Helicópteros Kamov do Estado estão todos parados

0

Kamov Ka-32

Último Kamov a voar foi proibido de operar por ordem do regulador, dois estão em manutenção e os restantes três estão à espera de reparação. Empresa que opera estes aparelhos diz estar “tranquila”.

Desde Novembro, que o Estado só pode contar com um helicóptero Kamov, depois de dois dos seis que detém terem ido para manutenção após combaterem nos incêndios. Mas na semana passada este aparelho foi alvo de uma inspecção pela Autoridade Nacional de Aviação Civil (ANAC) e ficou impedido de descolar. Resultado: neste momento, nem a Autoridade Nacional de Protecção Civil nem o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) podem contar com estas aeronaves.

A vida destes seis helicópteros de marca russa, comprados pelo Estado quando António Costa era ministro, tem dado muitas voltas. Primeiro, em 2012, um dos aparelhos sofreu um acidente grave e não é certo que vá ser reparado devido aos elevados custos; depois, mais dois ficaram avariados e estão para reparação; já no final do ano passado, assim que terminou a época especial de combate aos incêndios em Novembro, dois dos três que restavam foram para uma longa manutenção overall (peça a peça) e por fim, na semana passada, o único que ainda estava a voar avariou, o operador arranjou-o, mas não obteve a licença de voo pela ANAC por ter sido “detectada uma não-conformidade”, respondeu o regulador ao PÚBLICO.

“Não tem problema nenhum, está em plenas condições de voo. A ANAC tem uma leitura em relação a um componente e nós somos contra”, responde Ricardo Dias, presidente da Everjets ao PÚBLICO. Em causa está um pedido da empresa para que fosse aceite uma extensão ao limite de vida de uma peça importante por mais um ano. Mas a ANAC não aceita por se tratar de um segundo pedido de extensão (o limite da peça era Janeiro de 2017 e passou para Janeiro de 2018) e por temer pela segurança do aparelho. Segundo fontes do sector, um helicóptero canadiano teve um acidente por causa de uma avaria nesta peça e a ANAC não quer vir a deparar-se com um problema semelhante. Acresce que de acordo com a mesma fonte, a Everjets já tinha sido avisada de que não seriam aceites mais extensões.

A Everjets já contestou, mas o regulador não cede. A ANAC diz agora aguardar a “resolução [do problema] pelo operador”.

(Fonte: Público)




Sobre quem enviou a noticia

Daniel Rocha

Daniel Rocha

Nasceu na Guarda, mas foi em Famalicão da Serra que cresceu e conheceu o mundo dos bombeiros integrando o corpo activo. É Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Portugueses, e possui um Curso de Especialização em Ensino de Português como Língua Estrangeira e Língua Segunda (PLELS), ambos na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC). Para além da vida de professor, dedica-se a muitas outras actividades, entre as quais o teatro e a escrita, tendo publicado com alguma regularidade desde 2011. A sua ligação e gosto pelo mundo da imprensa levaram-no a ser colaborador da Rádio Altitude (Guarda) e do jornal Notícias de Gouveia (Gouveia).