Comandante ordenou o não registo de informação durante incêndios

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A Comissão Técnica Independente sobre os incêndios de Pedrógão Grande conclui que os eventos e comunicações não ficaram registados na fita do tempo, o que é obrigatório. O relatório apura que tal ocorreu devido a uma ordem do comandante nacional da Autoridade Nacional de Protecção Civil, Albino Tavares (2.º Comandante Operacional Nacional na altura dos incêndios, em Junho).

“Houve problemas nas comunicações e nos planos de comunicações deste teatro de operações. É, contudo, excepcional que tenha havido uma decisão do COS, 2.º CONAC Albino Tavares às 4h56 de 18 de Junho, ordenando ao chefe sala do CDOS de Leiria que os operadores de telecomunicações não deveriam registar mais informações na fita de tempo do SADO [Sistema de Apoio à Decisão Operacional] acerca dos alertas que ali recebiam. A partir daquela hora todos os alertas deveriam ser comunicados ao PCO por telefone, e só após validação do mesmo, seriam ou não inseridos na fita do tempo do SADO”, lê-se no relatório. “O 2.º CONAC, no decorrer da sua audição junto desta CTI, justificou a sua decisão com o excesso de informação que era produzida a partir do CDOS de Leiria.”

A actuação de Tavares “contraria o SGO [Sistema de Gestão de Operações], bem como toda a doutrina instruída relacionada com o funcionamento do SADO, que impõe que todas as situações críticas devem, até de forma intempestiva, ficar registadas no sistema, independentemente da determinação operacional associada”.

Além disso, lamenta-se que tal determinação possa “subtrair à fita do tempo do SADO informações que poderiam ser importantes para a compreensão dos acontecimentos na noite de 17 para 18”. “Pode até admitir-se que, para além das falhas de comunicação provocados pela rede SIRESP, pudessem ter havido pedidos de ajuda veiculados através de chamadas efectuadas para o PCO [Posto de Comando Operacional] mas que não teriam sido registadas”, indica o documento.

“Por este motivo, as informações registadas podem ter impedido que se conheça completamente o que se passou naquele período de tempo, introduzindo uma excepção no procedimento que deveria ter sido executado de forma inquestionável”, indica o relatório.

 

Sobre o autor

Sérgio Cipriano

Sérgio Cipriano

Natural de Gouveia e licenciado em Comunicação Multimédia pelo Instituto Politécnico da Guarda. Ingressou nos bombeiros com apenas 13 anos de idade e hoje ocupa o cargo de sub-chefe. É um dos fundadores da Associação Amigos BombeirosDistritoGuarda.com e diretor de informação do portal www.bombeiros.pt, orgão reconhecido pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social.