Bombeiros em Inactividade emitem comunicado: “Não existem quaisquer motivações políticas”

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Resolução poderá passar pela alteração da constituição da Direcção em exercício e afastamento da Tesoureira
O grupo de Bombeiros na inactividade no Quadro dos Bombeiros Voluntários de Melgaço emitiram hoje (17 de Janeiro) um comunicado que dizem esclarecer “em abono da verdade” a situação do Corpo de bombeiros da corporação local e esclarecer que “não existem quaisquer motivações políticas” no descontentamento que dizem sentir com a Direcção.

No documento de 6 páginas, que dizem só trazer a público agora porque terão tentado “resolver este assunto internamente e não gerar na população melgacense um sentimento de pânico e de insegurança”, esclarecem ainda que o desagrado com as publicações na rede social Facebook por parte do elemento da Direcção dos Bombeiros que gere a página dos Bombeiros Voluntários de Melgaço não se prende com o alvo a quem é direccionada a ofensa [numa alusão à publicação de Agosto de 2016, onde uma partilha de uma notícia que dava nota do combate a um incêndio era comentado com “já tardava…. filhos daputa!!!!”], mas ao teor da frase. “Nunca foi colocada a hipótese de a mesma se dirigir aos Bombeiros. O busílis da questão a nosso ver prende-se, como já referimos anteriormente, com o “calão” utilizado”.

O esclarecimento público (que reproduzimos na íntegra, abaixo) refere ainda que, em reunião de 14 de Outubro, na qual o presidente da Direcção terá estado presente, os elementos do Corpo Activo terão manifestado que “não se reviam na linha de actuação que a Direcção estava a seguir, nomeadamente na performance adotada pela Tesoureira da instituição e gestora da página de Facebook bem como pela falta de assiduidade e envolvimento evidenciado por alguns elementos da Direcção”.

O comunicado avança ainda que, após reunião com o presidente da Direcção a 12 de Janeiro, este terá apresentado como possibilidade de resolução “a alteração da constituição da direcção em exercício, especificando que a Exma. Senhora Ludovina Sousa que, na atualidade, assume o cargo de Tesoureira, poderia ser afastada das funções que exerce, tendo sido o feedback, positivo, por parte dos bombeiros presentes”

Leia o comunicado do grupo de bombeiros em inactividade:

COMUNICADO
À população em geral

À Direção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Melgaço

Aos Sócios da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Melgaço

À comunicação social

Na sequência das informações vindas a público em diversas fontes que envolvem o nosso bom nome e colocam em questão o exercício das nossas funções enquanto Bombeiros Voluntários, vimo-nos obrigados em defesa da nossa honra e dos valores que presidem à Associação Humanitária que servimos e que esperamos poder continuar a servir se os requisitos que consideramos essenciais forem cumpridos, emitir este comunicado em abono da verdade.

Gostaríamos contudo de reiterar que o tempo da emissão deste comunicado foi constrangido pela nossa vontade de procurar resolver este assunto internamente e não gerar na população melgacense que, muito merece o nosso respeito e dedicação, um sentimento de pânico e de insegurança que condiciona de forma negativa as suas vidas. Chegados a esta encruzilhada, gostaríamos de informar do seguinte, adotando desta forma e para melhor compreensão de todos os leitores, a cronologia dos acontecimentos:

– No facebook dos Bombeiros Voluntários de Melgaço foi colocada uma publicação no dia 15 de Agosto do ano 2016 com uma linguagem considerada inadequada e fora dos parâmetros que devem pautar a natureza da comunicação que uma instituição como esta deve manter com a população em geral. Parece-nos que a linguagem utilizada (e que por isso mesmo, nos recusamos neste comunicado a reproduzi-la) não se coaduna com os valores e a disciplina que devemos honrar na prestação da nossa missão enquanto Bombeiros Voluntários. Sublinhe-se, contudo que, apesar de sermos acusados de não termos conseguido compreender a mensagem que pretendia ser veiculada pela Exma. Tesoureira da Direção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Melgaço (A.H.B.V.M.) na publicação em questão, nunca foi colocada a hipótese de a mesma se dirigir aos Bombeiros. O busílis da questão a nosso ver prende-se, como já referimos anteriormente, com o “calão” utilizado e que a própria responsável pela sua publicação considera como “infeliz” numa publicação pessoal no passado dia 12 de Janeiro. Gostaríamos apenas de recordar a Exma. Tesoureira da Direção que, ao contrário do que ela informa, não efetuou a retirada imediata da publicação em Agosto, havendo provas que sustentam esta nossa constatação. Teremos ainda de sublinhar o nosso descontentamento com a utilização incorreta do perfil da A.H.B.V.M. entrando em diálogos acesos e de conteúdo dúbio que em nada enaltecem a instituição.

