Bombeiro de Miranda do Douro internado na Prelada mantém “situação grave”

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Bombeiro António FerreiraO bombeiro de 25 anos internado desde sexta-feira no Hospital da Prelada, no Porto, com “70 a 80%” da superfície corporal afetada, mantém uma “situação clínica grave” e um prognóstico com “muitas reservas”, avançou hoje fonte daquela unidade.

Em conferência de imprensa, o diretor do serviço da unidade de queimados do Hospital da Prelada, Manuel Maia, precisou que Daniel Falcão, da corporação de bombeiros de Miranda do Douro, tem “queimaduras de 3.º grau em 70 a 80% da superfície corporal, continua com assistência de ventilação mecânica e apresenta uma disfunção multiorgânica em tratamento, conforme a situação clínica vai aparecendo”.

“Portanto, uma situação clínica grave, cujo prognóstico mantém muitas reservas”, acrescentou.

Sem querer estabelecer comparações com o colega de 45 anos, António Nuno Ferreira, que faleceu esta madrugada em situação de “falência multiorgânica”, Manuel Maia disse apenas que o estado do jovem bombeiro “é uma situação clínica grave em qualquer parte do mundo”.

Segundo salientou, mais de que a idade da vítima, para o prognóstico “é relevante é a magnitude da queimadura, que é muito extensa”.

Relativamente ao bombeiro Vítor Ribeiro, de 32 anos, que foi transferido do Hospital de Bragança para a Prelada umas horas depois dos outros dois colegas, o clínico disse apresentar queimaduras do 2.º grau da face e membros superiores, mas estar “perfeitamente estável, com respiração espontânea e um prognóstico bastante favorável”.

Conforme explicou à Lusa, a sua transferência para a Prelada foi ditada por “critérios internacionais de internamento”, que aconselham a transferência destes doentes para unidades específicas no tratamento de queimaduras.

No que respeita ao falecimento de António Nuno Ferreira, ocorrido pelas 00:35 de hoje, Manuel Maia disse ter resultado de uma “falência multiorgânica, como acontece nos casos de queimaduras mais extensas”.

“A manifestação sistémica da magnitude das suas queimaduras [que afetavam mais de 90% do corpo] é que o vitimou”, disse.

Aproveitando presença do comandante dos bombeiros e do presidente da Câmara de Miranda do Douro, o diretor de comunicação do Hospital da Prelada apresentou as condolências pelo falecimento “à família, amigos e bombeiros em geral”.

Os três bombeiros da corporação de Miranda do Douro ficaram feridos na quinta-feira, num incêndio naquela região, dado como dominado às 19:51, que provocou ferimentos ligeiros a mais três elementos da corporação.

Estes membros da corporação foram surpreendidos numa mudança brusca de vento e ficaram encurralados no meio do fogo, entre Cicouro e São Martinho de Angeira, junto à fronteira com Espanha, contou à agência Lusa o comandante Luís Martins.

As chamas destruíram também o veículo do dispositivo de combate a incêndios onde os bombeiros se deslocavam.

(Fonte: Notícias ao Minuto/ LUSA)

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Daniel Rocha

Daniel Rocha

Nasceu na Guarda, mas foi em Famalicão da Serra que cresceu e conheceu o mundo dos bombeiros integrando o corpo activo. É Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Portugueses, e possui um Curso de Especialização em Ensino de Português como Língua Estrangeira e Língua Segunda (PLELS), ambos na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC). Para além da vida de professor, dedica-se a muitas outras actividades, entre as quais o teatro e a escrita, tendo publicado com alguma regularidade desde 2011. A sua ligação e gosto pelo mundo da imprensa levaram-no a ser colaborador da Rádio Altitude (Guarda) e do jornal Notícias de Gouveia (Gouveia).

  • Gil Dos Santos

    Antes demais os meus sentimentos aos familiares, amigos, colgas das vitimas e votos de recuperação aos feridos.

    Não sou bombeiro, resido em França, mas interesso-me pela problematica dos incêndios florestais. Tenho uma pergunta dirigida aos profissionnais neste site : pelas fotografias do veiculo ardido, percebe-se que este estava equipado com um sistema de tubagem envolvendo a cabine.
    Em França todos (TODOS) os veiculos de combate a incêndios florestais estão equipados com sistemas de tubagem parecidos cujo objectivo é regar com uma cortina de agua as cabines dos autotanques em caso de situações onde os bombeiros não podem fugir das chamas, tendo estes que se refugiar na cabine e accionar o dispositivo (chama-se em França “autoprotection”)

    –> serà este sistema que equipava o autotanque ardido ; se assim for, o que explica que este não tenha sido accionado?

    cumprimentos

    GDS