Duarte Caldeira: “O número de ações de formação não cobre todos os bombeiros”

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Cerca de 13.500 bombeiros voluntários receberam formação na área de fogos florestais nos últimos cinco anos, revelou hoje à agência Lusa a Escola Nacional de Bombeiros (ENB).

Segundo a ENB, em 2014, receberam formação na área de incêndios florestais 4.124 bombeiros, número que baixa para 3.758 no ano seguinte, voltando a descer para 3.179 em 2016 e, até 31 de maio deste ano, foram abrangidos 2.544.

Em declarações à agência Lusa, Duarte Caldeira, ex-presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses e da ENB, afirmou que “uma grande parte dos bombeiros” que fizeram esta formação são os profissionais inseridos nos corpos dos bombeiros voluntários ou elementos desempregados.

Dados da Autoridade Nacional de Proteção Civil indicam que, a 31 de dezembro de 2016, estavam no ativo 22.796 bombeiros voluntários e 6.226 profissionais que exercem funções nos corpos de bombeiros voluntários.

“O número de ações de formação, comparando com o número de bombeiros voluntários, não cobre todos os bombeiros”, sustentou o atual presidente do Centro de Estudos e Intervenção em Proteção Civil e coordenador do curso em Emergência e Proteção Civil da Universidade Nova de Lisboa, dando conta das dificuldades em frequentarem a formação.

Nesse sentido, adiantou que os cursos são de uma semana e organizam-se em Lisboa e, mesmo descentralizados, implicam um compromisso de tempo por parte dos bombeiros e há cada vez mais dificuldades em acordar com as entidades patronais a sua disponibilidade para frequentar estas ações.

A formação em incêndios florestais está incluída no Plano Estratégico de Formação dos Bombeiros Portugueses, iniciado pela ENB em 2014, e que definiu as políticas e linhas de orientação para a formação e qualificação dos bombeiros.

De acordo com a ENB, a formação ministrada a bombeiros tem por base o diagnóstico e a necessidade de formação realizada anualmente pelos corpos dos bombeiros e inclui formação de ingresso na carreira de bombeiro voluntário, aperfeiçoamento técnico e atualização, além de cursos nas áreas de tripulantes de ambulância, técnicas de socorrismo, salvamento e desencarceramento, incêndios urbanos e condução defensiva, entre outros.

Nesse sentido, 72.891 bombeiros frequentaram estas ações de formação da ENB entre 2014 e 2016.

Numa resposta enviada à Lusa, a ENB adianta que prevê realizar 1,4 milhões de horas de formação a bombeiros até julho de 2018, uma vez que foram recentemente aprovados os fundos comunitários.

Esta formação, que é um prolongamento do Plano Estratégico de Formação dos Bombeiros Portugueses, vai ser feita nas regiões norte, centro e Alentejo.

A atividade formativa da ENB é feita a nível interno, nos centros de formação de Sintra, Lousã e São Joao da Madeira, e a nível externo, nas 37 unidades locais de formação (ULF) e nos corpos de bombeiros.

A ENB sublinha que 87% da formação realizada, em 2016, foi feita descentralizadamente, ou seja, decorreu nas ULF e nos corpos de bombeiros, juntos aos locais de origem dos bombeiros.

O ingresso na carreira de bombeiro voluntário faz-se com a idade mínima de 18 anos e máxima de 45, é obrigatória a frequência com aproveitamento no curso de formação, composto por seis módulos com um total de 250 horas de formação.

“Nenhum bombeiro passa à condição de bombeiro voluntário sem frequentar e ser considerado apto na formação. Isso está institucionalizado e não há qualquer dúvida”, frisou Duarte Caldeira, esclarecendo que a formação inicial para ingressar na carreira de bombeiros não é apenas de fogos florestais, mas também em incêndios urbanos e acidentes rodoviários.

A idade limite para exercer funções como bombeiro é de 65 anos.

(Fonte: LUSA)




Sobre quem enviou a noticia

Daniel Rocha

Daniel Rocha

Nasceu na Guarda, mas foi em Famalicão da Serra que cresceu e conheceu o mundo dos bombeiros integrando o corpo activo. É Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Portugueses, e possui um Curso de Especialização em Ensino de Português como Língua Estrangeira e Língua Segunda (PLELS), ambos na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC). Para além da vida de professor, dedica-se a muitas outras actividades, entre as quais o teatro e a escrita, tendo publicado com alguma regularidade desde 2011. A sua ligação e gosto pelo mundo da imprensa levaram-no a ser colaborador da Rádio Altitude (Guarda) e do jornal Notícias de Gouveia (Gouveia).