Não podemos deixar de sublinhar a estranheza com que alguns elementos da Direção encaram a nossa indignação para com a linguagem utilizada na publicação de 15 de Agosto de 2016 o que, a nosso ver, apenas demonstra, a sua incompreensão do que significa verdadeiramente ser Bombeiro Voluntário e do decoro (na linguagem e no comportamento) que o mesmo deve adotar.

Da necessidade de efetuar o balanço dos últimos três anos, nomeadamente no que toca ao desempenho dos 3 principais intervenientes (Corpo Ativo, Comando e Direção), o segundo Bombeiro mais graduado do Corpo Ativo solicitou que fosse aventada a possibilidade de convocar uma reunião para o dia 1 de Outubro do passado ano, sem a presença do Comando, de modo a debater estas questões. Nesta reunião, foi evidenciado mal-estar produzido pela publicação de 15 de Agosto bem como a preocupação do Corpo Ativo com a decisão manifestada pelo nosso Comandante em abandonar o cargo a 31 de Outubro. A conclusão desta reunião resultou num contacto junto do Comando para se promover uma nova reunião, agora com a sua presença, tendo sido agendada para o dia 14 de Outubro. Apesar de não ter sido solicitada a presença do Exmo. Presidente da Direção, foi possível contar com a mesma, o que foi do agrado do Corpo Ativo já que mostrou interesse em estar por dentro das ocorrências institucionais e colaborar na resolução de situações menos positivas. Nesta mesma reunião, os elementos presentes tiveram oportunidade de expor a sua opinião, tendo sublinhado que não se reviam na linha de atuação que a Direção estava a seguir, nomeadamente na performance adotada pela Tesoureira da instituição e gestora da página de Facebook bem como pela falta de assiduidade e envolvimento evidenciado por alguns elementos da Direção. Emergiu ainda a constatação de que a não resolução destas situações poderia culminar em constrangimentos ao normal funcionamento da Associação Humanitária já que os Bombeiros não poderiam continuar a exercer as suas funções.

– As eleições para a Direção da A.H.B.V.M. decorreram no dia 26 de Novembro, mas a manutenção da mesma equipa do triénio anterior suscitou na maioria dos Bombeiros do Corpo Ativo um elevado descontentamento sustentado pelos argumentos já explanados anteriormente e o qual foi manifestado na Reunião de Assembleia Geral que antecedeu o próprio ato eleitoral. De facto, antes do processo eleitoral, a Tesoureira telefonou para o 2º Comandante e para o Adjunto de Comando para lhes dar conta da sua intenção de pedir a sua demissão do cargo, informação essa que se veio a verificar ser falsa pela sua permanência na lista.

Ainda acerca do processo eleitoral, devemos mencionar ter conhecimento de sócios que foram abordados por elementos da Direção para irem votar de modo a mostrar que “não precisamos deles (Corpo Ativo) para nada”. Perante este facto, não podemos deixar de nos/vos perguntar: como poderemos continuar a trabalhar com pessoas que adotam este tipo de postura perante nós?

O resultado foi o esperado… A lista foi reconduzida para o exercício das suas funções, o que desencadeou o pedido de exoneração de dois elementos do Comando e ainda a solicitação de passagem à inatividade por parte de 26 Bombeiros do Corpo Ativo, com efeitos a partir do dia 28 de Novembro. Esta foi uma decisão pessoal que não foi tomada de ânimo leve porque a ligação emocional que nos veicula à nossa Associação e à causa que servimos, nos transcende de tal forma que, muitas vezes, abandonamos o conforto dos nossos lares e o carinho das nossas famílias para partirmos, sem sabermos se conseguimos regressar. Somos testemunhas das inúmeras tentativas encetadas pelo nosso Comandante para nos demover desta intenção, por isso nos choca e suscita em nós um sentimento de grande revolta e injustiça quando a Direção, no comunicado, que emitiu no passado dia 9 de Janeiro nos quer apresentar como meros figurantes, manipulados pelo Comandante que apenas pretenderia “desestabilizar a Direção”. O respeito que (man)temos pelo nosso Comandante deve aqui ser ressalvado e como todo e qualquer Bombeiro, nunca deixamos ninguém para trás pelo que não podemos ser coniventes com a campanha que tem vindo a ser desenvolvida para denegrir o seu bom nome e manchar o serviço que exerceu durante o tempo que o Corpo Ativo teve a honra de ser por ele comandado. Fazendo nossa a frase do Senhor Acácio, “Nunca lhe seremos suficientemente gratos”.

