Familiares dos jovens levados pelo mar esperam junto à praia durante a noite

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Foto de Miguel Manso

Foto de Miguel Manso

As buscas pelos cinco jovens desaparecidos na praia do Meco, no concelho de Sesimbra, vão continuar durante a noite, com patrulhas que continuarão em terra a percorrer uma zona de costa de cerca de cinco quilómetros, explicou Francisco Luis, vereador da protecção civil da Câmara Municipal de Sesimbra. Próximo do areal, foram criadas condições para que os familiares que queiram continuar à espera no local possam ali ficar durante a noite “com algum conforto”.

Francisco Luís diz que, além da tenda que esteve montada todo o dia para acolher os familiares e os psicólogos que lhes estiveram a dar apoio, foi levada para o local uma segunda tenda, bem como alimentação e material para montar camas improvisadas. “Não podemos obrigar as pessoas a sair daqui”, disse. Ao início da noite, ainda não tinha sido encontrado mais nenhum jovem.

Quem não soubesse o que tinha ocorrido de madrugada naquela praia ficaria surpreendido com o cenário. Um helicóptero da Força Aérea dá voltas no ar, duas lanchas, uma da Polícia Marítima e outra do Instituto de Socorros a Náufragos, e um navio da Marinha desenham linhas paralelas à costa. Há homens fardados, da Polícia Marítima e dos bombeiros, espalhados ao longo do areal, cerca de 50. Próximo dos restaurantes de praia, o INEM instalou uma tenda branca onde foram chegando os familiares dos jovens. Ali esperam, separados por uma tira de plástico para os manter resguardados, que lhes venham trazer notícias dos familiares. Naquele recanto improvisado, alguns choram, abraçam-se, a maioria não tira os olhos do mar.

O único jovem que sobreviveu foi levado para o Hospital Garcia de Orta, em Almada, mas ainda durante a manhã teve alta e foi ele quem deu a maior parte das pistas que conduziram às famílias, explicou o comandante Carlos Manuel Lopes da Costa, capitão do Porto de Setúbal, da Autoridade Marítima Nacional, que está à frente das operações de resgate.

Os jovens, na maioria estudantes da Universidade Lusófona de Lisboa, com idades entre os 21 e 25 anos, estavam alojados numa casa alugada na aldeia de Alfarim, que fica a uns dois quilómetros da praia do Meco. Às 6h, as equipas resgataram o corpo de um outro jovem que pertencia ao grupo. O cadáver estava a 400 metros do local onde os jovens foram apanhados pelas ondas. “A ondulação estava e mantém-se forte na zona de rebentação”, disse o comandante. As ondas tinham esta manhã cerca de quatro metros de altura.

“Temos sempre esperança de encontrar alguém vivo”, disse Carlos Manuel Lopes da Costa. As buscas estão a ser feitas numa área que se estende entre “uma milha a norte do acidente e duas a três milhas a sul”, disse o comandante. Tendo em conta o tempo que já se passou desde o acidente e as correntes marítimas do mar naquela região, o mais provável é que os jovens tenham sido levados para sul.

“Sabemos que o mar na praia do Meco é perigoso, que muitas vezes temos bandeira amarela e bandeira vermelha, mas é a primeira vez que há um acidente deste género”, disse Augusto Pólvora, presidente da Câmara Municipal de Sesimbra, que se deslocou ao local. Os familiares estão a ser acompanhados por três psicólogos do Instituto Nacional de Emergência Médica. Ao início da tarde, apenas a família de um dos jovens não tinha ainda sido encontrada pelas autoridades.

 

(Fonte: Público)

 

 

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Daniel Rocha

Daniel Rocha

Nasceu na Guarda, mas foi em Famalicão da Serra que cresceu e conheceu o mundo dos bombeiros integrando o corpo activo. É Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Portugueses, e possui um Curso de Especialização em Ensino de Português como Língua Estrangeira e Língua Segunda (PLELS), ambos na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC). Para além da vida de professor, dedica-se a muitas outras actividades, entre as quais o teatro e a escrita, tendo publicado com alguma regularidade desde 2011. A sua ligação e gosto pelo mundo da imprensa levaram-no a ser colaborador da Rádio Altitude (Guarda) e do jornal Notícias de Gouveia (Gouveia).