Bombeiros queixam-se de distanciamento por parte das populações

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formaturaO crescimento das cidades, o envelhecimento da população e o desinvestimento numa relação de proximidade são algumas justificações que se ouvem para o gradual afastamento de parte das populações face aos seus corpos de bombeiros.

Em declarações à agência Lusa, elementos de três corporações do Grande Porto relataram que o seu trabalho diário em prol das populações, o investimento no bem-estar das comunidades onde se inserem é hoje algo que passa ao lado da maioria das pessoas.

Nos Bombeiros Voluntários de Melres, uma vila do concelho de Gondomar a pouco mais de 30 quilómetros do Porto, Nuno Soares, operacional há 20 anos, descreveu um cenário recorrente que só se explica pela falta de informação e de atenção com que as pessoas encaram o trabalho dos bombeiros.

“A falta de civismo e de informação de alguns faz com que, por exemplo, a ambulância do INEM, operada e equipada pelos Bombeiros Voluntários Melres, seja deixada passar pelos automobilistas, o mesmo já não acontecendo se for uma dos próprios bombeiros, com sinal ligado e a prestar o mesmo auxílio”, descreveu.

Da mesma corporação, Márcia Rocha reconhece que o “obrigado” não surge com naturalidade em todos os cidadãos que recebem o apoio dos bombeiros, atribuindo-o “à falta de formação dessas pessoas bem como, por vezes, ao estado de ‘stress’ e de ansiedade em que se viram envolvidas”.

Para Salvador Almeida, comandante dos Bombeiros Sapadores de Gaia, apesar do civismo na estrada “surgir com normalidade sempre que uma ambulância assinala a sua marcha”, existe um problema de “desumanização nas cidades, decorrente dos fluxos migratórios”.

“Em Gaia, somos 320 mil habitantes, mas apenas 20 mil são associados das corporações de bombeiros. As pessoas sabem que nós estamos cá para as ajudar, mas esse reconhecimento nem sempre existe, ainda que tenha de reconhecer que o nervosismo em que às vezes se encontra não contribuiu para isso”.

Ainda assim, para Salvador Almeida “devia ser obrigatório as pessoas serem sócias dos bombeiros”, concluindo que, “hoje em dia, há muito egoísmo e as pessoas só se lembram de Santa Bárbara quando está a trovejar”.

Presidente da corporação de bombeiros de Valbom, uma cidade “em que 70% da população veio de fora”, José Gonçalves queixou-se do mesmo problema, agravado quando, no decurso de um combate a um incêndio, “o proprietário do terreno nem sequer pergunta se precisamos de água para beber”.

Mas depois há os outros casos, os de reconhecimento. Um deles ocorreu em Gaia depois de os Sapadores terem de rebentar um passeio numa obra para resgatar um gato que se metera num tubo, contou à Lusa Salvador Almeida.

Já em Valbom, de forma sigilosa já foram feitas “denúncias de violência doméstica, famílias desestruturadas, carência alimentar, falta de condições de habitabilidade”, elencou o presidente.

Disto resultou, por exemplo, que “uma pessoa que esperava há 15 anos por uma casa e que tinha um perigosa infiltração de água junto a um candeeiro, 15 dias depois passasse para uma nova habitação”.

JN

 




Sobre quem enviou a noticia

Sérgio Cipriano

Sérgio Cipriano

Natural de Gouveia e licenciado em Comunicação Multimédia pelo Instituto Politécnico da Guarda. Ingressou nos bombeiros com apenas 13 anos de idade e hoje ocupa o cargo de sub-chefe. É um dos fundadores da Associação Amigos BombeirosDistritoGuarda.com e diretor de informação do portal www.bombeiros.pt, orgão reconhecido pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social.