– No dia 3 de Dezembro, o Comando solicitou uma reunião com o Corpo Ativo onde também esteve presente a Direção recentemente eleita. Foram novamente abordados todos os assuntos já mencionados anteriormente e o Exmo. Presidente da Direção aventou como possibilidade de resolução dos mesmos a não tomada de posse para o novo mandato. Este panorama motivou a que, no dia seguinte, tal como o veiculado no Comunicado emitido pela Direção, “os elementos do Corpo de Bombeiros reconsiderassem a sua posição, tendo regressado ao ativo”. Não podemos deixar de partilhar neste comunicado, a postura adotada pela Exma. Senhora Ludovina Sousa e que se traduz no comentário que a seguir transcrevemos “a partir de agora, ao passarem por mim na rua, não vale a pena dirigirem-me a palavra, porque para mim, é como se passasse um cão”. E novamente, não podemos deixar de nos/vos perguntar: como poderemos continuar a trabalhar com pessoas que adotam este tipo de postura perante nós?

– No dia 29 de Dezembro, é afixado em nossa casa (sim, porque o Quartel é a nossa segunda casa e muitas vezes, até a nossa primeira casa) e a pedido do Exmo. Presidente da Direção, um e-mail intitulado “Mensagem para conhecimento!” utilizando para isso o endereço eletrónico da instituição. Nesta “mensagem para conhecimento!”, o Exmo. Presidente refere que vai assumir o seu “lugar atribuído” pelo que “no próximo dia 2 de Janeiro, eu direi presente, e convido (ou até desafio) todos a dizerem presente”.

– Alegando ser “no interesse da população, no respeito pelos sócios e para não prejudicar a Associação Humanitária, no prosseguimento dos seus fins e a fim de honrar compromissos assumidos”, a Direção eleita tomou posse no dia 2 de Janeiro, dando disso nota no facebook da instituição com a publicação das fotografias desse evento. A Direção em exercício refere no comunicado que, nesse mesmo dia, o Comandante teria convocado os elementos do Corpo Ativo que “anteriormente tinham pedido inatividade” para uma nova reunião, da qual teria resultado “novo pedido de passagem à inatividade no quadro”. Cumpre-nos, pois, desmentir toda esta informação: no dia 2 de Janeiro, todos os elementos do Corpo Ativo foram convocados pelo Comandante para estarem presentes numa reunião onde ele se limitou a despedir-se de todos nós e agradecer-nos o trabalho que havíamos desenvolvido sob a sua orientação, cumprimentos esses extensivos ao 2º Comandante e ao Adjunto de Comando. Mais informou que não voltaria a exercer o cargo de Comandante e não era de todo sua intenção integrar algum órgão social da A.H.B.V.M. Os elementos do Comando depressa deram por encerrada a reunião porque a carga emocional inerente a todas estas ocorrências é maior do que nós mesmos, como maior que nós mesmos é a nossa missão traduzida no lema “Vida por Vida”. Na ausência destes, reiteramos a nossa intenção de passarmos à inatividade, numa tomada de decisão pessoal, motivada pelos recentes acontecimentos que traduzem falta de lealdade para connosco. Desta forma, dirigimo-nos ao Comando para expressar a nossa vontade pessoal e inequívoca de passarmos à inatividade no Quadro, mostrando assim, mais uma vez que o nosso comportamento não foi, em momento algum, alvo de coação ou manipulação por parte do nosso Comandante.

– Chegou ao nosso conhecimento de que, no dia 9 de Janeiro, foi aventada, por alguns elementos da direção em exercício, a possibilidade de que, face à falta de Comandante, o cargo fosse assumido pelo Presidente da Direção, o que para além de revelar falta de conhecimento da legislação aplicável, se mostra até caricato uma vez que a Direção acusa, injustamente e forma infundada, o agora Ex-Comandante de ter pretensões para ocupar a Presidência da A.H.B.V.M.

