Costa diz que falhas do SIRESP em Pedrógão “foram de menor relevância”

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O gabinete do primeiro-ministro, António Costa, admite que houve falhas de comunicação na zona do incêndio que fez 64 mortos em Pedrógão Grande, mas, baseando-se nas informações prestadas pelo SIRESP e pelo Ministério da Administração Interna, relativiza o impacto dessas falhas. Foram, segundo as palavras usadas nas respostas do primeiro-ministro às 25 questões colocadas pelo CDS-PP nos dias seguintes à tragédia, “falhas de menor relevância, considerando a área e o horário em que ocorreram”.

Este pormenor é importante para perceber o desenrolar dos acontecimentos em Pedrógão Grande na noite trágica do incêndio. Segundo o gabinete do primeiro-ministro, citando em parte respostas dadas pela empresa que gere o Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP), houve falhas em cinco estações daquele serviço. A de Pedrógão foi a primeira a entrar em “modo local”, ou seja, que só permite a comunicação entre terminais servidos pela mesma estação entre si, a partir das 19h38 — tal como já tinha sido avançado pelo SIRESP. Contudo, é acrescentada informação. Das restantes estações que entraram em “modo local”, “segundo a Entidade Gestora do SIRESP, a estação base SIRESP mais próxima dos locais onde se registou a maioria das vítimas mortais é a de Figueiró dos Vinhos. No entanto, à hora em que esta Estação Base entrou em modo local (3h53 do dia 18), o fogo já havia percorrido essa área”.

Além desta estação, entraram mais três estações em “modo local”, Malhadas, Pampilhosa da Serra e Serra da Lousã, que se “localizam em áreas mais distantes do incêndio e onde não se verificaram vítimas mortais”, assegura o gabinete do primeiro-ministro em respostas aos deputados a que o PÚBLICO teve acesso.

Nesta mesma resposta a 25 perguntas feitas pelo CDS, é explicada a saturação das estações da zona do incêndio, sendo que não é abordada em detalhe a saturação da estação 100% operacional mais próxima do incêndio. Tal como o PÚBLICO tinha noticiado, um quarto das chamadas que passaram pela estação de Castanheira de Pera, na Serra do Cabeço do Pião, não foram feitas à primeira no período entre as 19h e as 9h da manhã do dia seguinte, não se conhecendo qual a percentagem de chamadas que falharam no período mais relevante até às 23 horas. Estes dados não são abordados nas respostas do primeiro-ministro.

Contudo, apesar de referir que as falhas são de “menor relevância” e de considerar que havia redes de redundância para que fosse possível comunicar, é admitido que houve “limitações” nas comunicações. “A existência de sistemas de comunicações redundantes, tais como a Rede Operacional de Bombeiros (ROB), a Rede Estratégica da Protecção Civil (REPC) e as redes móveis convencionais asseguraram, com limitações, a comunicação do PCO [Posto de Comando Operacional] com os diversos operacionais não servidos pela Estação Base SIRESP de Pedrógão Grande, desde que a estação base entrou em modo local até ao momento em que foi instalada a estação móvel SIRESP”, lê-se.




Sobre quem enviou a noticia

Sérgio Cipriano

Sérgio Cipriano

Natural de Gouveia e licenciado em Comunicação Multimédia pelo Instituto Politécnico da Guarda. Ingressou nos bombeiros com apenas 13 anos de idade e hoje ocupa o cargo de sub-chefe. É um dos fundadores da Associação Amigos BombeirosDistritoGuarda.com e diretor de informação do portal www.bombeiros.pt, orgão reconhecido pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social.