Há mais irregularidades nos bombeiros para além da alimentação

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Em 2018 foram realizadas 57 auditorias financeiras a corpos de bombeiros e em 33% delas (19) foram detectadas irregularidades que levaram a “situações de reposição ou de regularização de verbas transferidas pela ANPC”.

O Ministério da Administração Interna (MAI) detectou várias irregularidades nas facturas apresentadas pelos corpos de bombeiros à Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC), além das reveladas na quinta-feira num relatório de uma investigação realizada pela Inspecção-geral da Administração Interna (IGAI) aos fogos de Mação de Julho de 2017. Esse relatório apontou discrepâncias entre o número de bombeiros no combate aos incêndios e o número de refeições cobradas. As restantes irregularidades agora reveladas nada têm que ver com refeições. O MAI não diz a que facturação indevida se refere, mas conclui-se que foram identificadas eventuais fraudes para além das relacionadas com a alimentação.

Em Agosto de 2017, quando ainda havia muitos incêndios activos em Portugal, vários bombeiros publicaram fotos e vídeos nas redes sociais que mostravam o que diziam ser “refeições inapropriadas”, face ao “desgaste a que os operacionais” estavam “sujeitos neste tipo de missão”. Referiam-se a casos de carcaças sem nada dentro, comida distribuída em sacos destinados a transportar lixo e refeições mal confeccionadas e com mau aspecto.

Esse relatório chegou ao MAI no princípio de Dezembro desse ano, já Eduardo Cabrita era ministro. O ministério nunca o revelou na íntegra, mas fez saber que tinha decidido suspender por 20 dias o pagamento dos reembolsos das despesas com a alimentação dos bombeiros nos incêndios de Agosto. Razão: entre outras situações, foram detectadas discrepâncias entre o que foi reportado pelos bombeiros que estiveram no terreno e os documentos comprovativos, que envolvem 12 associações de bombeiros e 17 incêndios.

Na sequência das irregularidades verificadas pela ANPC no processo de fornecimento de refeições em 2017, o ministro determinou a revisão da directiva financeira de 2018, tornando mais apertada a verificação de facturas, “com regras mais adequadas para a comunicação, acompanhamento e controlo dessas despesas”, disse nesta sexta-feira o MAI, em respostas escritas ao PÚBLICO.

Em 2018 foram realizadas 57 auditorias financeiras a corpos de bombeiros. Em 33% delas (19) foram detectadas irregularidades que levaram a “situações de reposição ou de regularização de verbas transferidas pela ANPC”. Nenhuma das situações diz respeito a refeições e, embora o MAI não tenha revelado a que facturação se refere, deixa claro que as eventuais irregularidades vão muito além das refeições.

(Fonte: Público)




Sobre quem enviou a noticia

Daniel Rocha

Daniel Rocha

Nasceu na Guarda. Para além da vida de professor, dedica-se a muitas outras actividades. A sua ligação e gosto pelo mundo da imprensa levaram-no a ser colaborador da Rádio Altitude (Guarda) e do jornal Notícias de Gouveia (Gouveia).