Toda esta situação levou a que o Corpo Ativo dos Bombeiros Voluntários de Melgaço visse reduzido a valores mínimos, o número de operacionais, sendo que a grande maioria dos mesmos apresenta grandes limitações de disponibilidade para o cumprimento das suas funções e alguns deles são, cumulativamente, profissionais remunerados da instituição ou destacados pela Autarquia. Devemos ainda referir que o Comandante em Substituição, Oficial Bombeiro 1ª considera que, neste quadro, é de todo impossível assegurar o normal funcionamento da instituição ao nível da prestação do socorro às populações, o que só por si já contraria a informação veiculada pela Direção em exercício. Também a este nível convém salientar o Decreto-lei nº 248/2012 de 21 de Novembro, Artigo 4º, alínea 5, o qual pela sua gravidade citaremos “A extinção de um corpo de bombeiros pela ANPC (…) e pode ter lugar quando esse corpo de bombeiros, de forma continuada e prolongada no tempo, tenha deixado de assegurar o pleno cumprimento das suas missões, careça dos recursos materiais e dos recursos humanos aptos, qualificados e habilitados, necessários ao cumprimento dessas missões ou desenvolva a sua atividade de forma que viole gravemente as normas que lhe são aplicáveis”. Convém ainda referir, e ao contrário do que foi veiculado no comunicado emitido pela Direção em exercício, foram elementos da Direção que contactaram Bombeiros no Quadro de Reserva para regressarem ao ativo e assim “minimizarem esta situação”, desconhecendo que, ao abrigo da legislação acima referida, devem estar reunidas “condições físicas e técnicas, nomeadamente quanto à instrução e formação consideradas necessárias para o desempenho do exercício da função”, as quais devem ser validadas pelo Comandante do Corpo de Bombeiros (alíneas 2/4 do Artigo 14º).

No passado dia 12 de Janeiro, os Bombeiros que efetuaram os pedidos de inatividade, representados por 3 elementos, aos quais se associaram o Comandante em Substituição e o Ex-2º Comandante, solicitaram em reunião com o Exmo. Presidente da Direção em exercício, que fossem esclarecidos acerca do atraso verificado na atualização da sua situação perante o RNBP (tendo em conta este facto, foram submetidos novos pedidos de inatividade a 13 de Janeiro) e que pudesse ser encontrada uma solução para tentar reverter esta situação. Neste sentido, o Exmo. Presidente apresentou como possibilidade de resolução, a alteração da constituição da direção em exercício, especificando que a Exma. Senhora Ludovina Sousa que, na atualidade, assume o cargo de Tesoureira, poderia ser afastada das funções que exerce, tendo sido o feedback, positivo, por parte dos bombeiros presentes.

Resta-nos dizer e como pudemos demonstrar ao longo destas palavras extensas mas necessárias, que não existem quaisquer motivações políticas da nossa parte até porque a nossa única motivação é o cumprimento integral do Juramento que todos fizemos quando iniciamos as nossas carreiras de Bombeiros:

JURO: SERVIR A MINHA PÁTRIA E A CAUSA DOS BOMBEIROS
JURO: CUMPRIR COM LEALDADE AS FUNÇÕES QUE ME FOREM CONFIADAS
JURO: CUMPRIR OS REGULAMENTOS E AS ORDENS DE SERVIÇO
JURO: ESTAR SEMPRE PRONTO A SERVIR O MEU SEMELHANTE, MESMO COM O SACRIFÍCIO DA PRÓPRIA VIDA
JURO: SER FIEL NA DEFESA DA MINHA ASSOCIAÇÃO CUJO SÍMBOLO É AQUELE ESTANDARTE

Fonte:http://www.vozdemelgaco.pt/




Sobre quem enviou a noticia

Paulo Reis

Paulo Reis

É Natural e residente em Esmoriz, a sua vida profissional está ligada à indústria automóvel nestes últimos 18 anos como CAD Designer. É um dos fundadores da Rádio Voz de Esmoriz, onde atualmente, apresenta o programa de rádio “Bombeiros em Missão”. Está ligado desde tenra idade aos Bombeiros de Esmoriz onde fez parte da orquestra do Grupo Cénico e hoje, ocupa o posto de Bombeiro de 1ª. É na atualidade responsável pelo Grupo de Comunicação & Imagem da corporação e integrou a equipa do portal bombeirosdeportugal.com.