Entrevista ao candidato à Liga dos Bombeiros Portugueses, Jaime Marta Soares:

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jaime soaresBombeiros.pt: Porque defende que as Associações Humanitárias de Bombeiros devem tornar-se IPSS`s – Instituições Particulares de Solidariedade Social?

JS – Gostaríamos de fazer parte do Conselho de Concertação Social, porque os bombeiros têm direito de estar num lugar onde se tomam as grandes decisões e de ser entendidos como parceiros com grande importância social.

Podemos aspirar a ser equiparados a IPSS ou mesmo IPSS na perspetiva daquilo que fazemos e que nos permite chegar a parceiros sociais de direito. Temos direito de pedir isso, porque estamos na sociedade tal como estão outras instituições desta natureza.

Bombeiros.pt: Relativamente ao Financiamento dos Corpos de Bombeiros. Considera que o número de corpos de bombeiros poderá ser um dos problemas?

JS– A Constituição Portuguesa prevê o direito da criação de Associações. O Estado permite a criação de Corpos de Bombeiros. Agora ou as Associações desistiam ou o Governo teria de nacionalizá-las ou extingui-las, algo a que a Liga se oporia de imediato.

O governo falou na possibilidade de haver agrupamentos de bombeiros, ou seja, poder-se-á fazer escala em termos de agrupamento, cada um tendo a sua autonomia mas aproveitando infraestruturas que podem ser comuns a todos.

Para que haja uma divisão correta dos dinheiros públicos, que são escassos, e não se podendo ir pela extinção de corpos de bombeiros, tem de ser criada uma lei de financiamento que tenha como base a tipificação a nível municipal, assente em 3 pontos fortes: Tipificação dos destinatários; a distribuição de verbas, e a distribuição com base nos dados de tipificação.

Estamos a realizar um cruzamento de dados municipais quanto a verbas destinadas aos bombeiros, posso adiantar que há municípios que não dão um tostão aos bombeiros e usufruem dos serviços prestados pelos bombeiros, que são parceiros essenciais para garantir qualidade de vida dos cidadãos. Não é por acaso que a frase mais ouvida é “Chamem os bombeiros”.

Bombeiros.pt: De que outra formas se poderá discutir a questão do financiamento dos Bombeiros?

JS – Questiono quem é que mais defende a floresta portuguesa? O que representa a floresta para a economia?

Tem de passar a haver uma taxa que incida sobre os produtos comercializados da floresta para financiar a estrutura dos bombeiros.

Entre outras formas de financiamento, através das concessionárias das auto-estradas, seguradoras, IMI, IRS, …

Tem de haver uma lei que defina um valor correspondente ao serviço de 365 dias por ano dos bombeiros e outras atividades que desenvolvem. Temos de saber todos os anos com o que podemos contar para administrar as Associações e não dentro de um aspeto miserabilista, não temos de andar a estender a mão a caridade.

Mas não podemos aqui falar só no financiamento, há ainda outros aspetos fundamentais como os incentivos ao voluntariado através de diversos fatores, como o fundo de proteção social do bombeiro. Há aqui a questão das taxas moderadoras, contagem do serviço para a reforma, benefícios no IRS e outras questões que sejam da responsabilidade das câmaras municipais, como descontos nos transportes públicos, redução da taxa de IMI, bolsas de estudo para filhos de bombeiros.

Isto são situações que estão em andamento, faz-se com base em negociações, tem de ser bem-feitas, não em cima do joelho.

Bombeiros.pt: Existem sócios da Liga de Bombeiros que não estão ligados a Associações de bombeiros, não são bombeiros, não tem voto na matéria em concreto. Na sua opinião estas pessoas não poderiam contribuir para decidir quem efetivamente querem à frente desta Instituição?

JS – Isso o estatuto prevê, está definido, tem de se respeitar. Os sócios a que se refere são sócios extraordinários como existem em muitas instituições neste pais. Assistem, discutem, participam mas não votam porque também não pagam uma cota à dimensão daqueles que têm esses direitos.

Mas essa situação só se põe na questão de não votar. Mas têm direito de participar.

Na Liga há uma ínfima quantidade de sócios extraordinários que não têm qualquer influência neste processo. Também seria muito mau que um conjunto de cidadãos queiram ser sócios dos bombeiros por uma questão de disponibilidade… Imagine-se que haveria mais desses sócios do que as próprias instituições que são associadas, quer dizer as Associações que são elas que tem sustentabilidade da resposta de socorro, estariam condicionadas com aquilo que alguns definiriam.

Bombeiros.pt: O que o motiva para se recandidatar?

JS– Motiva todo um passado ao Serviço dos Bombeiros Portugueses e todo o conhecimento adquirido para resolver os problemas dos bombeiros. Duvido que os outros saibam mais do que eu nesta matéria.

Tenho capital de experiência, entrega e estou disponível para trabalhar de forma gratuita. Estamos em condições para continuar a fazer um bom trabalho, rentabilizando os recursos com rigor do conhecimento, solicito por isso mais três anos de confiança.

Bombeiros.pt: Convença-nos a votar em si no Congresso da Liga.

JS – Os meus muitos anos de experiência, os meus conhecimentos na área dos Bombeiros Portugueses, a minha prática de vida no ambiente dos bombeiros, como dirigente de bombeiros voluntários de um município, como comandante quase 50 anos, com 31 anos de presidente da Federação, com a passagem pela Associação Nacional de Municípios com a responsabilidade da Proteção Civil.

Tenho o know-how do conhecimento e, penso eu (passe o juízo em causa própria), garantias mais do que suficientes para que as pessoas confiem em mim.

Mas também tenho consciência de que sozinho não conseguiria chegar a parte nenhuma. Tenho equipas efetivamente em todas as áreas dos órgãos sociais, são pessoas das mais conhecedoras de tudo o que envolve os bombeiros portugueses.

Ora, os meus conhecimentos com o apoio deles (a equipa) e a minha liderança com eles ao meu lado, estou absolutamente convencido de que somos a melhor escolha e a que dá mais garantias por todo um trajeto que temos vindo a viver, mas acima de tudo também pelo trabalho demonstrado nestes últimos 3 anos. São garantias mais do que suficientes para continuarem a confiar em nós, porque sabem que connosco vão continuar a ter êxito naquilo que são as reivindicações dos bombeiros portugueses.




Sobre quem enviou a noticia

Sérgio Cipriano

Sérgio Cipriano

Natural de Gouveia e licenciado em Comunicação Multimédia pelo Instituto Politécnico da Guarda. Ingressou nos bombeiros com apenas 13 anos de idade e hoje ocupa o cargo de sub-chefe. É um dos fundadores da Associação Amigos BombeirosDistritoGuarda.com e diretor de informação do portal www.bombeiros.pt, orgão reconhecido pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social.