Declarações na SIC podem originar processo disciplinar ao Comandante dos Bombeiros da Guarda

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A polémica está instalada nos bombeiros do distrito da Guarda, com a possibilidade de ser instaurado um processo disciplinar com comandante do corpo de bombeiros da Guarda, após este ter efetuado declarações polémicas à SIC no passado dia 9 de maio.

O Comandante do Corpo de Bombeiros da Guarda, Paulo Sequeira, terá proferido recentemente à SIC, palavras que não agradaram ao Centro de Coordenação Operacional da Guarda (CDOS, bem como ao Ministério da Administração Interna, que segundo fonte do portal Bombeiros.pt já terá contactado o presidente da instituição demonstrando o seu desagrado por palavras proferidas naquele órgão de comunicação social.

O Comandante Paulo Sequeira, referindo-se ao dispositivo de combate a incêndios, disse sem qualquer receio que “temos documentos, não temos realmente na prática e no terreno esse dispositivo”.

Questionado pela Jornalista Madalena Ferreira da SIC, relativamente ao helicóptero de combate a incêndios que ainda não chegou à Guarda, este terá dito que “desde o dia 1 que está realmente o centro de meios aéreos a operar, mas ainda não há meio aéreo, apenas estão o operador de telecomunicações e os elementos do GIPS”.

Porem, o comandante da Guarda vai mais longe, e sem papas na língua, terá dito na entrevista daquele órgão de comunicação que se revê “numa estrutura de comando dos bombeiros e não numa estrutura de comando de proteção civil”. Referindo-se a um melhor planeamento, Paulo Sequeira diz que a ANPC deve ser a “agregadora” das estruturas de proteção civil, mas que os bombeiros devem ter um comando próprio para que possam “chegar a esta altura e ter todo o dispositivo preparado”.

Perante tais declarações polémicas, o CDOS da Guarda terá emitido um comunicado aos presidentes da direção e comandantes dos 23 corpos de bombeiros do distrito, onde Miguel Teixeira, 2º. CODIS Guarda e mandatado pelo CODIS António Fonseca, diz que, as declarações proferidas pelo “cidadão Paulo Sequeira” não traduzem aquilo que o mesmo “conhece sobre o assunto tratado (PLANOP DECIR 2018)”.

No mesmo comunicado e entrando em pormenores da vida pessoal e profissional do comandante da Guarda, pode ler-se que “O Sr. Paulo Sequeira exerce funções profissionais no Comando Distrital de Operações de Socorro da Guarda, desempenhando a sua actividade na Sala de Operações e Comunicações como operador de telecomunicações.” querendo referir-se que, desde o início do corrente mês que ao comandante da Guarda lhe foi atribuída a tarefa (partilhada) de proceder à revisão do PLANOP DECIR 2018.

E assim, adianta Miguel Teixeira que, “o colaborador do CDOS da Guarda, Paulo Sequeira, sabe que a revisão do PLANOP está concluída desde a semana transacta” e que este “conhece os valores totais do dispositivo a empenhar”. Continuando, o 2º. CODIS da Guarda referiu que este sabe que o processo foi condicionado “pelo facto de a disponibilidade para integrar o DECIR apenas ter sido recentemente indicada” e por ter havido “alteração da disponibilidade de alguns CBs, face à recente assinatura dos protocolos para a constituição das EIP.”

Apesar de toda a explicação por parte do CDOS da Guarda, o portal bombeiros.pt analisou os documentos em sua posse e apesar das justificações apresentadas, os meios que constam na DON nº.2 que regula o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais, não batem certo com os atuais meios no terreno.

A redação do portal bombeiros.pt contactou o comandante dos Bombeiros Guarda após ter tomado conhecimento do comunicado do CDOS enviado aos bombeiros do distrito, Paulo Sequeira em declarações referiu-nos que o seu comentário ao dispositivo “apenas se restinguiu ao corpo de Bombeiros da Guarda” referindo que não compreende o motivo que levou a que o CDOS enviasse para todos os corpos de bombeiros a informação em causa.

Não desmentindo a possibilidade de ser levantado um processo disciplinar, Paulo Sequeira referiu também que, a forma como o CDOS expos a sua vida profissional e pessoal foi uma forma de “achincalhar o meu nome” e que, não lhe pareceu nada oportuno que, este comunicado tenha sido enviado a todo o distrito, quando muito, poderia ter sido enviado “à direção do corpo de bombeiros da Guarda e/ou à Federação dos Bombeiros do distrito”.

Prometendo não ficar calado, o comandante do corpo de bombeiros da Guarda referiu à nossa redação que, irá muito em breve enviar uma resposta ao CDOS e que, naturalmente, colocará em cópia todos os destinatários usados igualmente por este Centro Distrital.

A finalizar o comunicado, o CDOS da Guarda terá mesmo ironizado dizendo que: “Crendo que o Comandante Paulo Sequeira não ignora aquilo que o OPTEL Paulo Sequeira sabe” acusando o comandante do corpo de bombeiros da Guarda de outras motivações que não o interesse do serviço a que legalmente está vinculado.

O portal bombeiros.pt sabe que, outros comandantes do distrito têm sido confrontados com tomadas de posição por parte daquele CDOS, as quais pretendem diminuir a liberdade de expressão daqueles operacionais.

 

 




Sobre quem enviou a noticia

Sérgio Cipriano

Sérgio Cipriano

Natural de Gouveia e licenciado em Comunicação Multimédia pelo Instituto Politécnico da Guarda. Ingressou nos bombeiros com apenas 13 anos de idade e hoje ocupa o cargo de sub-chefe. É um dos fundadores da Associação Amigos BombeirosDistritoGuarda.com e diretor de informação do portal www.bombeiros.pt, orgão reconhecido pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social.