Directores clínicos dos hospitais responsabilizados pelas falhas das VMER

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Os directores clínicos dos hospitais vão passar a ter a responsabilidade directa pela coordenação e organização das escalas das Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação (VMER), anunciou esta quarta-feira o secretário de Estado adjunto da Saúde, Fernando Leal da Costa.

“Até ao fim desta semana, iniciarei um processo de carácter normativo que determinará que a coordenação das VMER passe a ser feita de forma integrada com a direcção da urgência, estando na dependência directa do director clínico do hospital”, adiantou Leal da Costa, no fórum da TSF, ao mesmo tempo que lamentava o que considerou ser uma campanha de desinformação em curso sobre o sistema de emergência médica.

Trata-se de uma “irresponsabilidade” que está a criar “angústia injustificada”na população, sustentou o governante, que defende que o serviço do INEM é excelente e sublinha que, apesar de por vezes as VMER estarem inoperacionais, estão sempre disponíveis outros meios de socorro. Em 2013, recordou, o INEM formou 690 profissionais e, destes, mais de quatro centenas eram médicos, por isso os hospitais vão ter que colocar nas escalas das VMER todos os que têm formação para tripular estas viaturas.

Respondendo ao bastonário da Ordem dos Médicos, que terça-feira afirmou que o valor cada vez mais baixo que é pago aos profissionais das VMER é uma das principais justificações para a inoperacionalidade de algumas viaturas, Leal da Costa acentuou que o valor médio /hora pago a um médico é de 24,19 euros.

 “A afirmação de que o pagamento é insuficiente para os médicos e [que] é por isso que não trabalham”  é falsa”, disse. “Acima de tudo, não posso aceitar a ideia de que os médicos são mercenários cujo trabalho depende apenas do que se paga. É uma afirmação infeliz que não fica bem a um dirigente de uma associação que devia preocupar-se com a credibilização dos profissionais”.

O bastonário da Ordem dos Médicos, que também participou no fóum da TSF, reclamou uma tabela única, a nível nacional, de pagamento aos profissionais das VMER.

Entretanto, para minorar o problema da inoperacionalidade de algumas VMER, o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) avançou esta quarta-feira com a proposta de que estas viaturas passem a contar com enfermeiros e médicos também dos centros de saúde, para contornar as faltas das tripulações que actualmente são apenas asseguradas pelos hospitais. Esta posição vai ser defendida numa reunião que a liga tem marcada com o presidente do instituto Nacional de Emergência Médica, avançou Jaime Marta Soares, presidente da LBP.

A proposta da LBP visa evitar situações como a que ocorreu no domingo em Évora, quando a VMER do hospital da cidade não pode sair para socorrer duas vítimas de um acidente perto de Reguengos de Monsaraz, porque o médico escalado faltou. “A liga defende que os médicos e os enfermeiros podem ter a sua formação e depois fazer um curso rápido de socorrismo. Os bombeiros foram-se especializando porque o país precisa”, sublinhou Jaime Soares.

(Fonte: Público)




Sobre quem enviou a noticia

Daniel Rocha

Daniel Rocha

Nasceu na Guarda, mas foi em Famalicão da Serra que cresceu e conheceu o mundo dos bombeiros integrando o corpo activo. É Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Portugueses, e possui um Curso de Especialização em Ensino de Português como Língua Estrangeira e Língua Segunda (PLELS), ambos na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC). Para além da vida de professor, dedica-se a muitas outras actividades, entre as quais o teatro e a escrita, tendo publicado com alguma regularidade desde 2011. A sua ligação e gosto pelo mundo da imprensa levaram-no a ser colaborador da Rádio Altitude (Guarda) e do jornal Notícias de Gouveia (Gouveia).