Bombeiros gregos denunciam falhas: “Desviaram os carros em direção ao mar, quando o incêndio se dirigia para lá”

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“Ninguém nos avisou de nada”. Os moradores questionam-se sobre a atuação das autoridades. Bombeiros, que falaram em anonimato, confirmam falhas e atrasos na evacuação. Os fogos já fizeram 81 mortos.

Dois bombeiros que estiveram nos incêndios que estão a afetar a região grega de Ática, perto de Atenas, denunciaram falhas no combate aos fogos que tiveram resultados trágicos: 81 mortos, 186 feridos e uma centena de desaparecidos. Falando na condição de anonimato aos jornal El País, os bombeiros lamentaram que a velocidade da propagação das chamas tenha sido maior do que a da resposta das autoridades mas denunciam desorganização e atrasos na evacuação, por parte da polícia e do Exército.

Desviaram o tráfego rodoviário em direção ao mar, quando a frente de incêndio se dirigia precisamente para lá, desde a montanha, com ventos que atingiam rajadas entre os 100 e 120 quilómetros por hora. Os carros ficaram num beco sem saída. Algumas vítimas morreram trancadas em veículos “, denunciou um deles.

Os bombeiros revelaram que emitiram o “primeiro alerta” para a população evacuar a zona “mas competia ao Exército ou à polícia dirigir a evacuação“. “Quando o quiseram fazer [a evacuação] já era tarde de mais”, disse um dos dois bombeiros, que não acreditam que sejam atribuídas responsabilidades a estas duas entidades.

Antes mesmo dos bombeiros, a população foi a primeira a questionar a resposta das autoridades e a existência de um plano de evacuação. “Ninguém nos avisou de nada”, disse ao mesmo jornal Vasilis Alexiu, um reformado cuja filha e o neto se encontram no hospital com queimaduras, embora reconheça que “o fogo devorou tudo rapidamente”.

Em apenas cinco minutos [o fogo] passou por cima de nós. A minha filha e o meu neto saíram a correr no carro. Chegaram à praia mas o fogo já tinha lá chegado primeiro, e queimaram os pés na areia, que estava cheia de brasas que caíam das árvores“, explicou Vasilis Alexiu.

O procurador do Supremo Tribunal grego já ordenou uma investigação, devido aos sinais de uma resposta oficial inadequada e à falta de um plano de evacuação atualizado — embora a existência de construções ilegais à beira-mar tenha sido considerada um fator para as dificuldades de executar um plano de emergência ordenado.

Observador.pt




Sobre quem enviou a noticia

Sérgio Cipriano

Sérgio Cipriano

Natural de Gouveia e licenciado em Comunicação Multimédia pelo Instituto Politécnico da Guarda. Ingressou nos bombeiros com apenas 13 anos de idade e hoje ocupa o cargo de sub-chefe. É um dos fundadores da Associação Amigos BombeirosDistritoGuarda.com e diretor de informação do portal www.bombeiros.pt, orgão reconhecido pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social.