Bombeiros de Poiares conheceram o inferno em Penacova

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fogo-floresta240212Com três carros já em chamas, quatro bombeiros estiveram mais de uma hora cercados pelo fogo, com o chão a escaldar.

Durante mais de uma hora, quatro bombeiros de Vila Nova de Poiares lutaram neste domingo pela vida, rodeados de chamas e com os carros já destruídos pelo incêndio que deflagrou ao princípio da tarde na localidade de Carvoeira, Penacova.

Ao fim da tarde, depois de terem passado por um centro de saúde e pelo hospital de Coimbra, estavam de regresso ao quartel, contou ao PÚBLICO o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, Jaime Marta Soares.

No local havia três carros de bombeiros, dois de Penacova e outro de Vila Nova de Poiares. Estavam a combater um incêndio “numa zona acidentada, com ventos fortíssimos e com mudanças rápidas de direcção”, quando os carros foram atingidos pelas chamas.

Os bombeiros de Penacova conseguiram sair do local, mas os de Poiares, que estavam atrás, não tiveram a mesma sorte e a única coisa que conseguiram foi fugir para uma queimada, descreve Marta Soares. Uma queimada é uma zona que já se encontra livre de chamas.

Esta em particular tinha ficado limpa poucos minutos antes. “O chão estava a escaldar e havia fogo por todo o lado. Durante uma hora e um quarto, o tempo que levou a conseguirmos chegar até eles, estes bombeiros estiveram sujeitos a temperaturas altíssimas”.

Marta Soares, que estava na Guarda, dirigiu-se de imediato para a zona, sempre em contacto com os homens que estavam encurralados. “Tentei estimulá-los, dar-lhes forças, mas por vezes havia um que desmaiava”.

Entretanto tinham sido também accionados mais meios aéreos de combate ao fogo, não só para impedir que as chamas se aproximassem dos bombeiros encurralados, mas também para que as descargas de água ajudassem a baixar a temperatura na queimada.

Duas horas depois, perto da localidade de Sanguinho, que chegou a estar cercada pelo fogo, houve outro carro de bombeiros da corporação de Brasfemes que ardeu. “Já houve bombeiros que morreram a tentar salvar os carros. Felizmente hoje tiveram bom senso de não o fazer e também a possibilidade de escaparem, o que não sempre acontece quando a natureza se zanga”,desabafa Marta Soares, que é também presidente da Câmara de Vila Nova de Poiares.

Em Setembro de 2012, uma bombeira de 25 anos morreu carbonizada no interior de uma viatura que foi apanhada pelas chamas em Arganil. Outros quatro bombeiros conseguiram salvar-se, embora sofrendo queimaduras.

Ao fim da tarde deste domingo, o incêndio de Penacova continuava intenso e o vento muito forte. Segundo o presidente da LBP, a localidade de Ribas de Cima estava rodeada pelo fogo e os bombeiros colocados dentro da povoação para evitar que o incêndio chegasse à aldeia.Também as localidades de Sanguinho e Carvoeira estiveram em risco.

O presidente da Câmara de Penacova, Humberto Oliveira, disse à Lusa que ardeu uma parte importante de área florestal, com povoamentos de pinheiro e eucalipto. Cerca das 20h, já não havia povoações em risco e os bombeiros tinham já conseguido dominar duas das três frentes do incêndio. Este começou às 13h14 e sete horas depois mobilizava ainda 315 bombeiros e cerca de 90 viaturas.

Às 20h40, havia seis grandes fogos activos no país, entre eles o de Penacova, que mobilizavam mais de 900 bombeiros.

Fonte: Público

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Daniel Rocha

Daniel Rocha

Nasceu na Guarda, mas foi em Famalicão da Serra que cresceu e conheceu o mundo dos bombeiros integrando o corpo activo. É Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Portugueses, e possui um Curso de Especialização em Ensino de Português como Língua Estrangeira e Língua Segunda (PLELS), ambos na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC). Para além da vida de professor, dedica-se a muitas outras actividades, entre as quais o teatro e a escrita, tendo publicado com alguma regularidade desde 2011. A sua ligação e gosto pelo mundo da imprensa levaram-no a ser colaborador da Rádio Altitude (Guarda) e do jornal Notícias de Gouveia (Gouveia).