Governo declara estado de calamidade a norte do Tejo

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(Foto: Marina Ribeiro)

As chamas que lavraram ao longo deste domingo em vários distritos do país provocaram seis mortos e mais de 20 feridos. Desde as 00h00 de domingo foram registados mais de 443 incêndios florestais. A Proteção Civil afirmou que “foi o pior dia do ano” em termos de fogos florestais. Todos os distritos estão em alerta vermelho até às 20h00 desta segunda-feira. O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, já manifestou a sua solidariedade às populações. E já de madrugada o primeiro-ministro disse que o Governo declarou estado de calamidade pública a norte do Tejo e reafirmou a sua confiança na ministra da Administração Pública.

Trinta concelhos de sete distritos em risco ‘máximo’

Trinta concelhos dos distritos de Faro, Portalegre, Santarém, Castelo Branco, Guarda, Coimbra e Bragança, alguns destes fortemente afetados por fogos, estão hoje em risco ‘máximo’ de incêndio, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

De acordo com o Instituto, em risco ‘máximo de incêndio estão os concelhos de Monchique, Silves, Tavira e Alcoutim (Faro), Marvão, Nisa e Gavião (Portalegre), Vila Velha de Ródão, Penamacor e Vila de Rei (Castelo Branco), Mação (Santarém), Miranda do Corvo, Lousã, Penacova e Vila Nova de Poiares (Coimbra).

Em risco ‘máximo’ de incêndio estão também os concelhos de Sabugal, Guarda, Manteigas, Seia, Gouveia, Fornos de Algodres, Celorico da Beira, Trancoso, Pinhel e Figueira de Castelo Rodrigo (Guarda), Torre de Moncorvo, Freixo de Espada à Cinta, Alfândega da Fé, Mogadouro e Vimioso (Bragança).

O IPMA colocou ainda em risco ‘muito elevado’ e ‘elevado’ de incêndio vários concelhos de todos os distritos de Portugal continental, com exceção de Viana do Castelo e Braga.

O risco de incêndio determinado pelo IPMA engloba cinco níveis, que podem variar entre o ‘reduzido’ e o ‘máximo’.

O cálculo é feito com base nos valores observados às 13:00 em cada dia relativamente à temperatura do ar, humidade relativa, velocidade do vento e quantidade de precipitação nas últimas 24 horas.

Às 06:30, a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) dava conta de 68 incêndios em curso, 16 em resolução e 45 em fase de conclusão.
Entre aqueles que a ANPC classifica como “ocorrências importantes”, estavam 26 grandes incêndios ativos nos distritos de Coimbra, Guarda, Castelo Branco, Aveiro, Leiria, Lisboa, Viseu, Vila Real e Santarém.

A esta hora, os incêndios que mais meios mobilizavam era o de Vilarinho e Lousã, no distrito de Coimbra, com 664 operacionais, com o apoio de 192 veículos, seguido do fogo em Pataias e Martingança, no concelho de Alcobaça, distrito de Leiria, com 348 operacionais, com o apoio de 103 veículos.

Na Guarda, o que mais meios mobilizava era o incêndio do Sabugueiro, no concelho de Seia, que estava a ser combatido por 304 operacionais, com o apoio de 92 veículos.

No distrito de Aveiro, a ANPC dá conta do incêndio em Vale de Cambra que está a ser combatido por 286 operacionais, com o apoio de 89 veículos.

Centenas de incêndios deflagraram domingo, já considerado pela Proteção Civil como “o pior dia do ano em matéria de incêndios”, causando pelo menos seis mortes, 25 feridos, povoações evacuadas e casas destruídas.

Durante o dia de domingo foram registados 443 incêndios, sendo que os distritos mais afetados foram Aveiro (com 56 fogos), Braga (com 38), Coimbra (com 25), Porto (com 120 incêndios) e Viseu (com 36).

Os fogos em curso no domingo provocaram pelo menos seis mortos: duas pessoas morreram em Penacova (distrito de Coimbra), uma na Sertã (distrito de Castelo Branco) e duas em Oliveira do Hospital. Uma sexta vítima mortal foi registada em Nelas (Viseu), tratando-se de uma pessoa que estava dada como desaparecida.

Em Nelas, outra pessoa continua desaparecida.

