Entrevista a Dillaz: “Que as árvores se levantem, como os vossos queixos.”

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Sem Título-1Dillaz, um já conhecido rapper português nascido na Madorna/Zambujeiro, Lisboa, ilustrou uma música intitulada de «O Homem da Sirene», onde em cerca de 5 minutos retrata a vida dos soldados da paz no combate aos incêndios florestais.

Dillaz concedeu uma entrevista ao portal Bombeiros.pt, onde fala sobre a sua ligação os soldados da paz, a opinião que tem do seu trabalho e das motivações que o levaram à criação desta música. Deixa ainda uma mensagem forte à tutela dos bombeiros Portugueses.

 

Bombeiros.pt – Quem é Dillaz e o que quer transmitir com as suas músicas?

Dillaz
– O Dillaz sou eu, e espero nunca deixar de o ser. Com a minha musica pretendo mostrar o que as pessoas ‘vêm’ no dia a dia, mas que não dão importância. Seja por culpa da rotina, da pressa ou de outras barreiras que não lhes deixam visionar o que está mesmo à frente dos seus olhos.

 

Bombeiros.pt – O que representam para si os soldados da paz?

Dillaz – Primeiro uma profissão que para além de ser de risco, é de estômago. Não é toda a gente que se levanta da cama para ajudar alguém que não faria o mesmo. Representa também a luta contra quem não dá valor à frase ”dar a mão ao próximo”… Porque até quem cria os incêndios nas matas, se tivesse a morrer no meio do fogo, seria ajudado pelos mesmos que os apagam e são contra essa ideologia. Há que dar respeito a todos os soldados, sejam eles quais forem. Aos da paz, o dobro.

 

Bombeiros.pt – Quando era pequeno, também era dos que tinha o sonho de ser bombeiro?

Dillaz – Nunca tive o sonho de ser bombeiro, mas sempre acompanhei a profissão devido ao facto de ter familiares que o são. E ver de um lado a serra a arder, e do outro as minhas tias com as mãos na cabeça à espera que os meus tios voltassem de lá… Nunca foi uma coisa que dissesse desde pequeno, ”quero ser como o meu tio”, sabia bem que aquilo que os meus tios faziam, faziam porque lhes ia na alma. Na minha havia outra chama… E quando não fazes as coisas com alma, estas a desrespeitar quem o faz.
Por isso, nunca o quis ser. Mas sempre o admirei.

 

Bombeiros.pt – Como surgiu a oportunidade de fazer esta música «O homem da Sirene»?

Dillaz – Até nem há grande história… Surgiu quando estava a fumar um cigarro na janela no meu quarto a ouvir uns instrumentais que um amigo meu produziu… E quando ouvi aquele, começou a surgir-me o refrão dos Xutos e Pontapés na cabeça. Mas não queria que fosse igual, nem podia ser igual. E como o Homem do Leme vive na água, só o Homem da Sirene poderia viver no fogo. E pronto, para além de me soar bem, resolvi fazer a homenagem. E assim ficou.

 

Bombeiros.pt – Que mensagem gostaria de deixar à tutela dos bombeiros Portugueses?

Dillaz – Que as árvores se levantem, como os vossos queixos. E que as chamas baixem, como as nossas armas. Para os soldados que vão, sem pensar no desfecho. Desejo toda a força para quando o fogo alarma.

Entrevista conduzida por Sérgio Cipriano

 

 




Sobre quem enviou a noticia

Sérgio Cipriano

Sérgio Cipriano

Natural de Gouveia e licenciado em Comunicação Multimédia pelo Instituto Politécnico da Guarda. Ingressou nos bombeiros com apenas 13 anos de idade e hoje ocupa o cargo de sub-chefe. É um dos fundadores da Associação Amigos BombeirosDistritoGuarda.com e diretor de informação do portal www.bombeiros.pt, orgão reconhecido pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social.