Governo aponta “mortes zero” como objectivo do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios

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Imagem: RUI FARINHA | NFACTOS

O secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, apontou nesta quarta-feira a inexistência de mortes como o principal objectivo do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais (DECIF) 2017, durante a apresentação do Plano Operacional do Distrito de Leiria.

“A nossa grande preocupação é conseguir o que conseguimos o ano passado: mortes zero. É um dos desígnios. Já morreu gente a mais nos incêndios. Os nossos operacionais têm de chegar todos a casa. É uma vontade do governo, do comando nacional e de todos os autarcas”, reforçou o secretário de Estado.

Jorge Gomes afirmou que este ano vai haver um “DECIF mais aperfeiçoado”, apesar de o ano ter começado “menos bem”, pois já arderam “9.000 hectares”.

“É um ano que está a ser atípico. Mas também o que ardeu já não vai arder. Houve um abuso excessivo das queimadas, do pastorício, uma tentativa de renovação de pasto e descontrolo, porque as pessoas fazem-no à revelia das autoridades, o que pode dar resultados negativos”.

A integração das Forças Armadas no DECIF e dos presidentes de Junta, que receberam formação específica, foram “alterações muito importantes”, segundo o governante, que entende ser um “complemento” ao trabalho dos bombeiros.

“As forças armadas não vão combater os incêndios, mas complementar o trabalho de protecção e rescaldo”, afirmou, salientando que o papel dos presidentes de Junta é “importante junto das populações”, que “melhor conhecem”.

Garantir a autonomia alimentar dos operacionais é outra novidade do DECIF deste ano. Jorge Gomes anunciou que os bombeiros vão para o teatro de operações com uma “ração de combate para 24 horas”.

“Espero que consigamos por todos que este seja um ano com muito sucesso, muito poucos incêndios e que nunca esqueçamos isto: um incêndio só é grande porque não o apagamos quando nasceu. Daí a importância da primeira intervenção. A protecção civil somos todos nós e Portugal sem fogos depende de todos nós”, sublinhou o secretário de Estado.

O comandante distrital de operações de Leiria, Sérgio Gomes, revelou que o plano operacional, na fase mais crítica – de 1 de Julho e 30 de Setembro – vai contar com 82 equipas, num total 501 operacionais e 112 veículos.

“O dispositivo garante em permanência uma resposta operacional e será articulado e adequado em conformidade com o grau de gravidade e a probabilidade dos riscos considerados. Assenta na operação, coordenação e gestão da informação”, informou.

Sérgio Gomes também sublinhou que “a permanente segurança das forças é grande objectivo para concluir o dispositivo com êxito”.

Considerando que o “dispositivo está consolidado e devidamente estabilizado”, o comandante distrital revelou que “não cresceu em quantidade, mas em qualidade”.

“A principal ameaça é pensar que o problema está resolvido e temos de ter em conta as condições meteorológicas extremas, a acumulação de biomassa e o elevado número de ignições que estamos sujeitos todos os anos”, frisou, ao revelar que, desde 1 de Janeiro, o distrito de Leiria já registou 207 ocorrências, com um total de 200 hectares de área ardida. “Só para reflectirem: em 2014 arderam 100 hectares durante todo o ano”.

A estratégia a adoptar assenta na “monitorização permanente, na detecção precoce, pois quanto mais rapidamente for detectada a ocorrência maior será a probabilidade de êxito do combate, e o despacho imediato de meios musculados para o teatro de operações”.

Está previsto ainda o pré-posicionamento de quatro brigadas de combate a incêndio: duas em Leiria, uma em Pombal e outra em Alcobaça. Estão disponíveis oito bombeiros para operações aéreas, seis equipas de reconhecimento e avaliação da situação e sete veículos de comando operações e comunicações.

Estão estacionados nos centros de meios aéreos de Pombal e Figueiró dos Vinhos, um meio aéreo.

Sérgio Gomes alertou que as máquinas de rasto são um “ponto fraco” no dispositivo. “Só o Município de Pombal dispõe desde equipamento, o que é manifestamente insuficiente para as nossas necessidades. Espero que nos próximos anos consigamos essa maquinaria, porque é importante nas ações de combate e de rescaldo”.

Público




Sobre quem enviou a noticia

Ana Romaneiro

Ana Romaneiro

Nasceu em Évora onde cresceu e estudou. Desde muito cedo que partilha o gosto pela informática, que, a levou a tirar um curso profissional técnico de Gestão de Sistemas Informáticos, profissão que exerce na atualidade. A sua ligação aos bombeiros surge aos 13 anos ao entrar na fanfarra dos Bombeiros de Évora, onde permaneceu até 2013. Na atualidade integra a corporação os Bombeiros de Reguengos de Monsaraz, no posto de bombeira de 2º.