Bombeiros de Vila Meã vão construir um lar de terceira idade

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A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vila Meã (AHBVVM) assinou, neste mês de fevereiro, um contrato de promessa de compra e venda de terreno que a coloca mais próxima de concretizar um objetivo, a construção de um lar de terceira idade.

Segundo revelou o presidente Ricardo Vieira, o projeto surge como nova fonte de financiamento para os bombeiros e, ao mesmo tempo, como resposta para uma necessidade existente no território.

“Queríamos investir num setor que fosse uma fonte extraordinária para os bombeiros mas não queríamos entrar num negócio vulgar, queríamos também que fosse uma mais-valia para a nossa localidade. Vila Meã, e a nossa área de intervenção que também é Figueiró, Mancelos e Travanca, tem já alguns centros de dia mas tem uma lacuna muito grande – e acho que não é Vila Meã, é um bocado pelo país todo – que é o facto de não haver lares de terceira idade que consigam albergar as pessoas que têm necessidade dessa valência. Decidimos avançar. Não vai ser um projeto muito ambicioso, está a ser um projeto bem ponderado”, explicou.

Destaque ainda para uma parceria com uma IPSS, a nível de fornecimento refeições e serviço de lavandaria, com vista a redução de custos de investimento e também de funcionamento normal do lar.

“Não investindo na lavandaria e cozinha vamos ter uma economia de cerca de 100 mil euros, fora o que depois será o funcionamento normal do lar. Isto é uma tentativa de criar aqui uma sinergia com o que já existe na terra. Não vale a pena estarmos a sobrepor-nos uns aos outros. Queremos criar coisas novas mas também não queremos dar passos maiores que a perna e que depois inviabilizem qualquer situação no futuro”, salientou.

O projeto de arquitetura está a ser tratado e o objetivo é que seja apresentado no aniversário, a 23 de abril, mas já se podem revelar alguns pormenores, como a capacidade para cerca de 40 utentes, em quartos duplos e com condições de excelência.

“Os utentes terão que ser sempre tratados com a dignidade que a vida humana merece por isso queremos que tenha excelentes condições, que seja um espaço humilde mas que sirva na sua plenitude as suas funções”, afirmou Ricardo Vieira.

A intenção é que a construção do lar comece no próximo ano, também na comemoração do aniversário. Este é o novo desafio a que a direção se propõe, seis anos após ter tomado as rédeas da associação humanitária que passou dificuldades financeiras severas, com um passivo que ultrapassou um milhão de euros. A situação foi, entretanto, resolvida e o balanço é considerado “positivo”.

“A situação financeira, quando cá chegámos há seis anos, era de 1.001.600,00 euros de passivo. Devíamos a 92 entidades diferentes e era muito difícil negociar com toda a gente. O que interessa é que passados esses seis anos tudo isso foi ultrapassado”, assinalou o presidente da AHBVV, destacando que apesar das dificuldades houve um investimento considerável na aquisição de novas viaturas e na recuperação das antigas, em equipamento de proteção individual e em formação.

“Nós vamos ouvindo todos os dias, porque estamos mais atentos e seguimos mais o mundo dos bombeiros a nível nacional, de algumas corporações que têm algumas dificuldades financeiras mas nunca ouvimos falar de 1 milhão de euros. De facto conseguimos ultrapassar isso com a ajuda da população que tem sido incansável para com a instituição, os empresários e a autarquia local, quer a Câmara quer a Junta de Freguesia. O município, desde a primeira hora que chegamos cá, disponibilizou-se a colaborar connosco atribuindo um subsídio extraordinário”, enalteceu.

Quanto a este subsídio, Ricardo Vieira revelou que houve, entretanto, por parte dos bombeiros, um pedido de redução da verba.

“Entendemos que devíamos dar o exemplo e isto também faz parte da solidariedade. Achávamos que a partir de certa altura já não fazia sentido recebermos aquele subsídio extraordinário no seu todo, porque a situação financeira estava estabilizada e, eventualmente, haveria outras instituições a necessitar, elas sim, de um apoio extraordinário neste momento. Então, pedimos ao município para que nos reduzisse o subsídio em 15 mil euros”, contou.

Por resolver está apenas um diferendo com a empresa construtora do quartel. As novas instalações foram inauguradas em 2010 mas já é visível a necessidade intervenção, o que deixa direção e bombeiros insatisfeitos.

“As instalações precisam de uma intervenção profunda por parte do construtor”, confirmou o presidente dos bombeiros, acrescentando que apesar da atual direção não ser responsável direta pelo projeto, existem ajustes em vista.

“Depois de haver essa intervenção por parte do empreiteiro, que eu espero que seja nas próximas semanas que comece, pretendemos nós depois fazer alguns ajustes para que o quartel se torne mais prático para quem nele vive todos os dias, que são os bombeiros voluntários”, transmitiu Ricardo Vieira.

A área de abrangência destes bombeiros é a freguesia de Vila Meã, Travanca, Mancelos e Figueiró mas também prestam socorro na freguesia de Castelões (de Penafiel) e Banho e Carvalhosa (de Marco de Canaveses).

Em questão de elementos, a emigração veio trazer algumas dificuldades mas o cenário não é totalmente desanimador.

“Recentemente tivemos 20 a 30 bombeiros que tiveram de ir para o exterior mas, neste momento, ainda temos de 87 a 90 bombeiros no ativo e no dia-a-dia temos 20 colaboradores todos os dias. Temos uma equipa permanente de intervenção que nos facilita, e de que forma, o nosso trabalho”, explicou o comandante Carvalho Ferreira.

“As escolinhas serão o futuro do nosso corpo de bombeiros e, principalmente, os recrutas, que temos à volta de 20. Devem terminar a formação no fim do mês de maio e, possivelmente, jurar bandeira durante o mês junho. Isso vai ser uma mais-valia para nós, para participarmos no dispositivo de combate a incêndios florestais. Costumamos participar com uma ELAC (Equipa de Logística de Apoio ao Combate) e dois ECIN (equipas de combate a incêndios) e vamos procurar mantê-los este ano”, acrescentou. Neste momento, na recruta, grande maioria dos elementos (cerca de 90 por cento) são femininos.

Segundo o comandante, a união e a vontade de fazer melhor estão sempre presentes:

“Procuro todos os dias fazer hoje melhor que ontem e amanhã melhor que hoje e procuro transmitir esse pensamento aos bombeiros todos. De outra forma não conseguimos fazer nada”

No dia-a-dia o lema que os acompanha é “sempre juntos, sempre prontos a ajudar, sempre disponíveis”

Os Bombeiros Voluntários de Vila Meã são apoiados por 26 viaturas e, não podemos esquecer, a mascote Water.

Assinalam no próximo dia 23 de abril 36 anos de existência.

AVerdade.com

 

 




Sobre quem enviou a noticia

Ana Romaneiro

Ana Romaneiro

Nasceu em Évora onde cresceu e estudou. Desde muito cedo que partilha o gosto pela informática, que, a levou a tirar um curso profissional técnico de Gestão de Sistemas Informáticos, profissão que exerce na atualidade. A sua ligação aos bombeiros surge aos 13 anos ao entrar na fanfarra dos Bombeiros de Évora, onde permaneceu até 2013. Na atualidade integra a corporação os Bombeiros de Reguengos de Monsaraz, no posto de bombeira de 2º.