 

Há 25 estradas cortadas devido a incêndios

Vinte e cinco estradas das regiões do Norte e Centro estavam cerca das 07:00 desta segunda-feira cortadas ao trânsito na sequência dos incêndios que estão a afetar aquelas zonas do país

Vinte e cinco estradas das regiões do Norte e Centro estavam cerca das 07:00 desta segunda-feira cortadas ao trânsito na sequência dos incêndios que estão a afetar aquelas zonas do país, segundo a Infraestruturas de Portugal (IP).

De acordo com informação disponível na página da Internet da Infraestruturas de Portugal, às 06:54 estavam cortadas 25 estradas nacionais (EN), municipais (EM), Itinerários Principais (IP)e itinerários complementares (IC).

Na região Centro, estão cortadas a EN 238 devido ao incêndio do Cruz do Fundão até EN350 e entre os quilómetros 40 e 48, na localidade de Maxial, concelho da Sertã, distrito de Castelo Branco.

Segundo a IP, está também cortada a EN17 em ambos os sentidos devido a um incêndio ao quilómetros 81 em Póvoas das Quartas – Lagos da Beira, concelho de Oliveira do Hospital, distrito de Coimbra.

A EN 17 está também cortada devido a incêndio em Folhadosa, concelho de Seia, distrito da Guarda.

Também na região Centro, estão cortadas a EN entre os quilómetros 85 e 100 em Pedrógão Pequeno, concelho da Sertã (Castelo Branco), a EN232 entre Gouveia e Manteigas, na Guarda, a EN 242-2 entre a Marinha Grande e São Pedro do Moel, distrito de Leiria, e a EN 242-1 na Marinha Grande (Leiria).

Na região Centro estão também cortadas devido a incêndios, a ENl 339 no Sabugueiro, concelho de Seia, distrito da Guarda, a EN 231 em Paranhos da Beira, em Seia, Guarda, e a EN 112 ao quilómetro 80 na localidade de Salgueiro do Campo, no distrito de Castelo Branco.

A A13 está cortada na zona de Condeixa, a EN109 na localidade de Carriço, concelho Pombal, a EN8 em Gradil, concelho de Mafra, distrito de Lisboa, e o IC8 na localidade de Carvalhal – Sertã, distrito de Castelo Branco.

Na região Norte, também devido aos incêndios, estão cortadas a EN202 aos quilómetros 03 e 05 na zona de Trovisco-Bela-Barbeita , concelho de Monção, distrito de Viana do Castelo , a N235 em Mamodeiro, distrito de Aveiro, a A32 em Canedo, concelho de Santa Maria da Feira (Aveiro) e a A25 no nó de Reigoso e ao quilómetro 53 (área de serviço de Vouzela).

A A24 está cortada em Vil de Souto, concelho de Viseu, e o IP5 também entre Vil de Souto e Ventosa (Viseu).

Segundo o IP, a A17 está cortada devido a incêndio na Marinha Grande, Leiria, a N233 em Adão, na Guarda, a N333 em Paços Vilharigues – Vouzela, a N16 em Almeidinha, Granja, na Guarda, e a N234 em Moimenta de Maceira Dâo, concelho de Mangualde (Viseu).

A circulação ferroviária na Linha da Beira Alta continuava às 10:00 cortada entre Mortágua e Santa Comba Dão, distrito de Viseu, devido a um incêndio na aquela zona, disse a porta-voz da CP.

Em declarações à agência Lusa, Ana Portela disse que a circulação ferroviária está cortada desde o final da tarde de domingo e “não há previsão para normalização da situação”.

Não é possível fazer o transbordo de passageiros por via terrestre porque há muitas estradas cortadas devido aos incêndios”, disse ainda a porta-voz da CP.

No domingo, a Linha Ferroviária do Norte também esteve cortada entre Aveiro e Oiã (Oliveira do Bairro), mas a circulação foi retomada às 22:00.

 




Sobre quem enviou a noticia

Ana Romaneiro

Ana Romaneiro

Nasceu em Évora onde cresceu e estudou. Desde muito cedo que partilha o gosto pela informática, que, a levou a tirar um curso profissional técnico de Gestão de Sistemas Informáticos, profissão que exerce na atualidade. A sua ligação aos bombeiros surge aos 13 anos ao entrar na fanfarra dos Bombeiros de Évora, onde permaneceu até 2013. Na atualidade integra a corporação os Bombeiros de Reguengos de Monsaraz, no posto de bombeira de 2º.