Corporações de bombeiros do Norte do distrito de Viseu com falta de voluntários

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bombeiros formaturaCorporações de bombeiros do Norte do distrito de Viseu estão a debater-se com a falta de voluntários, devido à dificuldade no seu recrutamento ou à “fuga” dos jovens para as grandes cidades e para o estrangeiro.

“Ainda esta semana tocou a sirene para um fogo rural e apareceram três homens. Depois, por telefone, consegui arranjar mais dois que estavam em locais onde não ouviam a sirene. Consegui uma equipa de cinco homens, mas com muita dificuldade”, lamentou o comandante dos Bombeiros Voluntários de Cinfães, Miguel Madureira, em declarações à agência Lusa.

O corpo ativo tem 120 elementos mas, na prática, durante a semana, o comandante tem disponíveis apenas 15 a 20 deles.

“E mesmo esses muitas vezes só conto com eles à noite, porque até andam a trabalhar dentro do concelho, mas a 10/20/30 quilómetros de distância (do quartel)”, acrescentou.

Segundo Miguel Madureira, “durante a semana é muito complicado ter pessoal, porque grande parte sai (de Cinfães) ao domingo à noite ou à segunda-feira de manhã e só regressa no fim da semana”.

O comandante dos Bombeiros Voluntários de Tabuaço, Ernesto Fonseca, queixou-se de não conseguir fixar elementos.

“Até os conseguimos recrutar. Os jovens fazem a recruta (formação), mas quando chega a hora de entrarem para o mercado de trabalho torna-se complicado ficarem cá, porque temos pouca indústria, poucos serviços e têm de procurar outros locais para trabalhar, em Portugal e no estrangeiro”, contou.

Neste momento, a corporação tem cerca de 70 elementos, ainda que “os mobilizáveis andem à volta dos 45”, dependendo da altura do ano.

“O espírito (de voluntariado) está lá, mas depois temos esse ‘fenómeno’ que nos obriga às vezes a fazer algumas ginásticas”, lamentou.

Do mesmo se queixa o comandante dos Bombeiros Voluntários de Tarouca, Humberto Sarmento, sobretudo devido à saída dos jovens que vão estudar para o litoral do país.

O comandante disse que há pessoas que “começam a procurar outros países para trabalhar” e outras que “fogem cada vez mais para o litoral”.

“Os jovens, que são a força que alimenta as corporações, acabam por optar pelo litoral, para onde vão estudar e depois se fixam”, afirmou.

A corporação tem 112 elementos e até tem registado uma boa adesão às ações de recrutamento, embora depois, por exemplo, “numa recruta de 12 acabem por ficar 50%” das pessoas.

Mas há outras corporações da região do Douro Sul onde as dificuldades se sentem logo no recrutamento.

“Recrutar é difícil. Aparece muito pouca gente. As pessoas não têm grande sensibilidade para o voluntariado”, contou o comandante dos Bombeiros Voluntários de S. João da Pesqueira, Paulo Esteves.

Este défice de voluntariado leva a corporação a ter 15 operacionais diários remunerados para conseguir dar resposta às necessidades, num corpo ativo que ronda os 40 elementos.

Nesta corporação, “o recrutamento está sempre aberto”, mas as expectativas são baixas.

“Há alguns anos em que não se inscreve nenhuma pessoa. Sou comandante há cinco anos e só ainda consegui fazer uma escola, que ronda os 12 elementos. É muito pouco”, afirmou.

Já a corporação de Armamar tem inscrições abertas até 31 de janeiro, porque gostaria que o seu corpo ativo passasse de 54 elementos para “60 a 70”.

“Há sempre falta de pessoal, porque cada vez há menos gente a querer ser bombeiro”, disse à Lusa o comandante Alberto Cochofel, contando que nos últimos anos tem havido pouca gente a inscrever-se.

Se a sirene tocar e “aparecerem 20 bombeiros já é muito bom”, frisou.

Curiosamente, na mesma região do país há corporações que estão satisfeitas com o número de elementos e com a resposta que eles dão.

O comandante dos bombeiros de Resende, Sérgio Monteiro, contou que a corporação tem 50 elementos e “20 jovens que vão começar formação em janeiro”.

“Nós temos cerca de 60 elementos, que trabalham perto ou estudam e continuam a participar ativamente no corpo de bombeiros”, disse, por ser turno, o comandante dos bombeiros de Sernancelhe, Luís Sérgio.

(Fonte: Porto Canal)




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Daniel Rocha

Daniel Rocha

Nasceu na Guarda, mas foi em Famalicão da Serra que cresceu e conheceu o mundo dos bombeiros integrando o corpo activo. É Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Portugueses, e possui um Curso de Especialização em Ensino de Português como Língua Estrangeira e Língua Segunda (PLELS), ambos na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC). Para além da vida de professor, dedica-se a muitas outras actividades, entre as quais o teatro e a escrita, tendo publicado com alguma regularidade desde 2011. A sua ligação e gosto pelo mundo da imprensa levaram-no a ser colaborador da Rádio Altitude (Guarda) e do jornal Notícias de Gouveia (Gouveia).