Lisboa não consegue escoar caudal “tão anormal” de chuva

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Cheias 2008 APresidente da Câmara admite que, “pontualmente, num ou noutro caso,” possa ter havido “falta de limpeza” das sarjetas.

O sistema de escoamento de Lisboa não tem capacidade para fazer escoar um “caudal tão anormal” como aquele que se observou durante a tarde desta segunda-feira, disse o presidente da autarquia, António Costa.

As dezenas de inundações que se registaram esta segunda-feira em Lisboa devem-se a uma situação “muito anómala”, em que “a enorme precipitação” coincidiu com o momento “da maré alta da preia-mar”, entre as 13h00 e as 14h00, não tendo o sistema tido capacidade para escoar o caudal “anormal” que se gerou, afirmou António Costa, à margem de um jantar com militantes e simpatizantes do PS em Coimbra.

O autarca admitiu porém que, “pontualmente, num ou noutro caso,” possa ter havido “falta de limpeza” das sarjetas. Agora, “a situação já está ultrapassada. Já foi possível escoar, assim que a maré começou a baixar”, referiu.

António Costa sublinhou que, durante o dia, esteve em contacto com a Associação dos Comerciantes de Lisboa para “fazer o levantamento dos danos”, tendo também falado “com os presidentes das juntas de freguesia e com o comandante dos Sapadores”.

Apesar da situação “bastante dramática” que se viveu em Lisboa, “a situação está agora sobe controlo” e “ficou tudo desbloqueado”.

Rescaldo de horas de dilúvio em Lisboa
A forte precipitação provocou dezenas de inundações na cidade, principalmente na via pública, obrigando ao corte de várias artérias e ao desvio do trânsito para vias alternativas.

Segundo dados actualizados ao final da tarde de segunda-feira, o Regimento Sapadores dos Bombeiros de Lisboa registou, das 14h00 às 17h00, 180 ocorrências, 157 das quais recebidas entre as 14h00 e as 15h00, período de maior pico de queda de chuva.

A baixa de Lisboa foi das zonas mais afectadas pelo mau tempo com várias ruas a ficarem intransitáveis por causa da elevada acumulação de água, à semelhança do que aconteceu na zona de Benfica e de São Domingos de Benfica.

A chuva obrigou ao desvio do trânsito na Praça dos Restauradores, e a Praça de Espanha ficou transformada num autêntico “lago”, obrigando ao corte da circulação durante a tarde.

A forte precipitação que se abateu sobre a capital provocou ainda condicionamentos na Calçada de Carriche, Sete Rios, Rossio, Largo das Fontainhas, em Alcântara e no Calvário, devido à formação de “lençóis de água”.

No eixo Norte-Sul, houve igualmente dificuldades no trânsito.

Outra das situações mais complicadas ocorreu no Instituto Português de Oncologia, perto da Praça de Espanha, que foi afectado por inundações.

A linha azul do Metropolitano de Lisboa esteve com perturbações na circulação entre as 14h18 e as 15h45, fruto de uma inundação na estação do Jardim Zoológico.

Os valores de precipitação acumulada em Lisboa entre as 13h00 e as 15h00 enquadram-se dentro dos limites de referência para uma situação de aviso amarelo, frisou o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

RR




Sobre quem enviou a noticia

Sérgio Cipriano

Sérgio Cipriano

Natural de Gouveia e licenciado em Comunicação Multimédia pelo Instituto Politécnico da Guarda. Ingressou nos bombeiros com apenas 13 anos de idade e hoje ocupa o cargo de sub-chefe. É um dos fundadores da Associação Amigos BombeirosDistritoGuarda.com e diretor de informação do portal www.bombeiros.pt, orgão reconhecido pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social.