Capítulo 6 mantém-se secreto, contra vontade de especialista em incêndios

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Xavier Viegas, que realizou o relatório do incêndio de Pedrógão a pedido do Governo, garante que os casos explicados no capítulo 6 vão ser debatidos mas com total respeito pelas indicações da CNPD.

O capítulo seis do relatório de Pedrógão Grande podia e devia ser revelado na totalidade, havendo consentimento das famílias. Ainda assim, não vai acontecer.

Xavier Viegas, que representa o Centro de Estudos Florestais, que realizou o relatório do incêndio de Pedrógão a pedido do Governo, garantiu, em Coimbra, na abertura do seminário “As lições de Pedrógão” que os casos explicados no capítulo seis vão ser debatidos, mas com total respeito pelas indicações da Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD).

O capítulo seis do relatório efetuado pelo Centro de Estudos Florestais vai ser abordado e debatido porque nele estão listados os problemas que levaram à morte dezenas de pessoas. E, acima de tudo, para que não volte a acontecer e para que o assunto não seja “varrido para debaixo do tapete”, afirma Xavier Viegas.

O especialista sublinha ainda ao auditório composto por bombeiros, elementos da proteção civil, académicos, mas também familiares das vítimas dos incêndios, que vão ser apresentados alguns casos “para dar informação às pessoas sobre a tipologia de factos que se passaram, o que as pessoas sofreram, e as dificuldades que houve para as socorrer”.

Mas, apesar de abordado, o capítulo seis não será um livro aberto. “Não vamos aqui entregar o relatório a ninguém. É possível falar dos casos de modo impessoal, não vamos mostrar fotografias, nem avançar nomes, a não ser daqueles casos que estamos autorizados. Estamos a respeitar aquilo que foi a deliberação da Comissão Nacional de Proteção de Dados e as diretrizes que temos do Governo”, assume Xavier Viegas.

No entanto, o professor da Universidade de Coimbra continua a sublinhar a posição de que só a revelação total é justa. “Não creio que contenha informação prejudicial à intimidade das pessoas, mas contém informação importante para as autoridades e o público, para saberem aquilo que se passou no incêndio de Pedrógão”, acrescenta.

Sobretudo porque, garante o especialista em incêndios, alguém errou. Falhou a limpeza da floresta, falharam as comunicações, e Xavier Viegas refere que, nas horas seguintes ao incêndio, houve descoordenação no socorro às vítimas.

Por isso, defende a criação de uma estrutura, dentro do comando, específica para o socorro às populações. “Estamos num momento único, em que o país está sensibilizado, tirando lições, não varrendo para debaixo do tapete, e melhorando a situação e a proteção das pessoas, evitando que haja perda de vidas”.

É importante que se saiba o que se passou, sublinha, para que “as próprias pessoas saibam o que fazer” em situações futuras, até porque, enunciou na abertura do seminário, “engana-se quem pensa que já passou”, incêndios atípicos como os de Pedrógão ou os de 15 e 16 de outubro “serão cada vez mais frequentes”.

TSF

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Ana Romaneiro

Ana Romaneiro

Nasceu em Évora onde cresceu e estudou.
Desde muito cedo que partilha o gosto pela informática, que, a levou a tirar um curso profissional técnico de Gestão de Sistemas Informáticos, profissão que exerce na atualidade.
A sua ligação aos bombeiros surge aos 13 anos ao entrar na fanfarra dos Bombeiros de Évora, onde permaneceu até 2013. Na atualidade integra a corporação os Bombeiros de Reguengos de Monsaraz, no posto de bombeira de 2º.