Bombeiros estagiários colocados no combate a incêndios

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Proteção Civil promove quem não acabou curso e autoriza integração em dispositivo. Setor fala de “carne para canhão” frente às chamas.
Pela primeira vez, os bombeiros estagiários vão poder integrar o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR), apesar de não terem realizado o exame final e muito menos acabado o curso. A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) invocou a necessidade de reforço no socorro em tempos de pandemia para promover várias centenas a bombeiros de 3.ª – a categoria mais baixa.
À exceção da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), o setor lamenta que, para responder à falta de operacionais, estes jovens venham a ser “carne para canhão” e alerta que não estão abrangidos por seguros obrigatórios, mas apenas por apólices para formandos.
Com o nível de prontidão do DECIR a elevar-se na sexta-feira para o nível dois de quatro, as associações falam em cerca de dois mil estagiários – só no Porto são 130 – que poderão ser ativados para ocorrências. Se antes não eram considerados elementos da corporação e quando iam para o terreno precisavam de um tutor, a partir de agora estão em pé de igualdade com os operacionais na frente de combate.
Sem seguro no terreno
Segundo a ANEPC, em causa está “um número considerável de estagiários” com a formação suspensa. Mas o despacho da Proteção Civil abre problemas legais que podem não estar sanados a tempo da fase difícil dos fogos e para os quais a Associação Portuguesa de Bombeiros Voluntários (APBV) já exigiu respostas.
“Os seguros dos bombeiros são feitos pelas câmaras. A ANEPC vai dar seguro a estas centenas de jovens já ou só depois de um perder a vida?”, questiona João Marques, líder da APBV, que assinala que o despacho não refere “se é um estagiário por equipa ou vários”, “se os conhecimentos sobre fogos terão um “refresh”” e “como irão ter um tutor, já que muitas vezes não há graduados suficientes”.
Otávio Machado, dos Bombeiros de Palmela, traduz tais preocupações: “Serão carne para canhão”. “A ANEPC acabou de criar um problema jurídico, porque os estagiários têm seguros apenas para a sua formação. Se acontecer algo de grave, e espero que não, quem é o responsável? Não tenho nenhum estagiário na minha casa. Mas se tivesse, não ia nenhum”, assegurou, acusando a LBP de “não se opor à forma despudorada de se tentar colmatar a falta geral de voluntários”.
Para a Fénix – Associação Nacional de Bombeiros e Agentes de Proteção Civil, é um “manifesto retrocesso do sistema”. “Não se pode pensar que um estagiário possa operar neste tipo de cenário, mesmo que supervisionado, onde os riscos não são poucos, como intoxicação, queimaduras e exaustão”, apontou Carlos Silva, líder da Fénix.
Ao JN, Jaime Marta Soares, presidente da LBP, assumiu que se tratou de uma “proposta da Liga, consciente e segura, após escutar muitas corporações”. “Estes jovens querem concluir o curso e ninguém sabe quando isso acontecerá. Isso levaria a desistências e era uma perda muito grande. Se a questão é terem o canudo, asseguro que não seriam melhores. É uma questão de emergência. Eles irão acabar a formação”, frisou Marta Soares.

Fonte: Jornal de Noticias

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Paulo Reis

Paulo Reis

É natural e residente em Esmoriz, a sua vida profissional está ligada à indústria automóvel nestes últimos 25 anos como CAD Designer. É um dos fundadores da Rádio Voz de Esmoriz, onde apresentou o programa de rádio “Bombeiros em Missão”. Está ligado desde tenra idade aos Bombeiros de Esmoriz onde fez parte da orquestra do Grupo Cénico e hoje, ocupa o posto de Subchefe. Foi responsável pelo Grupo de Comunicação & Imagem dos BV Esmoriz e integrou a equipa do portal bombeirosdeportugal.com. É o responsável do Departamento de Relações Públicas do portal Bombeiros.pt