INEM deixou de contar com Kamov

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Com esta nega de regulador da aviação civil, a ANPC e o INEM viram-se na contingência de ficarem sem helicópteros Kamov a operar. A empresa que tem o contrato com o Estado para a manutenção e operação dos aparelhos garante que estarem todos em terra é uma situação momentânea, uma vez que o trabalho de manutenção estará a terminar. “Um deles está pronto e o outro ficará a qualquer momento. Estamos tranquilos”, insiste Ricardo Dias.

Este braço de ferro teve consequências sobretudo para o INEM que deixou de contar com o único Kamov que tinha ao seu serviço, ficando apenas com três helicópteros para o país inteiro e por isso vai ter de adjudicar directamente um para o substituir.

Também a Autoridade Nacional de Protecção Civil enfrentará consequências por não ter ao seu dispor estes aparelhos. Na apresentação do que será o dispositivo de meios aéreos na próxima época de fogos, o ministro da Administração Interna contava com os seis Kamov, apesar de notar que dois estavam inoperacionais e um acidentado. Acontece que dos seis, poderá vir apenas a contar com três. Em relação aos restantes que se encontram parados há mais anos, o Governo promete a sua recuperação mas não lançou o concurso para uma obra que durará cerca de quatro meses.

O PÚBLICO questionou tanto a ANPC como o Ministério da Administração Interna (MAI) sobre este assunto, mas não obteve respostas em tempo útil. O MAI diz aliás que reserva as respostas para a audição que o ministro vai ter esta quarta-feira no Parlamento.

Concorrente duvida da legalidade do que se está a passar

De acordo com informações prestadas ao PÚBLICO por várias fontes do sector, a equipa do helicóptero Kamov de Santa Comba Dão está há mais de uma semana a recusar serviços do INEM, apesar de só ter sido dado oficialmente como inoperacional na quinta-feira, segundo respostas da ANPC ao PÚBLICO.

Primeiro, recusou serviços por causa das condições meteorológicas, depois avariou. A Everjets confirma que na segunda-feira recusou um serviço por causa de uma avaria que foi reparada, situação que nada tem a ver, garante a empresa, com a decisão da ANAC que aconteceu na quinta-feira.

Mas os concorrentes duvidam da legalidade do que está a acontecer, porque enquanto os três helicópteros pesados estão sem voar, não foram substituídos por outras aeronaves semelhantes, como estipulado pelo contrato. Ricardo Dias, presidente da Everjets, confirma que um dos Kamov foi substituído por dois Ecureuil B3 (dois helicópteros ligeiros). O segundo Kamov não foi substituído por nenhuma aeronave “por estar dentro dos tempos de inoperacionalidade” estabelecidos no contrato e o terceiro não foi substituído e a empresa diz que não tem de o fazer.

Esta é uma situação que para o presidente da Heliportugal, Pedro Silveira, que detinha anteriormente os contratos de operação e manutenção dos Kamov, configura um desrespeito pelo contrato. “A Everejts não pode ter oferecido nenhum helicóptero equivalente a Kamov, porque não tem nenhuma aeronave equivalente para oferecer”, assegura.

(Fonte: Público)




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Daniel Rocha

Daniel Rocha

Nasceu na Guarda, mas foi em Famalicão da Serra que cresceu e conheceu o mundo dos bombeiros integrando o corpo activo. É Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Portugueses, e possui um Curso de Especialização em Ensino de Português como Língua Estrangeira e Língua Segunda (PLELS), ambos na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC). Para além da vida de professor, dedica-se a muitas outras actividades, entre as quais o teatro e a escrita, tendo publicado com alguma regularidade desde 2011. A sua ligação e gosto pelo mundo da imprensa levaram-no a ser colaborador da Rádio Altitude (Guarda) e do jornal Notícias de Gouveia (Gouveia).