Bombeiros de Castelo Branco manifestam apoio a comandante constituído arguido

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In Pedro Mateus

A Federação dos Bombeiros do distrito de Castelo Branco manifestou hoje por unanimidade o seu apoio e solidariedade ao comandante dos Bombeiros de Pedrógão Grande, constituído arguido no âmbito dos incêndios florestais de 17 de Junho de 2017.

“É gratificante esta solidariedade que o distrito de Castelo branco [bombeiros] me fez chegar e ao corpo de bombeiros de Pedrógão Grande. Como devem compreender, neste momento não me posso alongar muito, mas terei a minha oportunidade de falar e irei falar sobre este caso”, afirmou Augusto Arnaut.

A Federação dos Bombeiros do distrito de Castelo Branco deslocou-se hoje a Pedrógão Grande para manifestar o seu apoio e solidariedade ao comandante dos Bombeiros de Pedrógão Grande, constituído arguido no âmbito dos incêndios florestais de 17 de junho de 2017.

Augusto Arnaut foi constituído arguido a 12 de dezembro de 2017, depois de ter sido ouvido pelo Ministério Público no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Leiria.

O comandante dos bombeiros de Pedrógão Grande disse que se sente “tranquilo” e adiantou que, a partir de agora, quem assume uma estrutura de comando, se calhar, já pensa duas vezes e que aqueles que estão no comando das respetivas corporações de bombeiros “vão ponderar muito bem”.

“Não estamos aqui [comando] para ter a culpa de tudo. Só os bombeiros é que estão inseridos na Proteção Civil?”, questionou.

Questionado se tem recebido apoio da Autoridade Nacional da proteção Civil (ANPC), Augusto Arnaut disse apenas que a seu tempo responderá a essa pergunta.

O presidente da Federação dos Bombeiros do distrito de Castelo Branco, José Neves, explicou que a decisão de expressar solidariedade a Augusto Arnaut foi decidida em Assembleia Geral, por unanimidade.

Este responsável sublinhou que tudo aquilo que se está a passar em torno do comandante dos bombeiros de Pedrógão Grande é um “atentado” ao bom nome dos bombeiros.

“O combate só acontece porque tudo atrás correu mal. Correu mal, muitas vezes por responsabilidade da entidade Estado, porque os proprietários não fazem o que devem fazer, correu mal porque as estradas continuam cheias de mato (…)”, disse.

José Neves sublinhou que os bombeiros sentem-se incomodados com a situação.

“Hoje foi o comandante Arnaut, amanhã pode ser qualquer um de nós. Não podemos continuar a admitir que o bom nome dos bombeiros do país continue desta forma”, frisou.

Disse ainda que neste momento há um sentimento de injustiça muito grande.

“É muito preocupante. Nós, neste momento, ouvimos falar entre os comandantes: ‘Vale a pena?’ Os bombeiros nunca tiveram este tipo de frases. De facto, começamos a pensar se vale a pena ser comandante de bombeiros, se vale a pena ter responsabilidades da forma como nós temos neste país e depois acontecer o que está a acontecer”, concluiu.

Os incêndios de Pedrógão Grande provocaram 66 mortos e mais de 250 feridos.

(Fonte: RTP, LUSA e DN)




Sobre quem enviou a noticia

Daniel Rocha

Daniel Rocha

Nasceu na Guarda, mas foi em Famalicão da Serra que cresceu e conheceu o mundo dos bombeiros integrando o corpo activo. É Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Portugueses, e possui um Curso de Especialização em Ensino de Português como Língua Estrangeira e Língua Segunda (PLELS), ambos na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC). Para além da vida de professor, dedica-se a muitas outras actividades, entre as quais o teatro e a escrita, tendo publicado com alguma regularidade desde 2011. A sua ligação e gosto pelo mundo da imprensa levaram-no a ser colaborador da Rádio Altitude (Guarda) e do jornal Notícias de Gouveia (Gouveia).