há um quarto internado em estado grave na unidade de queimados Hospital de São João, no Porto, com “prognóstico muito reservado”, disse à Lusa fonte hospitalar.

Só na quinta-feira, a Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) registou 235 incêndios, que foram combatidos por 4.047 operacionais, com o auxílio de 1.085 veículos.

FONTE: RR

 

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Sérgio Cipriano

Sérgio Cipriano

Natural de Gouveia e licenciado em Comunicação Multimédia pelo Instituto Politécnico da Guarda. Ingressou nos bombeiros com apenas 13 anos de idade e hoje ocupa o cargo de sub-chefe. É um dos fundadores da Associação Amigos BombeirosDistritoGuarda.com e diretor de informação do portal www.bombeiros.pt, orgão reconhecido pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social.

  • Carlos Martins

    Sr.Fernando Curto, concordo consigo!
    Os maiores inimigos dos bombeiros são o vento, o cansaço, o rescaldo e a falta de preparação técnica(vê-se muita farda bonita, muita viatura e material mas também muita azelhice oriunda de falta de preparação técnica).
    A morte de bombeiros deve ser analisada com clareza e rigor técnico para não ser ofuscada com aspetos emocionais que ocultem a realidade da problemática(coitadinho do que morreu a salvar a pátria…)
    A morte de um herói merece mais respeito do que o choradinho do costume e a maneira de respeitar é garantir à família que o pão nunca falte…
    Na guerra colonial havia tropa convencional e especial como páras, fuzileiros, comandos, flechas, e GE.(e não ganhamos…).
    Nos bombeiros há FEB,Sapadores Florestais, GIPS, Grupos de avaliação de risco,etc.Estaremos nós, nos incêndios,a fazer uma coisa tipo guerra colonial?
    É que a guerra colonial foi feita com subalternos.Os oficiais superiores não iam para o mato…
    Uma guerra feita com capitães,alferes, furriéis e soldados vai dar para o torto, quando estes se cansarem de estarem a fazer a carreira de outros…(foi por isso que o 25F apareceu).
    E sinto isso quando observo uma certa indisciplina dos bombeiros ao receberem ordens de gente que está desfasada da realidade operacional…
    Precisamos de gente de peso,a comandar as operações, nas florestas, que assuma a responsabilidade quando algo corre mal e que tal como o Zé Bombeiro vá ao mato e lute contra o fogo!
    A floresta está um caos e isso não tem nada a ver com os bombeiros!
    Só se vê mato,pinhal, acácias e eucaliptos que ardem como pólvora…
    Não há população para os rescaldos… as aldeias têm cada vez menos gente!
    Vê-se a extinção ser realizada mais com água e falta a pá, a enxada, o acinho…a moto serra…a máquina de rasto…
    Arde hoje e daqui a oito anos teremos no mesmo local o mesmo ou pior cenário.
    Onde estão as centrais de biomassa para absorverem os resíduos ou madeiras?
    Onde estão as aberturas de aceiros, estradões,etc?
    Só se vê propaganda seja ela de direita ou de esquerda.
    Mesmo agora no verão tanta gente que poderia aliviar os bombeiros e que não é enquadrada pelo sistema…
    Os jovens poderiam fazer rescaldos ou limpezas em períodos de férias(equipas a trabalharem x horas por dia durante uma semana, onde poderiam ser rendidas…
    Tenho seguido as suas preocupações relativamente a tudo o que é siutações de emergência em Portugal e tiro-lhe o chapéu pela luta travada a favor do estuto dos bombeiros.
    Mas por favor force o poder político para que de uma vez por todas seja debatido e tratado o problema dos incêndios florestais acabando com os interesses ou burrices que permitem esta catástrofe.
    Os bombeiros voluntários ficam mal neste retrato porque lhes está a ser exigido mais do que o que podem dar, sob pena de perderem o seu estatuto.
    Um bombeiro voluntário que faça trabalho de profissional numa associação humanitária sem fins lucrativos é como se fosse um jornaleiro a dias…
    As associações de bombeiros voluntários qualquer dia não têm pessoal que chegue para tanta solicitação e ninguém quererá arriscar a vida por meia dúzia de tostões no verão…
    Cada vez mais temos associações de bombeiros voluntários que afinal são assalariados precários (sem estauto de profissional).
    Que mudem o estatuto e criem corpos mistos de bombeiros para não termos mais uma farsa laboral…
    Querem bombeiros bem preparados?
    Dificilmente um voluntário estará disponível para andar sempre em formação e ser operacional.
    Saber custa tempo e dinheiro!É preciso estudar, treinar e prestar provas de que se sabe.Por muito motivado que um voluntário esteja o grau de exigência das sociedades modernas não lhe permitem ter tempo para adquirir conhecimento e maturidade operacional.
    As associações não têm meios para dar formação a todos oseu elementos mesmo que se fale na escola nacional de bombeiros…
    Tal como um catequista, um atleta, um dador de sangue ou um escuteiro, um voluntário tem um estatuto de cidadania que lhe garante não comparecer, desistir ou baldar-se quando assim o entender… Hoje porque está cansado, amanhã porque vai a um casamento, ontem porque foi a casa da família da mulher, ou porque o patrão precisou dele…
    E com isto afirmo que respeito e admiro os que estão com corpo e alma nos corpos de bombeiros voluntários.
    Ora não se exija em demasia a quem não pode dar mais!
    Os corpos de bombeiros voluntários estão a dar mais do que as suas capacidades podem e as consequências já são conhecidas!
    Falemos disto abertamente sem clubites exaltadas.
    Nenhum bombeiro voluntário irá de bom grado para um incêndio dar”vida por vida” se souber que o comandante da proteção civil ganha um ordenadão por mês e está a quilómetros do fogo…
    Aconselho-o a ler o livro sobre a guerra colonial intitulado “Nó Górdio” e notará uma grande analogia com a situação vivida pelos bombeiros.